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Monopsônio: provavelmente você ainda vai ouvir falar muito disso.

Deu na Folha de São Paulo:

“Se cartel houve […] seu principal agente seria a Petrobras, sendo o suposto ‘clube’ no máximo um instrumento das ações dela mesma”.

A afirmação aparece na defesa da firma UTC no processo [administrativo] em que foi proibida de fazer novos contratos com a Petrobras –medida que atingiu também mais 22 construtoras citadas na Operação Lava Jato.

Ao contestar seu afastamento, a UTC diz que a estatal controlava todo o processo de contratação de fornecedores: organizava as licitações, convidava as concorrentes e dava o preço final.

No documento, a UTC argumenta que não houve conluio das empresas contra a Petrobras e afirma que a estatal tenta se passar por vítima.

“Se o conjunto de fornecedores da Petrobras merece a alcunha de ‘clube’, deve-se lembrar que seu fundador e mantenedor somente poderia ser o próprio monopsônio [único comprador do mercado, no caso, a Petrobras]”, dizem os advogados da UTC na peça de defesa.

O advogado Sebastião Tojal, que defende a empreiteira, diz que a Petrobras tenta colocar-se na posição de vítima. “Ela tenta fugir de suas responsabilidades dizendo-se vítima de diretores. As decisões lá são colegiadas e as grandes obras envolviam o conselho de administração”.

Em economia, um Monopsônio ocorre quando há um único comprador e vários potenciais vendedores para um determinado produto ou serviço no mercado. A teoria microeconômica assume que a empresa monopsonista tem o poder de ditar as regras do jogo (preços, condições, etc) aos seus fornecedores, da mesma maneira que um fornecedor monopolista controla o mercado de venda, em que existe apenas um vendedor para muitos compradores.  Em resumo, um comprador monopsonista é um “ditador de preço”, com controle quase completo de seus fornecedores.

Se considerarmos que a Petrobras é, há anos, a única empresa que investe na construção de refinarias no país, não há como deixar de concluir que ela exercia, sim, um poder monopsonial no mercado, não só referente à execução de obras, mas também de partes, peças e projetos para refinarias.

Portanto, nesse imbróglio da “Operação Lava-Jato”, os dirigentes da Petrobras podem ser tudo, menos as vítimas de empresários gananciosos e sem escrúpulos, como estão querendo vender ao venerável público.

Esperemos que a justiça de Pindorama faça o seu trabalho com isenção e puna com rigor TODAS as partes envolvidas, e não apenas as partes mais fracas – no caso, as empresas fornecedoras do monopsônio.

 

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.

2 comentários em “Monopsônio: provavelmente você ainda vai ouvir falar muito disso.

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    15/01/2015 em 2:49 pm
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    Os PODEROSOS!!!
    Sempre foi bastante comum os canalhas populistas se atribuirem a glória de “lutarem contra os poderosos” para salvar o povo, sobretudo os pobres. Os pobres são desde há muito considerados superiores moralmente, são dogmaticamente meritórios (como se pobreza atribuisse mérito) e os ricos que vivem do trabalho honesto são considerados os malvadões (como se a capacidade criar riqueza fosse um vicio nocivo). Há muito a sociedade civil foi manipulada por este antagonismo maniqueísta em favor do Estado “de onde emana a justiça arbitrária, o caminho e a luz” para salvar o povo e sobretudo os “coitadinhos oprimidos” em nome dos quais- sob os auspicios do supremo valor da bondade em desfavor da honestidade – tudo que se afirma e pratica esta automaticamente remido por se dar em nome do objetivo supremo ou fim redentor de salvar os pobres tão cheios de méritos e tão injustiSSados pelos ganânciosos e malvados ricos ou a serviços destes. É a política milenar descoberta na decadência do Império Romano para manter o Poder sobre populações exploradas pela hieraarquia estatal. Induzir, ideológicamente, a população a amar a servidão e ter a miséria como um trunfo moral foi a mais perfeita estratégia política para dominar as massas. Fazendo exatamente aquilo que Rousseau veio a sentenciar que: o mais forte só será sempre o mais forte se transformar sua força num direito e a obediência numa obrigação. Assim surgiu o Estado como organização que encarna o mito da realeza ou mesmo da divindade que tudo pode, dada a força que possui para coagir e destruir.

