O embuste verde e amarelo de Haddad

Já sustentei mais de uma vez neste espaço minha posição pessoal favorável à importância do patriotismo, a meu ver perfeitamente compatível com uma concepção liberal constitucional e econômica de Estado. Respeito e admiro um verdadeiro patriota, que é o que também procuro ser. Por isso mesmo, repudio com ainda mais vigor aqueles que, para disfarçar […]

Já sustentei mais de uma vez neste espaço minha posição pessoal favorável à importância do patriotismo, a meu ver perfeitamente compatível com uma concepção liberal constitucional e econômica de Estado. Respeito e admiro um verdadeiro patriota, que é o que também procuro ser. Por isso mesmo, repudio com ainda mais vigor aqueles que, para disfarçar suas pretensões tirânicas, totalitárias e afrontosas às liberdades individuais, se travestem das nossas cores pátrias para, em vez do brado de liberdade do Ipiranga, semear o caminho da servidão.

A notícia que chamou a atenção neste começo de segundo turno é o esforço do Partido dos Trabalhadores para apresentar a candidatura de Fernando Haddad sob nova forma. Primeiro, determinando-se que ele não visite mais o presidiário Lula da Silva na cadeia, minimizando a imagem de “poste” e “capacho” de que foi acertadamente investido. Em seguida, desdizendo em rede nacional a proposta em seu plano de governo socialista de que promoveria um plebiscito para a Constituinte exclusiva e evitando entrar em detalhes sobre o plano econômico.

O maior embuste veio no abandono do tradicional vermelho do PT para estampar o verde e o amarelo brasileiros. O senador petista baiano Jacques Wagner justificou: “A bandeira do Brasil é de todos nós. A gente não pode entregar graciosamente para eles o que é um símbolo do país”.

Wagner está agora preocupado em que “eles” – ou seja, nós, os liberais, conservadores e antipetistas em geral – sequestrem para si os símbolos nacionais, quando estes deveriam abranger a todos. O que Wagner convenientemente olvida é que não houve sequestro algum; as cores pátrias estavam mais para pobres órfãs que encontraram em nós os manifestantes políticos dispostos a valorizá-las.

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Afinal, se fosse depender dos petistas até ontem, tudo que veríamos seriam mares de vermelho. Os emblemas partidários para eles eram tudo; Lula, inclusive, como presidente da República, em encontro oficial com George Bush, estampou a insígnia do partido, como se, mesmo como Chefe de Estado, representasse menos a nação que a sigla pela qual se elegeu.

Camisas da CBF, sair de verde e amarelo para protestar – tudo isso era coisa de “coxinha”. Pior: como não vestíamos trajes de partidos, nossas manifestações eram automaticamente movimentos fascistas que pretendiam dissolver o sistema institucional e restaurar a ditadura militar (!). Qualquer movimento que se recusasse a reconhecer que o partido tinha mais importância que a nação e que o PT havia inventado a justiça social sobre os sofridos trópicos tupiniquins era um inimigo da democracia.

Não se viu qualquer reclamação sobre isso. Durante muito tempo desde o fatídico Junho de 2013, essa obviedade se estampou como fato consumado nas ruas de todo o Brasil: de vermelho, eram eles; de verde e amarelo, éramos nós. Nunca fizeram questão de reivindicar o que jamais valorizaram.

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O próprio Fernando Haddad fez muito pior em 2016: expeliu a bandeira do Brasil da principal avenida de São Paulo como se fosse sujeira. A Comissão de Proteção à Paisagem Urbana da Prefeitura proibiu a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo naquele ano de projetar o “lindo pendão da esperança” sobre seu prédio porque tal gesto teria “cunho político” de apoio ao movimento do impeachment de Dilma, então em curso no Senado, e feriria a Lei Cidade Limpa. “A bandeira pode ser colocada, mas se houver um contexto. Da maneira como está sendo usada é com cunho político”, argumentou-se.

O descumprimento de tal determinação absurda, que transforma o pavilhão pátrio em “poluição visual”, mereceria punição por multa, valendo até em datas comemorativas. Perguntei-me à época se estampar a bandeira do PT seria visto igualmente como imundície… A determinação da Prefeitura de Haddad fazia mais do que desprezar um dos símbolos mais importantes do Brasil: assumia como verdade que esse símbolo pertencia, naquelas circunstâncias, a um determinado partido ou segmento de ideias na discussão, e não propriamente a todos os cidadãos, incluindo os defensores de Dilma e do PT. Ele praticamente assumia que o verde e o amarelo eram “nossos”.

Com que desfaçatez quer agora, para tentar subtrair votos de Jair Bolsonaro, posar de seu ardoroso cultivador? O PT precisa ser lembrado de que os atos dizem mais do que panfletos, novas cores ou novos slogans.

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Atos como os que se deram na Universidade Federal de Pernambuco no último dia 9, quando vaias e insultos foram dirigidos aos espectadores de uma sessão do filme “Bonifácio: O Fundador do Brasil” e o professor responsável pela organização, o prezado Rodrigo Jungmann, foi agredido. Muitos dos responsáveis pela hostilização trajavam adesivos e camisas de Lula e Haddad.

É esse o verdadeiro PT: o de acéfalos lobotomizados pela doutrinação ideológica que não conseguem admitir uma sessão cinematográfica sobre um dos fundadores do país. É como se lunáticos americanos considerassem algum tipo de fascismo exibir numa universidade um filme que presta tributo a George Washington.

Não podendo escrever uma nova Carta ao Povo Brasileiro, o PT tenta vestir fantasias para ludibriar os incautos. Não pode e não vai funcionar. O rei está nu – e atrás das grades.

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