Não Existe Passagem Grátis

Leio no site da Folha de São Paulo que o prefeito da capital paulista, numa atitude absolutamente demagógica, acaba de estender a gratuidade nos ônibus municipais aos homens maiores de 60 anos (anteriormente, o limite mínimo era de 65).

Como não existe almoço grátis, alguém vai ter de pagar por mais esta medida populista do senhor Fernando Haddad.  Nesse caso específico, os pagadores serão os contribuintes municipais, os passageiros não estudantes menores de 60 anos e, principalmente, as empresas do município, obrigadas por lei a bancar, no mínimo, 94% do valor das passagens de seus empregados.  Como, nesse último caso, muito provavelmente, os custos serão incluídos nos preços dos produtos e serviços, os maiores prejudicados são os consumidores.

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Independentemente de quem paga a conta, entretanto, uma coisa que nunca consegui entender é a própria instituição dessas gratuidades aos idosos, seja em transportes públicos, entradas de cinema, teatro, etc. Dar subsídio a estudantes de escolas públicas (uniformizados) é até compreensível, pois são jovens de baixa renda cuja educação geraria externalidades positivas que, em tese, beneficiariam toda a sociedade.  Mas idosos, inobstante a faixa de renda?  Não faz sentido nenhum.

Ora, grande parte dos milionários já passou dos 60 anos.  Também já passa dos 60 uma boa parcela de pessoas que, embora não sendo ricas, gozam de certa estabilidade econômica.  Então, qual é o sentido de obrigar a sociedade a financiar passagens e entradas “gratuitas” para eles?  Que se lhes deem certas comodidades, como vagas e assentos exclusivos, vá lá, afinal, sua saúde muitas vezes já não é tão boa, mas o mesmo não se pode dizer dos bolsos, muito pelo contrário.

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João Luiz Mauad

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.