Liberais de todo o Brasil, uni-vos!

MARCUS VINÍCIUS DE FREITAS*

Recentemente, tive a oportunidade de assistir a uma linda premiação ocorrida na Sala São Paulo, no centro da cidade, que contou com a participação de Sua Excelência, o Governador do Estado de São Paulo.

Ao sair do evento, decidi retornar à casa de metrô, afinal, São Paulo se gaba de ter um sistema moderno, ainda que diminuto em relação às necessidades imensas da cidade. Ao caminhar em direção à estação da Luz, observei, à distância, cerca de 100 (cem) usuários de crack, a não mais do que uns 200 (duzentos) metros do local do evento, na famosa Cracolândia. Receoso, fiz meia volta, retornei ao local do evento e solicitei um táxi para me dirigir à referida estação. O policiamento só cobria a área onde ocorrera o evento. 

No caminho de volta, não pude deixar de refletir sobre a situação. O carro do Governador do Estado teve de passar, necessariamente, em frente àquela quantidade enorme de drogados, ao sair do evento. No dia seguinte, à noite, novamente, para uma verificação empírica, retornei ao local para ver se algo mudara. Permanecia a mesma situação. Rostos diferentes, porém deploráveis. Minha constatação foi uma só: muito se fala em inclusão social, porém os agentes públicos nada fazem a respeito. Vivemos já há muito tempo no país do faz de conta… Os governantes, apesar de terem conhecimento dos problemas, fazem de conta que governam, e o povo faz de conta que acredita na melhoria da situação. Só que os governantes têm custado muito ao País. E o contribuinte tem pagado muitíssimo pelo faz-de-conta.

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O Estado brasileiro é de baixíssima eficiência e de altíssimo custo. O capitalismo brasileiro, infelizmente, foi formatado numa relação de mutualismo com esse Estado. No Brasil, jamais houve capitalismo puro, de fato. Assim como na política, nunca houve ideologia, porém adesismo; na iniciativa privada nunca houve capitalismo, porém uma relação, em alguns casos, quase parasitária, com o Estado. Muitas de nossas maiores fortunas foram criadas a partir de uma relação simbiótica com o Estado. Para piorar, muitos dos nossos economistas jamais conseguiram enxergar além de Keynes e buscam no Estado sempre a resolução impossível de todos os problemas sociais. Uma lástima.

O capitalismo no Brasil não floresceu e o liberalismo jamais encontrou no País o terreno fértil para que pudesse criar raízes profundas. No Brasil, em razão disso, nossos liberais entraram no armário, para utilizar uma expressão corrente.

Ocorre que – tenho observado – estamos chegando ao limite da incapacidade de gestão na coisa pública e na resolução dos problemas que afligem este País. Ao criar-se um “curral eleitoral”, com o Bolsa Família, vemos um crescimento desproporcional na intervenção do Estado. Por outro lado, os supostos programas de maior investimento público nada mais pretendem do que criar uma relação ainda maior de submissão e dependência do capital privado ao Estado. Isto não pode prevalecer. Até mesmo o discurso do fim das ideologias – perpetrado por muitos – segue a amarga lógica de buscar destruir os valores daqueles que discordam de “tudo o que está aí!”, para utilizar um bordão antigo de uma determinada denominação partidária.

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É preciso agir. Os liberais precisam reorganizar-se e fazer ressoar sua voz na sociedade, particularmente nos meios universitários, onde se encontra o futuro do País. O Brasil que teremos nas próximas gerações depende do esforço de se ensinar às presentes gerações quanto às maiores e mais amplas oportunidades do Brasil. O liberalismo econômico pode levar o Brasil muito mais longe, de maneira sólida.

Minha mãe, com seus 80 anos de existência, passou-me uma das maiores lições sobre a importância do liberalismo econômico. Ao ouvir, recentemente, a apresentação de um candidato à prefeitura de São Paulo, que pretende construir mais creches, ela afirmou: “Por que não diminuem os impostos? Com mais dinheiro no bolso, os pais podem criar melhor os filhos do que depender da miséria do governo!”.

Retorno à cena de alguns dias atrás na estação da Luz, com dezenas de drogados e um poder público, representado por sua figura máxima no Estado, completamente inerte e que não sabe resolver os desafios: se esse tipo de situação tivesse ocorrido nos Estados Unidos ou na Grã-Bretanha, certamente o tabuleiro político teria sido alterado imediatamente. Aqui, no entanto, ouvimos mais discursos sobre os supostos ganhos sociais e que, na realidade, têm baixíssima efetividade.

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Por isso, liberais de todo o Brasil, uni-vos! Temos uma missão histórica de legar um futuro melhor às novas gerações. Se não, seremos responsáveis por um Estado assaltante, meliante e que furta os sonhos de seus cidadãos… Pior do que está, pode ficar…

Como bem disse o filósofo judeu Hillel, “se não for você, quem? Se não for agora, quando?” É hora de fazer algo.

* PROFESSOR DE DIREITO E RELAÇÕES INTERNACIONAIS, FAAP

in Comentário do dia para o IL, 04.07.2012

fonte das imagens: Wikipédia 

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