    Sim, a idéia de dividir a sociedade em partes antagônicas através de um maniqueísmo mistico é milenar.
    Assim, o Estado semeou a cizânia dentre a sociedade civil através inventando inimigos para aliciar amigos e garantir a exploração sobre toda a sociedade que vive de trabalhar para produzir bens e serviços para serem trocados livremente enquanto aqueles que não vivem do trabalho, mas do Poder precisam aliciar forças para impor sua vontade e expropriar, TOMAR, roubar, da população produtiva ameçando-a de causar-lhe um mal ainda maior do que aquele que lhe exige no momento. É lógico que os poderosos não são os que se dedicam a elaborar meios para produzir bens e serviços cada vez com mais eficiência e si aqueles que elaboram estratégias, ardis ou políticas para DOMINAR a sociedade produtiva.

    O caso MENSALÃO é um excelente exemplo de quem são efetivamente os poderosos!!!!
    Os políticos envolvidos e seus agregados pegaram penas absolutamente ridículas enquanto aqueles que seriam “os poderosos” foram condenados a longas penas. Até banqueiros foram facilmente subjugados pelos “coitadinhos” que lutam desigualmente contra “os poderosos”.

    O caso Petrobras é outro muito emblemático. Afinal, grandes “capitalistas” milionários estão presos enquanto políticos e seus serviçais e jagunços encontram-se livres, leves e soltos e assim permanecerão até que no máximo passem alguns dias numa cela apenas para não “dar muito na pinta”.

    Ocorre que duas empreiteiras permanecem resguardadas e justamente as duas mais ligadas ao “operário coitadinho que luta pelos pobres”. Afinal foi sob uma delas que a filha do “pobre operário” (sim, como disse Spinoza, todos tendem a ter comiseração pelos pobres, supondo-os infelizes, e odio dos ricos, supondo-os felizes) foi mantida luxuosamente em Paris, porém não se interessou em aprimorar-se em conhecimentos e treinar sua possivel inteligência, mantendo-se na mediocridade após usufruir dos luxos e oportunidades que lhe foram dadas. …Só não entendo a razão de uma grande empreiteira bancar a filha de um reles sindicalista ignorante.

    Ora, é bem provavel que como no MENSALÃO alguns ricaços não iniciados nos segredos do Poder paguem as maiores penas. talvez alguns capangas e serviçais dos políticos das esferas iniciadas também paguem como “bucha de canhão”, mas é certo que o Poder dos poderosos não será abalado. E dialético que seja, os efetivamente poderosos são os “coitadinhos” que alegam lutar em desvantagem contra os ricos “poderosos” que facilmente podem ser presos e humilhados, enquanto os pobres “coitadinhos” usufruem como nababos da própria corrupção em grande estilo: nela persistindo heróicamente em sua luta …rsrsrs

    É duro, mas é vero!

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      16/01/2015 em 11:12 am
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      Não é por acaso que as quadrilhas politicas e seus agregados (aqueles que vivem do que o Estado usurpa da sociedade) investem pesadamente em divisões antagônicas dentre a população através de oposições binárias (facilmente “entendidas” pelas massas). Assim, através de dicotomias maniqueístas, as “tropas estatais” que vivem do Poder e não do trabalho inventam inimigos para aliciar e corromper amigos, sempre apresentando-se a favor de um dos lados que afirma ser o lado fraco injustiSSado, seduzindo-o, de modo que por alguma característica todos estão contra todos, ansiosos por terem o Estado a seu lado para oprimir, lesar e mesmo destruir o seu antagônico insuflado ainda pela inveja que lhe é justificada pela política em favor do Poder do Estado. Desta forma o Estado domina a todos, explorando-os e tiranizando-os ao sabor dos caprichos de sua alta hierarquia e agregados.
      Não é por acaso que se fomenta:
      pobres x ricos, negros x brancos, nacional x estrangeiros, gays x heteros, mulher x homem, consumidores x comerciantes, empresários x banqueiros, esquerda x direita e etc. etc. etc..
      Isto tudo se dá sob massificante propaganda de que um lado é “coitadinho”, é frágil e amistoso, enquanto o outro é “poderoso”, insensível e malvado. …O velho maniqueísmo elevado ao estado da arte nos tempos modernos e a conivência da mídia, usufrutuária dos favores estatais oficiais e oficiosos, cujos integrantes são doutrinados, desde as aulas, e corrompidos com as ofertas que lhes são feitas.

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