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Está faltando o espetáculo eleitoral

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Me dei a pachorra de assistir aos debates eleitorais de 1989, todos disponíveis no “YouTube”. A comparação com o quadro atual é triste. Essa história de todos comportadinhos, fingindo que estão na Suíça, revela um absoluto desprezo pela realidade do país. Infelizmente, o brasileiro gosta mesmo é de um Big Brother Brasil –com muita baixaria.

Nesse contexto, olhando para os nossos cidadãos, eleição se ganha no grito e na empolgação da retórica. Se o povo gosta de pão e circo no dia a dia, por que vai querer um desfile de bom-mocismo nas eleições?

É preciso de sangue, empolgação e gana. O povo quer ver os candidatos se enfrentando – ou, se se preferir, “o circo pegar fogo”. Gostemos ou não, ataques pessoais e bons jogos de retórica (usando palavras de uso cotidiano) fazem parte disso. Não precisamos retroceder, mas essa campanha está “sem sal”.

O desprezo pelo bom discurso e a boa retórica são erros gravíssimos em política, e, também, no dia a dia de nossas vidas. Seres humanos não são absoluta e irrestritamente racionais. A emoção faz parte de todas as escolhas que fazemos.

Um pouco de sarcasmo, retórica e uma ou outra explosão nos momento apropriados devem ser ferramentas de um debate eleitoral. A política não segue o rigor da academia. Focar na razão e em explicações fundamentadas é um tiro certeiro no pé. Mais vale gerar um constrangimento em seus oponentes do que mostrar a lógica de suas propostas. Triste mas verdadeiro…

Grande parte dos eleitores quer ver o espetáculo, os embates, os ataques e as derrotas. Eles querem pão e circo. Quem for astuto o suficiente para atender a esse anseio do povo, com certeza irá se destacar.

Perguntas moduladas para uma resposta “sim ou não” são excelentes para isso. Um exemplo: “Sim ou não, Cantidao(a), o Senhor(s) foi ou não responsável pela farra de crédito que está destruindo a nossa economia? Sem enrolação, sim ou não!!” Causa muito mais impacto, desestabiliza e diverte o povo.

Ressalto, ainda, que o gosto pelo “espetáculo eleitoral” não é uma excentricidade brasileira. Nenhum candidato americano, por exemplo, despreza a importância do show. As eleições nos EUA têm apelo, troca de farpas e muita emoção.

Fico estarrecido com a postura de nossos candidatos. Assistam aos vídeos das eleições de 1989 no Brasil, e, para os que falam inglês, os debates de Reagan contra Carter (1980) e Mondale (1984). Vale, também, verificar os embates entre Clinton e Bush (pai), além de todos os de Barack Obama. É pura retórica, com muita nitroglicerina e fogos de artifício. Nenhum destes craques desprezou o “espetáculo eleitoral”. Espero que nossos candidatos atuais acordem para esse fato.

Leonardo Correa

Leonardo Correa

Advogado e LLM pela University of Pennsylvania, articulista no Instituto Liberal.

2 comentários em “Está faltando o espetáculo eleitoral

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    04/09/2014 em 4:13 pm
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    Tem razão precisamos de sangue nas veias e menos marqueteiros. Precisamos ver propostas reais e debate entre os candidatos quando não acreditam no que os outros dizem!

  • Avatar
    04/09/2014 em 12:06 pm
    Permalink

    O PSDB deveria ler este texto, pra ver se abandonam seus punhos de renda. Eita partidinho ruim de voto! Eita partidinho ruim de campanha!

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