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O caminho errado

JOSÉ L. CARVALHO

Dilma diz que controle da inflação é prioridade e rejeita análise de que a demanda interna está pressionando preços

– Tem muita gente que acha que você só controla a inflação derrubando o crescimento econômico. Mas se controla a inflação controlando a inflação, não negociando com ela. Controla-se a inflação também fazendo o país crescer, aumentando a oferta de bens e serviços – disse Dilma, durante a assinatura do protocolo de intenções para implantação de um gasoduto e uma fábrica de amônia, em Uberaba, Minas Gerais.

A afirmação da Sra. Presidente enfatiza sua determinação de fazer com que suas medidas de política econômica produzam os resultados desejados, independentemente do que seja feito e das circunstâncias. Ninguém que adote uma política de combate à inflação pensa em fazê-lo derrubando o crescimento econômico.

Inflação, um fenômeno monetário, é identificada pelas pessoas pelo aumento generalizado e persistente dos preços, em reais, de bens e serviços. Entretanto, essa inflação de preços decorre da expansão dos meios de pagamento na sociedade, cuja responsabilidade única é do governo federal. Isso significa que o governo federal pode acabar com a inflação no momento que desejar, controlando a expansão monetária.

A pergunta que emerge – se concordarmos que não queremos que a inflação volte a corroer nossa economia – é a seguinte: Se o governo não quer inflação, por que permite o crescimento dos meios de pagamento a uma taxa superior à do crescimento do produto? Basicamente para acomodar os interesses de sua base de sustentação política. De fato, se controla a inflação controlando a inflação, mas para tanto é necessário negociar os cortes de gastos públicos para conter a expansão da dívida pública e a pressão de demanda.

Os ganhos de emprego e produto gerados por um processo inflacionário não são sustentáveis. Insistir na sua permanência ou ampliação exacerbará o processo inflacionário. Conter o processo inflacionário implica em reconhecer que os ganhos que ela gerou são transitórios e serão perdidos com sua eliminação. Isso é um fato que independe da vontade da Sra. Presidente.

Controla-se a inflação também fazendo o país crescer, aumentando a oferta de bens e serviços. Esse é um argumento antigo e que foi usado inúmeras vezes ao longo da história de nossa economia antes do advento do Plano Real. Pela expansão monetária, medida pelo agregado relevante, (ou maiores gastos do governo) gera-se um aquecimento da demanda, uma vez que, com mais dinheiro, as pessoas (ou o governo) demandarão mais bens e serviços. Momentaneamente, haverá um excesso de demanda por bens e serviços o que pressionará seus preços para cima. Se o processo de expansão monetária persistir, inaugura-se um processo inflacionário.

O argumento usado pela Sra. Presidente é o de que é possível combater o excesso de demanda que provoca a alta de preços por meio do aumento da oferta. Entretanto, por que os empresários já não teriam aumentado sua produção quando os preços aumentaram? Porque não têm como expandir sua produção instantaneamente. Eles precisarão de tempo para aumentar sua capacidade produtiva para atender ao aumento de demanda.

Para acelerar o processo de ampliação de capacidade, o governo decidiu expandir o crédito do BNDES, a taxas de juros subsidiadas, para permitir que a expansão da oferta aborte o processo inflacionário. Os empréstimos do BNDES financiarão investimentos que provocarão um maior aquecimento na demanda agregada da economia, em especial bens de capital, insumos e trabalho. Os proprietários de tais recursos terão mais dinheiro para gastar, pressionando a demanda por bens e serviços, e assim, elevando ainda mais seus preços.

A expansão da oferta, em um cenário como esse, tende a permanecer abaixo do crescimento da demanda. Esse processo continuará provocando alta de preços enquanto a expansão monetária (o excesso de gastos públicos) não for contida. Combater inflação com o aumento da oferta é colocar mais lenha na fogueira.

*VICE-PRESIDENTE DO INSTITUTO LIBERAL

Ref. imagens: Wikipédia

 

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