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Gostaria de enfrentar o Jon Jones

Hoje me ocorreu um desejo inusitado: gostaria de enfrentar, em um combate de artes marciais, com chances iguais de vitória, o supercampeão e, até então, imbatível, Jon “Bones” Jones. Escolhi esse atleta por sua reconhecida capacidade técnica e superioridade na modalidade em que compete, apesar de todos os seus problemas pessoais. Veja que não se trata apenas de combatê-lo e levar uma grande surra, o que aconteceria seguramente se o enfrentasse, mas de ter, pelo menos, igualdade de possibilidades.

Como tornar esse desejo possível? Como criar condições de competitividade igualáveis entre nós? Alguns diriam que eu deveria treinar bem duro até me tornar tão bom quanto ele, mas suponho que não seria viável. Ele já enfrentou e dominou adversários com décadas de prática, meses de estudos de estratégia e superequipes como suporte. A melhor chance que eu teria seria desafiá-lo amarrado e, de preferência, sedado, para que não houvesse qualquer reação. Nessas condições, talvez houvesse chances.

Isso tudo é uma grande besteira e, obviamente, haveria certo consenso de que não posso amarrar e sedar o campeão somente para satisfazer um desejo. Isso seria injusto! Porém, apesar de ser fácil caracterizar esse devaneio no que diz respeito às habilidades esportivas, parece não ser tão natural quando se trata das habilidades de gerar riquezas.

No capitalismo, as pessoas são remuneradas pelo que produzem e por quanto valor sua produção gera para as outras pessoas. Quanto mais valor um produto é capaz de adicionar à vida das pessoas, mais remuneração ao seu produtor ele concederá. Existem indivíduos capazes de produzir muito valor para os outros e, por suas incríveis habilidades e seu tremendo esforço, são altamente retribuídos. Contudo, há uma parcela da população que não entende tais habilidades como realmente são e defende que, quando se trata de riqueza, deveríamos ser todos o mais parecidos possível. Esse é o discurso comumente ministrado pelos preocupados com as desigualdades de renda.

Como não é possível igualar as pessoas em habilidades de gerar riquezas, assim como é impossível me igualar em capacidade de combate com um superatleta, o que normalmente se faz é “amarrar as pernas e braços” dos melhores competidores do mercado. Talvez pareça um pouco exagerado, mas é exatamente o que propõem agendas como a taxação de fortunas, alíquotas progressivas de imposto de renda e tantas outras contribuições compulsórias sobre ricos que existem ou que se pretende criar. Elas nada mais são do que violência disfarçada de lei contra as pessoas que vencem honestamente no mercado; uma forma de tomar, à força, dos que possuem habilidade e dedicação para conquistar e dar para os que não são capazes de chegar sozinhos ao mesmo resultado. Isso está errado! Não deixa de ser errado se um grupo de pessoas se juntar e decidir que é permitido.

A desigualdade de riqueza não deveria ser considerada um problema, mas algo extremamente natural considerando que pessoas têm capacidades diferentes e empenham dedicação em doses distintas em suas vidas profissionais.  O real problema em análise deveria ser a pobreza, caracterizada pela incapacidade de um indivíduo ou uma família com sua própria renda cobrir os custos de uma sobrevivência digna. Ela mata, faz as pessoas viverem em condições deploráveis e impede o desenvolvimento social. Esse é um grande mal e devemos efetivamente combatê-lo, mas não roubando de uns para dar aos outros.

O ponto é que não há relação direta entre pobreza e desigualdade de renda. Vejamos, por exemplo, casos como o de Hong Kong e Singapura, que estão entre os mais desiguais, de acordo com o coeficiente GINI. Contudo, são algumas das nações com menor percentual da população abaixo da linha da pobreza. A Suíça é tão desigual quanto Egito e Tunísia, por exemplo, e mais desigual que o Iraque. Porém, pode-se dizer que as condições de vida no país europeu são significantemente superiores. Todos os bons exemplos citados são países que apostam no único antídoto eficiente contra a pobreza: a geração de riqueza através da economia de livre mercado. Não à toa estão entre as nações mais bem colocadas no índice de liberdade econômica da Heritage Foundation.

No mercado, aqueles que criam muita riqueza acabam também beneficiando uma grande quantidade de outras pessoas, sejam seus clientes, colaboradores ou comunidades onde empenham seus negócios. Não há forma melhor de combater a pobreza do que incentivar tal processo. A pobreza é a verdadeira inimiga e vamos derrotá-la incentivando a geração de riqueza, não a punindo. Pessoas têm capacidades e ambições diferentes e é bom que seja assim. Podemos utilizar essas diferenças a favor do desenvolvimento social, desde que se entenda que o desafio reside em estimular o aumento de riqueza e não tentar forçar sua distribuição.

*Gabriel Salvatti é associado I do Instituto Líderes do Amanhã.

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