Mandela: um novo Che Guevara?

 MARIO GUERREIRO * Simplesmente estarrecedora é a capacidade da grande mídia de transformar vilões em heróis, facínoras em líderes messiânicos. Mais estarrecedor ainda é a mesma grande mídia encontrar ouvidos receptivos de milhões de zumbis acéfalos sempre dispostos a engolir suas mensagens perversas, facciosas e desinformativas. Ontem foi Che Guevara, um guerrilheiro que, logo após […]

 MARIO GUERREIRO *

Simplesmente estarrecedora é a capacidade da grande mídia de transformar vilões em heróis, facínoras em líderes messiânicos.

Mais estarrecedor ainda é a mesma grande mídia encontrar ouvidos receptivos de milhões de zumbis acéfalos sempre dispostos a engolir suas mensagens perversas, facciosas e desinformativas.

Ontem foi Che Guevara, um guerrilheiro que, logo após a revolução cubana, atuou intensamente nos “tribunais do povo” como juiz e carrasco dos condenados a quem executava friamente com uma bala de 45 na nuca.

Mas o homem morreu numa guerrilha na Bolívia, virou santo e passou a ser cultuado em todo o mundo.

Há mesmo romarias de milhares de devotos à sua capela num lugarejo ermo da Bolívia de Primevo Inmorales.

Sua imagem foi estampada em T-shirts de jovens, às vezes juntamente com o famoso chavão: HAY QUE ENDURECERSE, PERO NO PERDER LA TERNURA JAMÁS!  Oh! que revolucionário romântico!

Hoje é Nelson Mandela, segundo a grande mídia condenado por sua luta contra o Apartheid.

Mas segundo os autos dos processos, por mais de 160 crimes. A maioria deles atentados terroristas ceifando a vida de centenas de pessoas.

selo da URSS com Mandela

Selo de 1988, da extinta URSS, mostra Mandela na fase revolucionária.

Mandela foi um dos principais líderes do CNA (Congresso Nacional Africano), nome de um partido comunista financiado pelo “ouro de Moscou” quando ainda estava viva e atuante a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas).

Mandela fora condenado à prisão perpétua, mas ficou 27 anos preso e depois foi anistiado pelo Presidente De Klerk, quem decretou também o fim do Apartheid.

Ele não ficou 27 anos na prisão por sua luta contra o Apartheid – como diz mentirosamente a grande mídia. Ninguém foi preso na África do Sul por contestar publicamente aquele sistema segregador racista.

Se a mera contestação do Apartheid levasse alguém para a cadeia, o primeiro a ser preso seria o arcebispo da Igreja Anglicana Sul-Africana, Desmond Tutu.

Mas esse, negro como Mandela, não era terrorista como Mandela: ergueu sua voz contra aquele odioso sistema racista no púlpito, nas ruas, na ONU, em muitos países, além da África do Sul, e nunca foi sequer vítima de censura.

Todavia, ao que tudo indica, os anos de cárcere tiveram o poder de amansar a fera que existia dentro de Nelson Mandela.

Quando saiu da prisão, não mostrou rancor nem ressentimentos em relação à minoria branca. Ao contrário, mostrou-se um líder moderado, pacifista e conciliador.

Eleito Presidente, seu maior mérito foi evitar uma guerra civil no seu país, convulsionado por tensões raciais entre negros e brancos.

É importante observar que, quando avaliamos um governante de qualquer país, não devemos acentuar apenas um aspecto positivo ou negativo de sua governança, mas sim encará-la amplamente, sob os pontos de vista moral, político, econômico, administrativo, etc.

Augusto Pinochet, por exemplo, pode ser duramente criticado pelos atos de crueldade praticados por uma implacável ditadura de direita, porém jamais por sua política econômica produtora da grande prosperidade do seu país.

Os dados macroeconômicos mostram que o Chile de Pinochet foi o país que mais cresceu nos últimos trinta anos na América Latina e no Mundo.

Mandela teve o inegável mérito de não praticar um revanchismo, cujo melhor exemplo é essa Comissão da Verdade exumadora de cadáveres, apesar da Anistia “ampla, geral e irrestrita”. Mandela teve o grande mérito de conciliar um país à beira da guerra civil. Mas…

“Foram gastos bilhões de dólares com a Copa do Mundo de Futebol de 2010, na África do Sul, no entanto, o desemprego entre os negros chegou a 29,8% (mesmo na época do nefasto e demoníaco apartheid era de 20%). A moeda (o rand) desvalorizou aproximadamente 70% desde o início das políticas marxistas de Mandela, em 1994.

Errou ao apoiar ditaduras e regimes tão nefastos quanto o apartheid e figuras tão sanguinárias quanto os líderes do regime segregacionista assassino, como Cuba e os Castro, Che Guevara e os terroristas palestinos.

Suas políticas baseadas no marxismo transformaram a África do Sul em um país violento e com índice de desemprego elevado (sem contar os problemas com AIDS e corrupção).

Segundo relatório do Daily Mail, só em junho de 2013 foram assassinados 25 proprietários rurais brancos e houve outros 100 ataques. Fora as acusações de estupro sobre o atual presidente do país, Jacob Zuma, do partido de Mandela.” (Roberto Barricelli: “Os dois lados de Nelson Mandela”, IL-Blog, 9/12/2013).

Como dissemos: Simplesmente estarrecedora é a capacidade da grande mídia de transformar vilões em heróis, facínoras em líderes messiânicos.

A grande mídia parece seguir à risca o princípio de Rubens Ricupero, ex-ministro de FHC: O QUE É BOM A GENTE MOSTRA, O QUE É RUIM A GENTE ESCONDE.

* DOUTOR EM FILOSOFIA PELA UFRJ
imagem: wikipédia
Gostou do texto? Ajude o Instituto Liberal e Instituto Liberal no Patreon!