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Escolhas, Estado babá e Crimes sem vítima

Estado Baba

Lucas Pagani*

Crime sem vítima. Soa estranho essa frase? Mas, se eu te disser que não é tão estranha, ainda mais, e se eu disser que é lógica? Acreditaria? Por que devemos punir certas atitutes que envolvem somente uma pessoa? Como escolher o uso de drogas sem receita, como ritalina? Estamos protegendo nossa sociedade, ou a tornando cada vez pior com leis que limitam a liberdade de escolhas e retira dos indivíduos as responsabilidades pelas consequências de seus atos?

Uma em cada quatro pessoas no Brasil estão presas por comprar, consumir ou vender algo[1]. É, isso mesmo, 25% do setor carcerário brasileiro é preenchido por pessoas que compraram, consumiram ou venderam algo. Justo? Não. Por que devemos privar pessoas de escolherem usar determinados tipos de drogas, como aspirina, ritalina, modafinil, roacutam, maconha, cocaína? Oras, por que elas não sabem o que é bom para elas. Se elas não o sabem, por que alguém deveria saber por elas? Um dos argumentos da proibição é a saúde do usuário, que a degenera por dentro.  Se fosse por motivo de saúde, deveria ser proibído também o fast-food e derivados, afinal, também fazem mal. Ou por motivos de tráfico de drogas, como cocaína e maconha, mas os estados unidos, descriminalizando a maconha, estão quebrando cartéis de drogas do méxico[2], ou seja, tem alguma coisa de errado.

Uma sociedade nunca seguirá um padrão, ela sempre estará em constante mudança, proibir pessoas de usufruirem de serviços como a prostituição,venda de drogas, jogos de azar não são para proteger a sociedade ou à economia, são para proteger os interesses das pessoas que estão dentro do estado e/ou são a maioria. Por que devemos dizer que usar maconha é errado e tentar transpor nossa moral sobre a dela? Não estariamos sendo autoritaristas com essas pessoas? Com certeza não gostamos quando pessoas nos proibem de algo que sabemos que nos faria feliz, a curto prazo ou a longo prazo, por que vai contra a moral dela.

Os vilões da história não são os traficantes, os cafetões e os chantagistas, são as pessoas que querem cortar um determinado serviço, ou cortar uma determinada escolha – a qual eles acham errado -. Esses “vilões” são, na verdade, pessoas normais, como você. Elas fornecem um produto ou serviço em que a pessoa está disposta a pagar, ou seja, uma troca voluntária, ninguém está apontando uma arma ou ameaçando a sua liberdade nessa troca. Quem aponta uma arma para tua cabeça ou ameaça a tua liberdade é o governo que é ditado pela regra da maioria.

Agora o crime sem vítima está se tornando claro? Escolhas devem ser respeitadas quando o agente da ação também é receptor.  Dirigir sem carteira de motorista é errado? Depende. E se a pessoa sem habilitação é mais apta a dirigir do que uma pessoa que tem a habilitação? É por que ela não tem a autorização do Estado para dirigir, logo ela é incapaz de dirigir bem? Estipulam-se idades e inúmeras teorias dizendo que dirigir antes dos 18 anos é perigoso e isso causaria milhares de acidentes. Ora, então  pessoas acima dos 18 anos sabem dirigir e não causariam acidentes, só pelo fato de serem maiores de 18 anos?

Entrar em uma balada menor de 18 anos é crime. Por que? Ela não escolheu ir na festa? Devemos barrar-la por que achamos que ela não pode, impondo nossa moral? Quem deve fazer esse papel são os pais, e se eles permitirem, por que um pedaço de papel e algo chamado Estado devem interferir?

Devemos aceitar o fato que o Estado nos trata como bebês e não respeita nossas escolhas? Está na hora de mostrarmos que somos adultos e sabemos lidar com nossas escolhas e consequências.  Chega de ter pessoas nos vigiando e nos impondo sua moral. Chega de controle.  Sejamos adultos e arquemos com nossas responsabilidades, sem recorrer ao Estado babá.

“Civilização é o processo de libertar o homem de outros homens” – Ayn Rand.

