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Fora, FHC! – O dia em que concordei com os petistas

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Não pensei que este dia chegaria. Esta seria a última possibilidade que me passaria pela cabeça. No entanto, é a incrível realidade. Chegou o dia de concordar com o PT. Explico.

Muitos noticiários reproduziram uma entrevista concedida esta semana pelo ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, ícone do PSDB, para a revista alemã de economia Capital. Nossa opinião a respeito do personagem, sempre deixamos clara. Fernando Henrique é um homem de esquerda moderada, ou de centro-esquerda, como preferirem. Ele mesmo o proclama, fazendo um esforço sincero por calar os críticos da esquerda radical que o taxam de “neoliberal”. Caminhando do socialismo fabiano para a social democracia, simpatizando com a Terceira Via na Europa e capaz de um diálogo que liberais e conservadores não poderiam construir com um petista ou um psolista, FHC seria um adversário respeitável para nós – para aqueles de nós que entendem não haver como eliminar todo tipo de esquerda. Fez, ainda que forçado pelas circunstâncias, muito mais do que por convicções pessoais, um dos governos mais eficientes de nossa história, se não o mais, a partir da consolidação da grande conquista do Plano Real. Podemos e devemos questioná-lo, podemos e devemos discordar, mas esse legado positivo está na História e não pode ser negligenciado. Como oposicionista, no entanto, a entrevista que FHC concedeu é imperdoável. Com suas palavras, FHC vira as costas à sua história e cospe em seus eleitores, trocando afagos com a “besta” petista que tanto o apedreja, que recentemente tentou forçar uma “conciliação” e ele, publicamente, negou. Se assim o fez, por que, tão pouco tempo depois, dizer as asneiras que disse? O leitor julgue se não temos razão.

Sobre Dilma, FHC disse que, a despeito de o PT estar envolvido na corrupção, a presidente é “uma pessoa honrada, e não tenho nenhuma consideração por ódio na política, também não pelo ódio dentro do meu partido, ódio que se volta agora contra o PT”. As veias esquerdistas do sociólogo ex-presidente o cegaram para os méritos da verdadeira oposição, aquela que age de conformidade com a situação e ataca o governo como ele merece; a indignação do povo brasileiro, que algumas alas do PSDB – o deputado Carlos Sampaio, por exemplo – procuram repercutir, parecem soar, aos olhos do baluarte tucano, como manifestações de “ódio na política”. Ora, francamente, FHC! Todos os ataques, todos os achincalhes, todas as mentiras e distorções proferidas contra o SEU GOVERNO foram gestos de candura e ética? Vencer por meio do mais explícito estelionato eleitoral, não assumir nenhuma das responsabilidades pelos próprios erros, herdar um esquema de corrupção sistemática nas estatais e continuar governando com as empresas sob esse sistema, sustentar o auxílio a regimes opressores na América e na África, como formas de coroar uma vida que já começou nos braços do terrorismo marxista-leninista – tudo isso seria, no dicionário de Fernando Henrique, sua definição de “honra”? O ex-presidente parece ter perdido todo o senso de proporções e de valores nessa declaração estapafúrdia.

Mas isso não foi o pior, longe disso. Dilma, sabemos, é apenas uma construção de Lula. O sistema a que o país se submete hoje funciona sob os escombros do que o lulopetismo construiu desde a concepção de poder que levou o líder sindical ao governo federal em 2002. Lula é o coração imaginário desse esquema, e nenhum esforço da oposição em denunciar as trevas de seu legado será exagero. FHC vai na contramão. Segundo ele, para prender Lula, é preciso ter “algo muito concreto”. Tudo bem, FHC; queremos viver em um ordenamento jurídico seguro e legítimo e, para isso, é preciso prender pessoas apenas com evidências concretas, dentro dos dispositivos da lei. Ninguém clamou pelo contrário. No entanto, parece que, mesmo tendo esses dados à disposição, a prisão de Lula incomodaria FHC.

