Eu, artista, explico a indicação do filme Democracia em Vertigem ao Oscar

A indicação do filme Democracia em Vertigem não surpreende ninguém no meio artístico, muito menos um artista como eu, que vem há anos denunciando a ditadura no meio cultural.

Antes de explicar a estrutura dessa ditadura, reproduzo abaixo uma mensagem que um amigo escritor enviou a mim na semana passada.

“Alguns anos atrás fui finalista num importante prêmio de literatura. Foram alguns meses de assédio no meio cultural, acadêmico e jornalístico. A galera esquerdista queria sondar esse tal escritor que vinha do nada, sem passado, sem luta política, sem Cuba. Um dia recebi uma caixa de Sedex com vários livros da autoria de um fulano influente na burocracia cultural do estado de SP. Nunca tinha ouvido falar dele, o que não chega a ser demérito para o fulano, mas me espantou ver como ele era bem relacionado e badalado nos circuitos internos dos eventos culturais paulistas. Havia um grupo de pessoas em torno de premiações, feiras, turnês, projetos etc. Sempre os mesmos, e sempre gente de quem você nunca ouviu falar. Respondi ao fulano com um e-mail gentil e na semana seguinte recebi revistas editadas por uma organização que ele presidia (já não lembro o nome, mas era alguma coisa ligada ao mundo acadêmico, tipo um núcleo de estudos ou coisa parecida).

A matéria de capa de uma das revistas era sobre o Irã. Na verdade, toda a revista era sobre o Irã. Entrevistas, fotos, artigos escritos lá e cá. A revista era claramente pró-aiatolás e antiamericana. Um de seus artigos denunciava a propaganda ocidental contra o islamismo e em favor do imperialismo americano etc. Joguei tudo fora e decidi não me aproximar dessas pessoas. Tive uma relação educada e protocolar com alguns deles, mas ficou bem claro para todos que eu não partilhava de seus ideais. Fui tolerado no começo e pouco a pouco excluído.

Em 2014 declarei meu voto em Aécio. Pronto. Nunca mais me convidaram para nada nem fizeram menção ao meu trabalho. Lancei outro romance que não ganhou qualquer menção na imprensa paulista. Os convites para eventos e artigos simplesmente sumiram”.

O simples pedido de meu amigo para que eu não revelasse seu nome nos mostra o poder da patrulha ideológica na cultura brasileira. Eu mesmo tenho minhas histórias para contar.

Desde que comecei a escrever para o Instituto Liberal, perdi literalmente centenas de amigos, com alguns se tornando quase inimigos. Fui insultado e difamado. Murais foram vandalizados. Exposições foram canceladas. Tornei-me persona no grata entre pessoas que só tinham elogios a mim.

Na semana passada, tivemos o caso da censura ao vídeo do Porta dos Fundos. Obviamente, repudio a ação judicial que o retirou do ar. Não cabe ao estado julgar a manifestação intelectual ou artística de ninguém. Cabe às pessoas. No entanto, chama a atenção o cinismo da conhecida “classe artística” sobre isso, já que ela sistematicamente censura artistas discordantes.

A ditadura ideológica no meio cultural funciona desta maneira:

Militantes de esquerda tomam o controle de todas as representações culturais para integrá-las a uma rede de cooperação com o partido que lidera o movimento. No Brasil, o PT.

Enquanto apertam os nós dessa rede, vão impondo a ideia de que peças de valor cultural são apenas aquelas avalizadas por eles mesmos, pois apenas eles são amparados pelos teóricos acadêmicos formados em universidades públicas, também controladas por militantes de esquerda.

Dessa forma, eles definem quem tem direito a financiamentos e patrocínios diretos ou indiretos do governo e espaço na grande imprensa como representantes da cultura nacional.

Nesse processo, vão criando prêmios para concederem a si mesmos, para que cada medalhinha dê respaldo a suas opiniões políticas. Por exemplo: fulano ganhou um prêmio em literatura, portanto, sua opinião sobre o governo Bolsonaro é importante. Fazem isso em larga escala, criando centenas de falsas notoriedades culturais, que se tornam formadores de opinião sobre tudo. Cada uma delas convertendo as narrativas socialistas para a linguagem que seus públicos entendem, cobrindo toda a cena artística e universitária, descendo em cascata até a casa e o trabalho de cada pessoa, impedindo qualquer expressão discordante, para que o cidadão comum acredite que todos os artistas são socialistas e amam Lula.

O nome disso é marxismo cultural ou gramscismo. 

Enxergando isso, enxerga-se perfeitamente como chegam a indicação de um filme ao Oscar. Fizeram a mesma coisa com o filme sobre Lula. Fazem e continuarão fazendo a mesma coisa.

A grande maioria dos premiados em todas as categorias artísticas atendem de uma forma ou de outra aos interesses da esquerda. Um artista não-militante pode até conseguir uma medalhinha em alguma coisa, mas será uma espécie de “cota da bondade”, tentativa de passar uma imagem de tolerância intelectual – como a Folha faz, que para cada vinte artigos pró-Lula, publica um contra.

O fato é que não há tolerância no meio cultural. Em todos os níveis, do estagiário ao diretor de alguma instituição, prevalece o ódio a qualquer pessoa não-alinhada.

O extremismo é tanto que enxergam tucanos e liberais como direita. Não enxergam a menor possibilidade de conciliação ou de convivência com pensamentos divergentes. São paranoicamente anticristãos e antiamericanos.

Uma amiga que trabalha numa instituição de arte importante me contou recentemente sobre a discriminação e as piadinhas ofensivas que ela escuta frequentemente porque… é religiosa, católica, vai à igreja.   

Minha última exposição foi uma brecha no sistema. No entanto, durante todo o período em que durou o projeto de produção, a diretora da instituição foi questionada sobre isso. A própria chegou a marcar uma reunião comigo para dizer que a informação sobre minha exposição havia “vazado” e que estava provocando muitos questionamentos na equipe e entre frequentadores do lugar. Ela teve que me pedir para “pegar leve” no Facebook, para não atiçar os ânimos das pessoas. Dois integrantes da equipe de suporte da exposição mal me cumprimentavam.

Ela me confidenciou ainda que previa um “ato político” contra a minha exposição no dia da abertura.  O que acontece comigo e com meu amigo escritor acontece com TODOS os artistas que ousam discordar da esquerda. A indicação do filme Democracia em Vertigem é apenas o reflexo de uma ditadura que está consolidadíssima no Brasil.

A intelligentsia hollywoodiana fará sua parte para “empoderar” o cinema brasileiro, dando aos petistas mais uma narrativa estapafúrdia: “o Oscar comprova que o impeachment foi golpe”.

O socialismo transformou o cinismo em arte.   

Quem quiser conhecer meu trabalho, estou no Instagram: @demeloarte

João Cesar de Melo

João Cesar de Melo

É militante liberal/conservador com consciência libertária.