*Graduando de Economia da FURGS

[1] ]http://carceraria.org.br/quantidade-de-usuarios-de-entorpecentes-presos-aumentou-apos-lei-das-drogas.html

[2] https://news.vice.com/article/legal-pot-in-the-us-is-crippling-mexican-cartels

Instituto Liberal

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O Instituto Liberal é uma instituição sem fins lucrativos voltada para a pesquisa, produção e divulgação de idéias, teorias e conceitos que revelam as vantagens de uma sociedade organizada com base em uma ordem liberal.

4 comentários em “Escolhas, Estado babá e Crimes sem vítima

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    22/06/2014 em 9:04 pm
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    “Está na hora de mostrarmos que somos adultos e sabemos lidar com nossas escolhas e consequências” .. isso é brincadeira né? Pessoas querem se dar bem passando por cima dos outros. Claro que não é regra mas a maioria é assim. Agora acha mesmo que um traficante quer arcar com suas escolhas? kkkkkk

    Me cite por favor uma sociedade sem a presença de um poder controlador. Que seja o Estado ou Caciques em tribos do Xingu.

    As pessoas fazendo suas próprias leis ? Os mais fortes prevalecem sempre. Acima de tudo somos animais com necessidades básicas saciadas.

    O governo não é justo, nivela por baixo e as leis imperfeitas ? Concordo. Mas precisamos de leis, sempre.

    “A voz do povo é a voz de Deus” ? O povo mandou Jesus para a Cruz amigo

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      23/06/2014 em 1:42 am
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      Portugal tem todas as drogas liberadas há 11 anos, agora o consumidor não precisa recorrer á um traficante, mas sim um vendedor que se preocupa com a qualidade e seriedade de mercado. A pessoa que assim escolher usar droga, deveria se preocupar com a sua saúde se assim desejar, não outrem dizer o que ela deveria fazer.

      A irlanda ja foste uma anarquia por 2000 mil anos (https://www.youtube.com/watch?v=7w-fXEpy84E) Organismos sociais sempre existirão. O que está em discussão é a ilegitimidade de uma “entidade” que se sustenta através do confisco de parte da produção alheia e que você faz parte porque ela detém o monopólio da coerção. Organismo sociais voluntários, logo, que não exercem coerção sobre os indivíduos são válidos.

      Uma sociedade não vive sem leis, concordo. O que você esquece é o fato que : numa sociedade livre, as Leis seriam de comum acordo, de modo semelhante as leis de costumes da inglaterra, fazendo assim que não precise nem ser positivada, isto é, ser escrita.

      O governo não é justo e nem é legítimo. tudo aquilo que se finda por coercitividade e espoliação de outrem não tem legitimidade para ser algo.

      quem disse que a voz do povo é a voz de Deus? eu não disse nada sobre isto. Eu sou objetivista, nem religioso o sou.

      Quem sabe melhor da sua vida é você mesmo, não outra pessoa.

      Ah, espero que, pelo menos, haja uma transparência quanto a sua pessoa, quem você é. Por que se for ser “realista” seja também realista para encarar as coisas que tu diz.

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    22/06/2014 em 3:31 pm
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    Na boa, eu tinha favoritado o site com o intuito de ler com calma depois. Aí na primeira oportunidade leio isto e exclui da minha lista. Desculpa ao autor do texto, mas na minha (humilde) opinião deverias aprofundar teus conhecimentos, melhorar teu senso crítico (e fugir de um senso comum) e principalmente desenvolver uma retórica/dialética. Encare como uma crítica construtiva.

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      22/06/2014 em 4:48 pm
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      Imagina então quem entra aqui buscando um debate sério e encontra um comentário criticando o autor, mas sem oferecer nenhum argumento embasado em lógica, razão e explicando o ponto de vista do crítico, tal qual fazem os idiotas úteis de esquerda? Nossa, é muito mais frustrante com certeza. Esperava um ambiente com império da honestidade, não do maior atestado de impotência intelectual que existe, que é o ad hominem.

      Depois o autor que precisa ter melhor retórica, dialética e conhecimentos. Se quem fez tal crítica pensa que tem esses três e age sem honestidade, então o parâmetro da crítica perde qualquer fundamento

      Finalmente, estou incomodando. Não se preocupe, Gabriel, eu incomodarei ainda mais.
      Ah, apresente-me críticas que, de fato, estejam embasadas, para que eu trabalhe em tal. Não precisa partir para argumentos vexatórios e difamatórios, estou aberto a discutir. até.

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