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Minha vida, minhas escolhas, minha liberdade

Qual o significado do trabalho em sua vida? Para mim, o trabalho tem muitas representações. Ele é fonte de renda, é claro, o “ganha-pão”, o meio para alcançar vários objetivos; mas, para além disso, o trabalho é prazer, é lugar de oportunidades, é espaço de interação e criação, e isso me move.

A concepção que tenho acerca dessa esfera da vida foi se construindo desde a infância, principalmente em decorrência de alguns fatos específicos. Primeiro, minha mãe, durante a faculdade de psicologia, precisou me levar para as aulas, levando até o fim sua graduação, ainda que com um bebê a tira colo.

Mais tarde, com meus pais divorciados, sempre que possível, meu pai me levava para o seu trabalho. Tenho muitas memórias dos corredores de Furnas (empresa de energia na qual trabalhou durante toda a sua vida), do caminho até o almoxarifado, do cheiro da solda vindo da sala de manutenção de eletrônicos, etc. Foram momentos únicos, em que vi meu pai trabalhar sem demonstrar desgaste ou insatisfação: o que me marcou foi o orgulho e a dedicação ao que se propôs a fazer.

Com minha mãe, frequentei a Unidade de saúde, APAE e o consultório onde trabalhava, cresci vendo-a trabalhar em vários lugares ao mesmo tempo, sempre com amor pelo que escolheu. Tive o privilégio de ver o resultado do seu trabalho, na gratidão de pacientes que conheci em minhas tardes na recepção do consultório. Não era só emprego, era responsabilidade, missão de vida.

Toda essa história e a forma como eu a absorvi estimularam o meu desejo de encontrar algo que eu pudesse fazer, que ajudasse as pessoas, resolvesse problemas e visse resultados.

Aos 17 anos, consegui um emprego em uma barraca de velas em gel na praia. Era um desafio vencer a timidez e a grande responsabilidade de lidar com o dinheiro dos outros. Hoje tenho enorme gratidão por essa primeira oportunidade.

Depois de algumas indecisões sobre o caminho a seguir, ingressei na faculdade de psicologia. Diferente de muitos dos que iniciam nessa graduação, eu não escolhi a psicologia para me conhecer melhor, mas pela beleza e complexidade do indivíduo e suas relações, e como eu poderia usar isso de diversas formas.

Durante a faculdade, lancei-me em alguns estágios em diferentes áreas. O estágio na secretaria de saúde me trouxe muitos aprendizados e, vendo as limitações e enormes burocracias, tive a certeza de que eu não queria trabalhar no setor público.

Já a área organizacional foi uma maravilhosa descoberta. Com pouca informação durante a faculdade, o estágio foi fundamental para ampliar os horizontes.

Aos 22 anos, no meu primeiro emprego pós-faculdade, há 8 meses como Assistente de RH, engravidei de gêmeas. É senso comum que mulheres que engravidam têm grandes chances de perder o emprego após o retorno da licença maternidade. Porém, por toda a história construída até esse momento, eu tinha clareza de que não era uma regra geral. De fato, durante o período de ausência devido ao afastamento, a organização continuaria funcionando e existia a possibilidade de não haver mais espaço em meu retorno. No entanto, eu contava aqui com dois aspectos, o cenário externo que era existir a oportunidade na empresa, e o outro que era a minha responsabilidade de atuar da melhor forma, fazendo a diferença e conquistando meu espaço.

Era realidade que a nova fase da maternidade traria grandes desafios: conciliar o cuidado com as gêmeas e a rotina de trabalho exigiu dedicação, paciência, determinação e uma boa rede de apoio. Contudo, a vontade de continuar construindo a minha carreira era uma certeza. São essas tomadas de decisão que nos levam a fazer todo o esforço possível para atingir os objetivos.

Ser mãe me trouxe um grande salto de evolução e maturidade. Sob minha ótica, não há responsabilidade maior do que cuidar e guiar outro ser humano neste mundo. Percebi, ao longo do tempo, que habilidades desenvolvidas na maternidade me ajudaram também no campo do trabalho, além de fundamentar de forma mais clara meus valores pessoais, aqueles que iriam nortear minhas atitudes. Permaneci na empresa ainda por muitos anos. Saí para uma nova oportunidade, fui mãe novamente e continuo conciliando todas essas esferas da vida, com muita vontade de fazer dar certo.

Quero ressaltar que o lugar de vitimização da mulher, aquele onde ela não tem espaço no âmbito profissional, entre outras pautas, nunca foi meu. Acredito fielmente que todos temos a capacidade de construir nossa história (histórias que de fato não serão iguais), fazendo escolhas e assumindo a consequência de nossos posicionamentos.

O trabalho sempre foi uma escolha minha, eu o considero uma parte importante da trajetória (nesse momento não falo de aspectos financeiros), por isso, busquei tornar meus dias mais leves nesse ambiente, mesmo aqueles dias estressantes nos quais aparecem inúmeros incêndios para apagar. É fundamental acreditar em nossa capacidade de solucionar problemas, construir parcerias, aceitar os erros, aprender com eles, virar a página, desligar o botão, abraçar a família e dormir tranquilamente.

As situações que vivemos, o tamanho que damos a elas, têm a intensidade que decidimos sentir e cessam no momento em que decidimos encerrar. Ter o poder de controlar nossas emoções e decidir nosso futuro é pura liberdade.

*Amanda Furtado Costa é Associada Trainee do Instituto Líderes do Amanhã. 

Instituto Liberal

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