Empurre seu carro

Uma das melhores analogias que li sobre como os empreendedores devem se comportar nesse momento de crise foi feita por Guilherme Benchimol, fundador da XP. De acordo com ele, os empresários nesse momento devem se comportar como se estivessem com um carro quebrado em uma estrada. Nessa situação, se você fica parado se lamentando e pedindo ajuda, é pouco provável que alguém pare para te ajudar. No entanto, se você começa a empurrar o carro, as pessoas (clientes, fornecedores, parceiros e outros empresários) irão reconhecer seu esforço e te ajudar. Isso mostra que você está fazendo tudo o que pode para manter o carro em movimento e alcançar seu objetivo, mesmo que demore mais do que havia planejado inicialmente.

Na situação atual, muitos empresários e funcionários autônomos aguardam intervenção divina ou ajuda do Estado para intervir e salvá-los. Para alguns setores e segmentos, pode ser que essa ajuda venha, para outros pode ser que as decisões e restrições do governo dificultem ainda mais a manutenção do negócio. Até mesmo alguns empresários que se declaram liberais estão suplicando por ajuda do governo. Não que isso seja contraditório, mas não podemos deixar que essa crise se torne uma oportunidade para o Estado crescer ainda mais e apagar as conquistas dos últimos anos.

Uma charge que tem circulado nas redes sociais retrata justamente esse temor. Nela, uma onda representando o Covid-19 vem devastando a praia. Sobre esta onda, uma outra ainda maior retratando a possível recessão econômica e, por último, a onda do Socialismo. Temos que fazer o possível para mitigar os impactos econômicos da crise, mas não podemos deixar que o Estado se exceda na realização deste papel, comprometendo a liberdade individual. Muitos oportunistas irão se aproveitar desse momento para ironizar o Estado mínimo e o liberalismo, portanto, é necessário que todos que realmente acreditam nessa ideologia se engajem para mantê-la viva e conter os avanços dos tentáculos do Leviatã̃.

Em relação às empresas, existem diversas recomendações a serem tomadas que não dependem da ajuda do governo. O primeiro ponto é ser transparente e honrar compromissos com cliente, fornecedores e parceiros. Se o empresário agir dessa forma, eles vão vê-lo empurrando o carro e irão ajudar. Segundo, crises são oportunidades para quebra de paradigmas; neste momento é fundamental pensar fora da caixa: inovar na forma de prestar serviços e reduzir custos sem perder a qualidade. A criatividade pode ser necessária para salvar o negócio. Alternativas como home office e canal de vendas online devem ser consideradas e exploradas da melhor forma possível. Além disso, há uma série de outras medidas que devem ser avaliadas, como ajuste de produção, planejamento, revisão de contratos, antecipação de férias, banco de horas e busca por crédito barato em caso de necessidade. Isso para que a empresa possa continuar operando e, sobretudo, manter seus recursos mais importantes, que são as pessoas.

De acordo com Jim Collins, “A genialidade é buscar conciliar ideias contraditórias e, ao mesmo tempo, conseguir manter a capacidade do funcionamento. É saber montar um ótimo lugar para trabalhar e tirar as pessoas erradas. É unir criatividade e disciplina. É saber não abrir mão de certos princípios e produtos, mas, por outro lado, abraçar as mudanças. É unir inovação e valores. É essa dinâmica que faz as empresas durarem”.

Por fim, seja indivíduo ou empresa, o mais importante neste momento é não abrir mão de seus valores e princípios fundamentais, pois são eles que determinarão as atitudes que irão decidir nosso futuro.

*Nelson Duarte é associado do Instituto Líderes do Amanhã. 

Instituto Liberal

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