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Junk food, foie gras e os ungidos

JOÃO LUIZ MAUAD *

O Brasil tem o estranho hábito de copiar tudo de ruim que os americanos fazem e criticar aquilo que os yankees têm de bom.  Estado de direito, instituições fortes, direito de propriedade bem delineado, normas trabalhistas flexíveis, etc. são freqüentemente “esquecidos” em Pindorama.  Em compensação, quando os americanos desandam a querer regulamentar a vida privada de seus cidadãos, as autoridades brasileiras logo se apressam em segui-los.  Esta semana, por exemplo, Lauro Jardim, da Veja, soltou a seguinte nota:

A Comissão de Assuntos Sociais do Senado deve aprovar, daqui a pouco, um projeto que proíbe a venda de junk food nas cantinas das escolas de educação básica do país.

“O texto veda a venda de bebidas com baixo teor nutricional, itens preparados com grandes quantidades de açúcar, gordura saturada, gordura trans e sódio.

“Caberá ao Executivo elaborar a lista exata de alimentos proibidos. Na prática, porém, sairão das prateleiras refrigerantes, vários tipos de salgadinhos e doces de alto teor calórico.

“Estabelecimentos que não cumprirem a determinação correm o risco de perder o alvará de funcionamento, entre outras penalidades. A ideia de Paim é obrigar as cantinas a estimular a alimentação saudável dos estudantes, obviamente, e coibir a obesidade infantil.

Há muito que os americanos, com a primeira dama Michelle Obama – a “czarina da alimentação saudável” – e o prefeito de Nova York Michael Bloomberg – o paladino da luta contra os doces e refrigerantes – à frente, compraram essa “briga” pela manutenção da saúde das crianças. A idéia implícita nesse tipo de ação é que os pais não têm o correto discernimento para saber o que é bom ou ruim para seus filhos e, portanto, os ungidos do governo devem agir.

No mesmo diapasão regulatório politicamente correto, inspirado pelos americanos, os “verdes”, defensores dos “direitos” dos animais, em São Paulo, resolveram entrar em guerra contra o “foie-gras”, copiando uma lei da Califórnia.  De acordo com matéria do Estadão,

Entrou em tramitação esta semana na Câmara Municipal de São Paulo o projeto de lei que proíbe a produção e venda do foie gras na cidade. A iguaria, ícone da gastronomia francesa, é elaborada com o fígado gordo do pato ou ganso através de um método conhecido como gavage – em que as aves são submetidas a uma alimentação forçada. Apesar de milenar, a prática é considerada cruel.”

O projeto de lei proíbe a produção e a comercialização de foie gras in natura ou enlatado nos estabelecimentos comerciais situados no âmbito do Município de São Paulo. A multa para quem cometer a infração na cidade será de R$ 5 mil. O projeto de lei do vereador Laércio Benko (PHS) inspirou-se na lei do Estado americano da Califórnia…

Estou esperando o dia em que os ungidos vão nos proibir de comer carne de qualquer espécie, seja em nome da boa saúde ou dos direitos dos animais…

* ADMINISTRADOR DE EMPRESAS

Instituto Liberal

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