O que fez a independência dos EUA ser única?

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A Revolução Americana ou guerra de Independência dos EUA tem seu marco de 250 anos celebrado neste 4 de julho.

“No mesmo ano em que Adam Smith trazia à luz A Riqueza das Nações, as Treze Colônias da Inglaterra declararam sua independência, dando origem a um novo país: os Estados Unidos da América. O nascimento da potência global mais perene entre os séculos XX e XXI já seria, apenas por isso, um dos acontecimentos mais importantes do século XVIII. A independência dos Estados Unidos, porém, tem um significado mais amplo (…). Em primeiro lugar, porque representou um exemplo prático da brecha aberta por John Locke ao sugerir que os indivíduos poderiam se rebelar contra a injustiça e a tirania mediante o “apelo aos céus”. Em segundo lugar, porque foi um caso pioneiro de uma comunidade política inteira constituída fazendo referência às teorias de representação e liberdade alimentadas pelos filósofos iluministas; como tal, é um capítulo ímpar da história do liberalismo. O exemplo norte-americano de 1776 inspiraria as independências de outras colônias dos países europeus, especialmente na América Latina, que somariam o impacto da literatura iluminista ao sucesso concreto dos Patriotas norte-americanos (…).

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Apesar (…) de ter representado uma ruptura de grande impacto, ter sido um fato inédito na História e ter inspirado muitos outros acontecimentos fora do próprio país, características que lhe valeram a alcunha de Revolução Americana, a guerra de independência dos Estados Unidos não foi motivada por pretensões de transformação totalizante. Os pais fundadores não queriam criar um novo homem, um novo Céu ou uma nova Terra. Desde o princípio do movimento, faziam referência às antigas liberdades britânicas, ao argumento de que os britânicos estavam ameaçando as liberdades constitutivas de sua própria sociedade. Voltavam a tradição intelectual britânica contra os próprios britânicos; eram as liberdades whigs e os princípios da Revolução Gloriosa que, na visão dos colonos, estavam sendo atraiçoados pelo próprio povo que os gestou.” (Trechos de meu livro “O Papel do Estado Segundo os Diversos Liberalismos”, Edições 70, p. 81-88)

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Lucas Berlanza

Lucas Berlanza

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), colunista e presidente do Instituto Liberal, conselheiro de diversas organizações liberais brasileiras, membro refundador da Sociedade Tocqueville, sócio honorário do Instituto Libercracia, fundador e ex-editor do site Boletim da Liberdade e autor, co-autor e/ou organizador de 11 livros.

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