Está rindo de quê mesmo, prefeito?

JOÃO LUIZ MAUAD*

Em entrevista coletiva no último domingo, o prefeito da cidade do Rio de Janeiro resolveu fazer piada com os franceses. Em determinado momento da entrevista, um repórter francês questionou-o sobre a necessidade dos feriados durante a visita do Papa. Na pergunta, o jornalista mencionou que, nas visitas papais à França, não eram decretados feriados.

Em resposta, Eduardo Paes soltou a língua: “A França já tem tanto feriado que se colocassem mais um feriado para o Papa, ninguém trabalhava mais. Nem executivo pode fazer hora extra lá. A França não é exatamente o modelo de país de gente trabalhadora. Então, tendo em vista que não temos tantos feriados como os franceses, será permitido (sic) um feriado a mais.”

Momentos depois, o repórter se levantou e retirou-se. Em tom jocoso, o prefeito voltou a cutucar a equipe estrangeira e perguntou a um produtor, que era brasileiro: “Ele ficou chateado com a resposta? Deve ser feriado hoje lá… Desculpa, mas não resisti.”

Engraçadinho o prefeito, não? Provavelmente, ele esquece que a quantidade de horas trabalhadas não é o ponto importante, mas sim os resultados, que são diretamente proporcionais à produtividade do trabalho. E, nesse aspecto, são os franceses que têm motivo para rir de nós. Senão, vejamos:

De acordo com o Banco Mundial, o PIB per capita da França (medido em PPP), em 2012, foi de $35.845, enquanto o brasileiro (também em PPP) foi de $11.909. Considerando que o total médio de horas anuais trabalhadas pelos franceses, segundo a OCDE, naquele ano, foi de 1.479 horas, temos que o PIB/per capita/por hora trabalhada na França, em 2012, foi de $24,24. Se fizermos a mesma conta para o Brasil, considerando que a média de horas trabalhadas pelos brasileiros foi de 1.840, em 2012, chegaremos ao triste resultado de $6,47, ou praticamente ¼ da produtividade per capita francesa. Já em termos de produtividade real, que mede a relação entre o PIB total e as horas efetivamente trabalhadas (somente por trabalhadores ativos), a surra é ainda maior.

Em resumo, eles trabalham bem menos, mas têm um padrão de vida muito melhor. Quem é rico, pode se dar ao luxo de trabalhar pouco; já quem é pobre, não deveria.

* ADMINISTRADOR DE EMPRESAS

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FONTE DA IMAGEM: WIKIMEDIA COMMONS

 

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