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As lições da Venezuela

JOÃO LUIZ MAUAD*

A saga da Venezuela rumo ao famigerado socialismo do século XXI continua a dar ao mundo muitas lições econômicas, por vezes esquecidas.  A economia venezuelana combina atualmente um grande surto inflacionário, controle de capitais estrangeiros e uma política estúpida de tabelamento de preços.

Essa combinação explosiva distorce completamente os sinais de preços, além de dificultar sobremaneira a produção de bens que dependem de insumos importados.  No mercado de automóveis, por exemplo, os preços dos usados estão até duas vezes mais altos que os dos veículos novos.  Parece absurdo, mas esse é o resultado esperado de uma política econômica que vai de encontro à boa teoria.  Senão, vejamos:

A inflação galopante faz com que as pessoas corram para gastar o dinheiro dos salários, da poupança, etc., antes que ele se desvalorize ainda mais.  Não por acaso, os supermercados costumam ficar lotados no início de cada mês, logo depois do pagamento dos salários.  Nesse contexto, os bens duráveis ganham preferência, e os automóveis passam a ser vistos como verdadeiras jóias.  Entretanto, devido aos controles de preços e de capitais estrangeiros, a oferta de veículos novos pelos fabricantes é muito menor do que a demanda, fazendo com que os preços dos usados subam à estratosfera.

Enquanto as pessoas tentam, de toda forma, proteger-se da perda de valor aquisitivo do dinheiro, o governo continua tentando resolver os problemas que ele mesmo criou na base da caneta.  Toda semana sai uma lei nova, na maioria das vezes para “proteger” os consumidores da ambição irrestrita dos empresários.  Prisões, apreensão de mercadorias e fechamento de estabelecimentos passam a ser rotina.

Não vai dar certo, claro, mas pelo menos serve como alerta a algumas nações vizinhas, especialmente aquelas que insistem nessa tragicomédia bolivariana.  Dizem que inteligente é quem aprende com os próprios erros, mas sábio é quem aprende com os erros dos outros.

*ADMINISTRADOR DE EMPRESAS E DIRETOR DO INSTITUTO LIBERAL

Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.