O amor da esquerda em odiar

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Bord in Burke*

Imaginava eu, nesta semana de importância ímpar na história do Brasil, que poderíamos, quem sabe, começar a virar o disco do “coitadismo” e da autopiedade em nosso país, quando me deparei com essa notícia, publicada na versão eletrônica do jornal Extra:

“… Michel Temer pode ser o primeiro presidente desde Ernesto Geisel, que governou entre 1974 e 1979, a ter um governo sem mulheres na Esplanada. Para formar sua equipe, o peemedebista chamou apenas Ellen Gracie, ex-ministra do Supremo Tribunal Federal, que assumiria a Controladoria-Geral da União, mas ela recusou o convite. Além disso, Temer pode formar um Ministério sem nenhum negro, caso os nomes cotados para ministros em seu governo sejam confirmados…”

A esquerda não consegue fazer um único discurso sem explorar o ódio e jogar os cidadãos uns contra os outros! Além do clássico da ideologia marxista “Ricos (não os de esquerda, claro) x Pobres”, opor mulheres contra homens e brancos contra negros também sempre fez parte do repertório de instrumentos de manipulação da sociedade utilizados pelos “neocomunistas” ( em analogia ao “neoliberal”). E o pior é ver a imprensa dando eco para tais estratagemas, mesmo se tratando de expediente tão manjado.

A própria Dilma, em sua última oportunidade de usar o palácio do planalto para chamar de golpe um processo que conta com a chancela do STF, que “a história ainda vai dizer o quanto de violência contra a mulher tem nesse impeachment.” A conferir, então, o quanto de incompetência e desonestidade constará dos registros históricos deste governo que brincou de queimar o Tesouro Nacional para bancar sua popularidade e acabou com menos de 8% de ótimo/bom – conseguiu perder para José Sarney durante a hiperinflação. Acusar o governo Dilma de ser o pior da história da República não constitui atitude sexista, mas pura e simples constatação da realidade.

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Aqui cumpre rememorar: na campanha presidencial de 2010, o que mais se ouvia era que “estava na hora de uma mulher governar o Brasil”. Infelizmente, o eleitor precisou aprender, da pior maneira possível, que a hora de uma mulher (e essa premissa aplica-se a qualquer cidadão brasileiro) ser Presidente da República é a hora em que surge, no ambiente político, uma mulher com capacidade para gerir o país. Provavelmente uma mulher que preenchesse esse requisito já existisse naquela ocasião, mas certamente, NÃO era Dilma Rousseff – nem Marina silva, por Cristo! No entanto, na afobação por corrigir aquela “injustiça machista histórica”, fazia-se necessário, na cabeça de muitos, alçar, a qualquer custo, uma candidata ao mais alto cargo eletivo da nação – ainda que ela fosse Dilma, a pessoa que mergulharia nosso país em uma depressão econômica que remonta ao grande crash de 1929.

Desta forma, não há sentido em cobrar que um percentual mínimo de mulheres (ou negros, ou índios, ou orientais) deva compor o Ministério do Executivo Federal. A discussão cabível deve ser feita caso a caso, ou seja: para o Ministério X, havia a mulher A, que preenchia todos os requisitos para ser nomeada e fazer um bom trabalho, mas foi preterida pelo homem B. Eu posso até contribuir com alguns exemplos práticos, para que os movimentos feministas exijam esclarecimentos do novo PRESIDENTO:

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1 – Janaína Paschoal para a Advocacia-Geral da União;

2 – Ana Amélia Lemos para o Ministério do Planejamento;

3 – Joice Hasselmann para a Casal Civil;

4 – Sinara Polycarpo Figueiredo para o Ministério da Fazenda;

5 – Simone Tebet para o Ministério das Cidades;

6 – Shéridan Esterfany Oliveira para o Ministério da Integração Nacional

Pronto. Agora podemos reivindicar junto a Michel Temer as razões  de por que ele não nomeia essas mulheres tão competentes e de fibra. Vamos lá então companheiras… Ah, claro: eu sugeri apenas “coxinhas reacionárias”, não é mesmo? Mulheres que representam o contraponto da mentalidade populista.

Eis aí a celeuma: a esquerda se preocupa com a emancipação das mulheres… de esquerda! As outras que se virem! Na verdade, mulheres reconhecidas por seu talento e dedicação não costumam precisar de auxílio estatal, nem fazer o jogo de vitimização, não agregando, portanto, à causa socialista. Dentre as sugestões acima relacionadas, há mulheres que foram demitidas de suas empresas, a pedido de Lula, por falarem verdades sobre o PT; que foram difamadas pela esquerda por pedir o impeachment de Dilma; e que são consideradas traidoras da causa feminista por votarem favoravelmente ao impedimento da primeira mulher PRESIDENTA. Então não servem. Não são mulheres de “g **** duro”.

Querem saber quais mulheres “serviram” durante o governo do PT? Eis algumas:

1 – Gleisi Hoffmann e Berenice Guerra na Casa Civil, enroladas até o pescoço em acusações de recebimento de propina;

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2 – Maria do Rosário na Secretaria de Direitos Humanos, lutando pelos direitos humanos de assassinos e estupradores menores de 18 anos;

3 – Kátia Abreu, Ministra da Agricultura que os produtores rurais não querem ver tão cedo na frente;

4 – O exemplo matador: Dilma Rousseff, Ministra da Casa Civil de Lula.

Onde quero chegar: Não é o fato de ser homem ou mulher (ou negro, ou índio, ou oriental) que irá determinar se um(a) político(a) exercerá com honestidade e competência um cargo público. Se há (e há muitas) mulheres que deveriam ter sido lembradas nesta hora de recomposição de Ministérios, em casos concretos específicos, que sejam recomendadas a quem de direito – em nome do interesse público, e não da causa feminista. Cobrar cotas de Ministro, de qualquer natureza, atenta contra o princípio constitucional da eficiência da administração pública – tão ignorado pelos petistas. Menos sentido ainda faz a Presidente afastada, em atitude desesperada, provocar conflitos entre grupos de pessoas em seu ato final. Mas é compreensível: ao PT e à esquerda, restou tão somente a narrativa de novela melodramática. Cabe ao Brasil trocar de canal e seguir em frente.

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