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Liberdade e a queda da USP

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Foi publicado o ranking das melhores universidades da América Latina, realizado pela “QS University Rankings”. Para surpresa e espanto dos brasileiros, a USP perdeu a liderança – mantida desde 2011 – para a PUC do Chile. Nossa, o que aconteceu? Bom, para tratar dessa questão gostaria de iniciar por outro ranking: o de liberdade econômica da Heritage Foudation. Em 2003 – ao final do governo Fernando Henrique Cardoso – o Brasil esteve em uma de suas melhores classificações, no número 58. O Chile, por sua vez, já estava na gloriosa 12a posição. Por que? Como assim? Vamos voltar um pouco no tempo e dar uma pincelada em uma parte da história de nosso vizinho.

De 1957 até a década de 1970, a PUC do Chile realizou um programa com a famosa University of Chicago. Estudantes de economia da universidade chilena conseguiam bolsas para estudar na universidade americana. Lá aprenderam com professores notáveis, vencedores do Prêmio Nobel e membros da conhecida “Mont Pelerin Society” – criada após a Segunda Guerra Mundial para promover as ideias liberais –, dentre eles se destacam: Milton Friedman, Gary Becker e George Stigler.

Cerca de 100 alunos participaram do programa, fazendo sua pós-graduação na University of Chicago. Eles voltavam para Chile, e, muitos, se tornavam professores da PUC, passando adiante o que aprenderam nos Estados Unidos. Com isso, diversas gerações de economistas chilenos – que ficaram conhecidos como Chicago Boys – beberam nas águas do liberalismo. É bom sublinhar, que, até hoje, as duas universidades mantêm uma parceria.

A história é longa, e, assim como o Brasil, o Chile passou por uma ditadura militar. O General Augusto Pinochet comandou o país, em um regime totalitário, de 1973 até 1990. Mas, há uma diferença fundamental que muitas vezes passa despercebida. Pinochet não entendia nada de economia e deixou os Chicago Boys criarem a economia mais liberal de toda a América Latina. A política de liberdade econômica, privatizações e controle da inflação deu frutos que são colhidos até hoje.

Que fique bem claro, não estou – de forma alguma – defendendo um regime antidemocrático e totalitário. No entanto, é impossível negar que, enquanto nossa ditadura estatizava, os chilenos privatizavam. Enquanto praticávamos um perverso protecionismo-nacionalista-esquizofrênico que proibia a importação e fechava nossa economia, o Chile abria o seu mercado. Enquanto vivíamos na inflação e correção monetária, o Chile buscava estabilizar e preservar sua moeda.

Ao que tudo indica, os países continuam seguindo o mesmo trilho. Atualmente o Brasil está na vergonhosa 114a posição no índice de liberdade econômica da Heritage Foudation. Enquanto isso, nosso vizinho sustenta um refrescante 7o lugar, próximo às nações mais livres e prosperas do mundo. Nosso país, ao seu turno, vai chegando cada vez mais próximo de países como Cuba e Coreia do Norte, respectivamente n.os 177 e 178 do mencionado ranking.

Diante deste cenário, qual é a surpresa de a nossa USP perder a liderança para a PUC do Chile? À medida que um país mergulha em uma verdadeira “queda livre” nos índices de liberdade, todos os cidadãos sofrem. A liberdade é irmã da diversidade e mãe da criação. Um povo livre produz mais em todos os aspectos da vida, inclusive no acadêmico. A pluralidade de ideias gera debates, florescendo teses e teorias.

A dialética em um ambiente de livre pensamento é um instrumento sensacional para testarmos nossas ideias, conceitos e convicções. Só assim, no teste do debate, é que  conseguirmos evoluir, e, se for o caso, mudarmos. Talvez esse tenha sido o legado mais importante que a University of Chicago tenha transferido para a PUC do Chile. Milton Friedman promovia constantes debates na universidade americana, muitos deles foram gravados e televisionados – é possível, inclusive, encontrá-los na internet com grande facilidade.

Realizar um projeto como o que foi executado no Chile desde 1957 é praticamente impossível atualmente. Não temos tempo para isso. No entanto, precisamos que nossas universidades criem convênios com universidades estrangeiras. Atualmente, com as facilidades de comunicação, não há desculpas. Todavia, para que isso seja possível, o país deve voltar a caminhar no rumo da liberdade, principalmente a econômica e a política. Sem isso, o ambiente deixa de ser propício ao debate, e, no final das contas, ficamos esperando o Estado para que algo seja feito. Enquanto isso, nossas universidades e o país vão despencando nos rankings.

Leonardo Correa

Leonardo Correa

Advogado e LLM pela University of Pennsylvania, articulista no Instituto Liberal.

3 comentários em “Liberdade e a queda da USP

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    27/06/2014 em 1:26 pm
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    Leonardo, creio que a influência de um ambiente econômico menos liberal sobre a universidade é pequena. A queda da USP pode ser conjuntural, mas pode também ser efeito de diversas causas: (1) gigantismo da USP com seus 90 mil alunos e 5 mil professores, que dificulta a cultura da excelência, (2) pouca meritocracia, pois os professores ganham a mesma coisa, independentemente da qualidade de sua produção e os alunos acabam passando mesmo depois de inúmeras reprovações e, finalmente, (3) pouco profissionalismo na sua gestão, afinal são professores que administram a USP, a estrutura é muito centralizada e leva ao seguinte fato: quem manda não faz e quem faz não manda.

  • Leonardo Corrêa
    23/06/2014 em 3:49 pm
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    Matheus,

    Confesso que não compreendi a sua indagação. Por acaso você leu o texto todo? Destaco esse trecho: “A dialética em um ambiente de livre pensamento é um instrumento sensacional para testarmos nossas ideias, conceitos e convicções. Só assim, no teste do debate, é que conseguirmos evoluir, e, se for o caso, mudarmos. Talvez esse tenha sido o legado mais importante que a University of Chicago tenha transferido para a PUC do Chile. Milton Friedman promovia constantes debates na universidade americana, muitos deles foram gravados e televisionados – é possível, inclusive, encontrá-los na internet com grande facilidade”. Você leu isso?

    Debates e liberdade acadêmica – coisa que não costuma ocorrer por aqui – são o segredo do desenvolvimento. Se você discorda disso, realmente não dá para entender o texto.

    Abraço,

    Leonardo Corrêa

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    20/06/2014 em 7:01 pm
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    Desculpe o meu analfabetismo funcional mas eu acho q nao entendi com o q vc quis dizer.O q tem haver a liberdade economica d 1 pais com a melhoria do ensino universitario?

Fechado para comentários.