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Grandes marcas provam que agentes de mercado podem ajudar no combate às Fake News

O combate às Fake News de forma descentralizada é o melhor caminho para evitar o autoritarismo do estado e suas análises tendenciosas, que poderiam favorecer o poder ocultando a verdade. No combate descentralizado das Fake News, podemos contar com agências de checagem, jornalismo, especialistas, e, por que não, as grandes marcas? As grandes marcas podem se comprometer a ajudar no combate aos boatos, difamações e redes especializadas de criação de conteúdo falso tanto quando é coerente com suas missões e valores, como também, especialmente, para não perder clientes. 

Mesmo que uma marca seja indiferente aos problemas causados por Fake News, pode se envolver no combate a elas para não perder seus clientes que tenham ressalvas morais quanto ao financiamento de sites que promovem a desinformação. Foi o que ocorreu há alguns dias. A conta Sleeping Giants Brasil (e o propósito deste texto não é analisar essa conta ou seu viés) denunciou que os anúncios automáticos de grandes marcas estavam financiando sites como o “Jornal da Cidade Online”, um site bolsonarista que já saiu em páginas de verificação por publicar conteúdos falsos, por exemplo, por ter falsificado até mesmo a identidade de seus colunistas, usando fotos de outras pessoas com modificações.

No mesmo sentido, um levantamento da agência de checagem Aos Fatos demonstrou que sete sites que publicam conteúdo falso se utilizavam do Google Adsense, a ferramenta de anúncios do Google onde a monetização ocorre de acordo com o número de acessos. Segundo a Aos Fatos, no mês de abril, eles acumularam pelo menos 44,9 milhões de acessos. Diz a agência: “Os sites analisados por Aos Fatos – Jornal da Cidade Online, Notícia Brasil Online, Senso Incomum, Gazeta Brasil, Agora Paraná, Conexão Política e Jornal 21 Brasil – vão contra ao menos uma dessas diretrizes ao publicar desinformação sobre, por exemplo, a eficácia da cloroquina no tratamento da Covid-19, ao falsear políticas de saúde da Organização Mundial da Saúde, ao amplificar mentiras sobre fraude na notificação de mortes decorrentes da pandemia e ao afirmar que a OMS tem orientações para crianças com menos de quatro anos que incluem masturbação e identidade de gênero.” O “Jornal da Cidade Online” foi o mais acessado no período, com 34 milhões de acessos.

Por causa da denúncia da Sleeping Giants Brasil, o site que se apresenta como jornal acusou a Dell, Samsung, canal History, Telecine, Submarino, Banco do Brasil e Domestika de promoverem a censura ao comunicarem que estariam retirando seus anúncios automáticos de lá. Não é o caso. Censura é quando o estado proíbe alguém de dizer algo. As marcas retirarem seus anúncios é apenas a escolha de não envolver seus recursos com aqueles que não se privam de usar a desinformação para seus fins políticos. Nada mais justo, pois nenhuma marca ou pessoa deveria ser obrigada a financiar alguém que não queira. 

A militância bolsonarista então decidiu promover boicote às marcas que eles acusaram de censurar o “Jornal da Cidade Online” (sempre entre aspas porque, apesar de eles exibirem um CNPJ no site, seria injusto com os jornais verdadeiros que ele fosse reconhecido como tal). Acabaram focando especialmente na Dell; curiosamente, não citaram tanto o Sleeping Giants Brasil; mas não deu muito certo. Entrei na #NaoCompreDell e grande parte dos comentários que vi eram de pessoas fazendo chacota da tentativa do boicote. Realmente, não poderíamos esperar um resultado diferente, pois quando quem pede o boicote tem mais rejeição que a empresa, é difícil dar certo. Por causa disso, a influencer bolsonarista Paula Marisa gravou um vídeo dizendo que, para dar certo, eles deveriam acusar a Dell de apoiar ditadura, de ser abortista, genocida, preconceituosa, nazista e coisas semelhantes. O vídeo vazou e ainda é cedo para dizer se o grupo seguirá com a difamação usando os termos que mais assustam grande parte do povo brasileiro. 

Já o Banco do Brasil voltou atrás após a reclamação do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, o que pode ser usado para discutir a respeito do patrimonialismo de quem está no poder, como também sobre a falta de independência das instituições que são administradas pelo estado, mas isso seria discussão para outro texto.

O que importa é reconhecer que é ótimo que grandes marcas retirem seus anúncios automáticos de sites que criam e promovem desinformação. Saber que podemos contar com os agentes de mercado contra Fake News é maravilhoso e não é uma mera discussão sobre cultura do cancelamento, como alguns libertários e liberais disseram sobre o episódio. É sobre a cooperação voluntária contra um dos maiores problemas da nossa era: as Fake News. Esse acontecimento foi só mais um exemplo de como os agentes de mercado podem ser eficientes para solucionar problemas “coletivos”. 

Mesmo que as marcas tenham decidido retirar seus anúncios por interesse próprio, para não perder clientes, não haveria demérito nisso. Como disse Adam Smith ainda no século XVIII, não é pela mera bondade do padeiro ou do açougueiro que nossas comidas chegam à mesa. Marcas precisam vender e consumidores precisam comprar; então, se as marcas descobrem a respeito de seus anúncios automáticos em sites de desinformação e resolvem tirá-los para não atrapalhar suas vendas, não passa de algo natural que acaba beneficiando o combate às Fake News, tão necessário em nossos dias.

*Evellyn Lima é coordenadora do Students For Liberty Brasil, estudante de Comunicação Social – Jornalismo e escreve para as redes sociais do Ladies of Liberty Alliance Brasil.

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