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Mais liberdades

LEANDRO GAVINIER *

Sobre o programa “Mais Médicos” do governo federal, que também trouxe profissionais formados em medicina em outros países.vislumbro  excessiva ação do Estado na chancela  e escolha do local de trabalho.

Se o governo deseja trazer médicos para o Brasil, ou os profissionais são médicos, ou não são. O que é inaceitável é que o governo se ache no poder de indicar onde os profissionais vão trabalhar de acordo com seu desejo impedido-lhes de exercer sua profissão, na esfera privada. A medicina é carreira comumente conhecida como composta por profissionais liberais.

Existe  um argumento pouco utilizado, mas é o único argumento Liberal que vislumbro. Vale lembrar que o Liberalismo é a corrente de pensamento que mais profundamente defende as liberdades individuais e faz questão de dar ênfase a isso a cada construção de raciocínio.

Sob meu ponto de vista os Conselhos de Medicina podem até estar corretos ao desejar que os profissionais realizem uma avaliação especializada de conhecimentos com provas de proficiência em língua portuguesa e prova prática de matérias médicas, o tal exame chamado REVALIDA.

Entretanto como o governo tem atropelado essa exigência para, justamente pela existência dela, poder escolher o local de trabalho do médico, os Conselhos deveriam buscar meios de habilitar esses profissionais que estão incluídos nesse programa para poderem atuar na esfera privada, garantindo-lhes o direito de trabalharem em hospitais ou de constituírem clínicas e consultórios privados, assegurando-lhes a liberdade que nossa constituição já nos garante.

O grande ato de ousadia e arrogância do programa “Mais Médicos” é o de cercear a atuação do ofício profissional, emulando, numa esfera delimitada, o delírio totalitário comunista de inibir a ação humana, permitindo-a somente dentro do âmbito estatal.

De maneira tradicional, faz-se distinção no Ocidente entre o Direito Privado e o Direito Público: o primeiro garante o estatuto dos particulares; o segundo preside à organização do Estado. Porém, relembrando a fala de Lenin em 1922 a construção do regime soviético , prevê que: “não há mais Direito Privado, tudo se tornou Direito Público”. O homem não é mais livre para usar de seus direitos no seu próprio interesse; ele não se pode servir deles – e estes não lhe são concedidos – senão no interesse comum, definido pelo PARTIDO.

A máquina propagandística e a imprensa pouco intelectualizada chega aos estertores de exibir a restrição do direito de exercer uma profissão autonomamente como uma vantagem, realizando plenamente a inversão de valores gramsciniana e amaciando a população para o cerceamento da ação privada de outros ofícios num momento posterior.

* MÉDICO NO ESTADO DE SÃO PAULO

Instituto Liberal

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