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Empresas Juniores: Uma escola de empreendedorismo

Luan Sperandio*

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O clichê de que “só se aprende na prática” resume bem o porquê fazer parte de uma empresa júnior. Cientes de que apenas as aulas não são suficientes para, após a graduação, atuar no mercado de trabalho, estudantes organizam-se em empresas para pôr em prática o aprendizado teórico. Eis a premissa do Movimento de Empresas Juniores, que após o pioneirismo parisiense – em meados da década de 1960 – difundiu-se pelo mundo. Vale ressaltar que todo o processo de aprendizado ocorre na prática e os desafios e experiências reais são diários. Uma verdadeira escola de empreendedorismo.

Uma empresa júnior trata-se, portanto, de uma associação civil cujos fins não são lucrativos, mas com finalidade educacional, sendo composta por estudantes, por sua vez auxiliados por professores. Ao transportarem a academia ao mundo empresarial, as empresas juniores tornam-se um mecanismo de formação profissional: a parte teórica da sala de aula é posta em prática através dos projetos internos e externos. Um processo perceptivelmente primordial para despertar o espírito empreendedor em universitários. Logo, as empresas juniores (EJs) possuem relevante contribuição nesse processo.

Afinal, no universo júnior há iniciativa, autonomia e liberdade para desenvolvimento, tendo a meritocracia como fator determinante. Não há privilégios governamentais como empréstimos, subsídios ou protecionismo. Não há, portanto, “atalhos” na vida de um empresário júnior. Os membros de EJs hoje são potenciais agentes de transformação do país nas próximas décadas ao ingressarem no mercado de trabalho.

A Empresa Júnior da Fundação Getúlio Vargas foi a primeira no país, em 1988. Assim, iniciou-se um crescimento a partir de então das chamadas EJs no âmbito nacional. Atualmente é um movimento consolidado e organizado internacionalmente, havendo no Brasil federações estaduais e uma confederação nacional. Para se ter ideia das dimensões do movimento, importante trazer alguns números. Em 2012, segundo o censo da Brasil Júnior, somente 365 EJs geraram, através de seus quase oito mil membros, mais de oito milhões de reais! Esses elementos a tornam a maior escola de empreendedorismo do país.

Apesar da relevância mencionada, dos números significativos e dos benefícios profissionais para os membros, ainda é baixa a parcela de estudantes da graduação que participam e integram uma empresa júnior: menos de 0,15%. Notadamente um percentual pequeno se comparado ao campo de exploração possível.

As empresas juniores são formadoras de uma classe empresarial diferenciada e geradora de novos negócios. Além de estimularem o empreendedorismo, o fazem tendo como princípios norteadores bases que podem transformar um país, um potencial que precisa ser mais conhecido.

*Acadêmico de Direito e membro da EJ Consultores Juniores Associados/UFES

Instituto Liberal

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