Marco Antonio Villa e seu mar de absurdos

O nível deprimente do jornalismo brasileiro justifica a chuva de críticas que o mesmo recebe. Se você busca diagnósticos precisos da realidade, da política e de qualquer outra coisa semelhante na nossa imprensa, está a perder seu precioso tempo. Paralelamente, a inacreditável presunção e arrogância das bancadas jornalísticas é espantosa e em níveis não vistos em nenhum lugar do mundo – por mais que a estupidez seja uma marca da imprensa nos quatro cantos do planeta, com poucas exceções.

Não só. No Brasil, a ignorância em variados assuntos é fonte de autoridade intelectual nos debates. Não estou sendo irônico. O ar de desprezo e superioridade moral frente a argumentos desconhecidos mostra o nível dos nossos maravilhosos jornalistas e formadores de opinião. O sujeito olha para algo jamais visto e dá a sua sentença definitiva: ‘’eu nunca ouvi falar disto’’. Ou seja, sua ignorância é a prova de que o outro não conhece nada.

Todo esse quadro foi precisamente exemplificado no debate entre Marco Antonio Villa e Rodrigo Constantino sobre a Revolução Francesa. Em todas as partes, não me resta dúvida alguma sobre a triste situação intelectual brasileira com o fato presenciado na Jovem Pan.

O debate estava inicialmente centrado na recente questão da Coroa Britânica – irrelevante perto do que veio a seguir. Constantino deu a sua visão do fato ao interpretar como desrespeito às tradições a decisão do príncipe Harry de afastar-se da realeza britânica. Citou a Revolução Francesa como exemplo a não ser seguido e de como o Reino Unido já superou coisas piores em comparação ao progressismo do beautiful people moderno.

Aí começa o espetáculo de Marco Antonio Villa. ‘’Ainda bem que existiu a Revolução Francesa, graças a Deus’’. Não foi piada nem com tom irônico que Villa falou isso. Se fosse em um boteco ou coisa do tipo, tudo bem. Mas essa bobagem monumental foi proferida em tom sério e com ar de autoridade no assunto.

A Revolução Francesa não foi um simples movimento de derrubada de um rei incompetente ou coisa do tipo, tampouco uma revolta popular guiada por um anseio de justiça social. Foi um movimento revolucionário, e como tal buscava uma mutação integral da sociedade e da natureza humana mediante a tomada do poder pela classe revolucionária. Ela começou nos livros, no movimento iluminista e em todo o ódio ao Cristianismo, ao direito natural e às instituições vigentes.

Os resultados da Revolução Francesa foram exatamente aqueles previstos por Edmund Burke em seu primoroso livro Reflexões sobre a revolução na França. A monarquia foi abolida, 18 mil pessoas foram assassinadas – dentre padres e freiras – e propriedades dos nobres e da Igreja foram tomadas. Clérigos franceses inocentes foram covardemente mortos. A miséria e a fome aumentaram. Um tirano muito pior subiu ao poder. Essa foi a obra dos revolucionários a curto prazo.

E no que deu a revolução a longo prazo? A completa derrocada da França. De segunda maior potência do mundo na época, a monarquia francesa desaguou na República e – consequentemente – nos golpes de Estado. Hoje vigora a dita Quinta República Francesa, em referência às cinco constituições republicanas. As implicações disso deram no frágil capitalismo francês, no abandono das tradições e mergulho nas porcarias desconstrucionistas e multiculturais – razão pela qual a França está a virar um grande califado.

Para o mundo, a revolução na França preparou o terreno para coisas piores, como a própria Revolução Russa. Negar a correlação entre as duas revoluções é negar que o sol é quente e que o céu é azul. Karl Marx tinha Voltaire e Diderot – dois vigaristas mentirosos anticlericais – em mais alta conta. O próprio desenvolvimento do marxismo como corrente cultural dominante na França não foi por acaso.

Dar graças a Deus pelo advento de uma revolução anticristã, assassina e embasada na mentira é coisa de um completo maluco – ou de um ignorante incurável. Marco Antonio Villa fez exatamente isso com pompa de grande intelectual e conhecedor único do tema ao debochar vergonhosamente dos argumentos de Rodrigo Constantino.

Em mais uma patacoada, Villa falou que Constantino ‘’não tem preocupações sociais’’. Ou seja, a defesa do mercado e da liberdade dos indivíduos na resolução de seus problemas – coisas defendidas por Constantino – é uma grande barbárie. A mesma barbárie que fez dos Estados Unidos a maior potência mundial. A mesma barbárie que fez dos Tigres Asiáticos verdadeiras potências econômicas e bons lugares para as suas respectivas populações.

Villa não tem mais argumento. A única coisa que ele pode oferecer em debate são os chavões e as expressões emocionais tipicamente esquerdistas, as quais já temos aos montes.

Percebam a constante alteração emocional do Sr. Villa quando algo antagônico a ele é dito. Caretas de indignação, tom de fala mais alto, gritos e risos de deboche. Assistam aos vídeos em que ele fala sobre o presidente Bolsonaro e o filósofo Olavo de Carvalho. A arrogância desse senhor é uma coisa absurda e patética.

O mundo de Marco Antonio Villa é o mundo onde Franklin Delano Roosevelt foi um grande presidente, Trump é a decadência americana, a Revolução Francesa foi uma coisa maravilhosa e os apoiadores do presidente Bolsonaro são nazistas. O mar de imbecilidade que esse sujeito nos oferece faz inveja a qualquer outro semianalfabeto presunçoso da nossa imprensa.

Referências:

1.https://www.youtube.com/watch?v=fFFN2kBDUfg

2.https://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2008/03/080325_guilhotinalista_ac.shtml

3.https://www.semprefamilia.com.br/artigo/a-revolucao-francesa-e-os-padres-que-perderam-a-cabeca

Carlos Junior

Carlos Junior

É jornalista. Colunista dos portais "Renova Mídia" e a "A Tocha". Estudioso profundo da história, da política e da formação nacional do Brasil, também escreve sobre política americana.