“Ele é um líder popular” diz o ex-presidente, “não se deve quebrar esse símbolo (Lula), mesmo que isso fosse vantajoso para o meu próprio partido. É necessário sempre ter em mente o futuro do país. (…) Ele certamente tem muitos méritos e uma história pessoal emocionante. Um trabalhador humilde que conseguiu ser presidente da sétima maior economia do mundo”. Acredito que ainda estão para ser publicadas palavras mais desabonadoras, mais criminosas, mais vis, mais vergonhosas a serem proferidas pela boca de um opositor político. FHC parece levar mais a sério seu apreço pelo esquerdismo ideológico do que o fato de que representa uma corrente mais moderada, ocupando lugar na oposição; não se envergonha de, ainda por cima no estrangeiro, “rasgar seda” para Lula, que não se importa de destroçá-lo e agredi-lo barbaramente em seus discursos animalescos. FHC deve saber que desconstruir a falsa imagem de Lula é bom não apenas para pretensões eleitoreiras do PSDB, com as quais muito pouco nos importamos, mas para grande parcela do povo brasileiro, há anos forçada a optar pelo seu partido para tentar inutilmente evitar a continuidade no poder de um grupo imoral e autoritário. Isso não o comove. Prefere amaciar. Prefere enaltecer o “símbolo” que, sim, deveria ajudar a enterrar. Lula é “símbolo”, sim, da glamourização da ignorância, do poder a qualquer preço, do populismo odioso e do “apequenamento” moral de nosso país. FHC, da covardia máxima diante desse cenário, que se converte, definitivamente, em conivência.

Parabéns por tudo isso, Fernando Henrique. Eu concordo. Concordo, como nunca antes na história deste país, com os PETISTAS que, nos seus oito anos de governo, gritavam FORA, FHC! Gritavam o mesmo que hoje gritamos para Dilma Rousseff, o que eles enxergam como golpismo, e o senhor, em vez de se portar como um verdadeiro opositor e encampar a legitimidade da reivindicação, parece concordar. Como a típica mulher de malandro, FHC apanha, apanha e apanha, mas no fundo, talvez nutra uma platônica paixão pelos seus agressores. O PSDB, especialmente na figura de seus medalhões (porque isso não se aplica a todo o partido), já se notabilizou pela oposição aviltantemente frágil, muito em função de pertencerem a campo político similar ao do inimigo enfrentado, embora com bem mais moderação. As declarações de FHC, no entanto, acrescentam a isso um capítulo muito mais vexatório. Depois de derrubarmos o PT, precisamos mostrar a senhores como FHC que seu tempo já passou. Não queremos mais covardia. Queremos homens de verdade.

Lucas Berlanza

Lucas Berlanza

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), colunista e presidente do Instituto Liberal, sócio honorário do Instituto Libercracia, editor do site Boletim da Liberdade e autor dos livros "Lacerda: A Virtude da Polêmica", “Guia Bibliográfico da Nova Direita – 39 livros para compreender o fenômeno brasileiro”, "Os Fundadores - O projeto dos responsáveis pelo nascimento do Brasil" e "Introdução ao Liberalismo" (co-autor e organizador).

2 comentários em “Fora, FHC! – O dia em que concordei com os petistas

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    16/08/2015 em 9:27 am
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    O Lucas escreveu, escreveu, escreveu, para chegar a uma simples conclusão: São iguais.
    FHC se calou sobre o escandalo dos trêns em São Paulo;
    Alckmin tambem não reconhece sua incompetencia e resposabilidade pela crise hidrica;
    Alckmin tambem não reconhece sua incompetencia e resposabilidade pelos atrasos em todas as obras dos seus governos;
    Serra ficou calado sobre a tal Controlar;
    Aécio… Bem o povo mineiro, não gosta muito dele, os resultados das urnas disse isso.

    Sabe o que vai acontecer ?
    Lulalá em 2018.
    Feliz ou Infelizmente.

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    03/08/2015 em 7:46 pm
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    Que benção Jesus!!!! Um acadêmico de jornalismo de uma Universidade Federal que não foi lobotomizado pelos professores comunas!! Parabéns Lucas, saber que você existe é saber que ainda existe uma fagulha no fim do túnel.

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