Eleições no Brasil de 2014 e na Colômbia de 1970

Todo mundo já está saturado com o populismo dos petistas e de seus coadjuvantes, especialmente com o ambiente de roubo generalizado aos cofres públicos, praticado à luz do dia com total desfaçatez.

Ato contra Dilma e a corrupcao na Avenida Paulista - sabado 01 novembro 2014_RVR

No dia das eleições, à noite, acompanhava com minha família, pela televisão, a contagem de votos. Aécio começou ganhando com uma vantagem muito forte. Depois, à medida que chegava a hora de proclamar o vencedor, os dados simplesmente desapareceram da tela. Diziam os locutores que o Tribunal Superior Eleitoral não podia divulgar os dados definitivos porque até então não haviam chegado os resultados dos longínquos rincões da Amazônia. E às 8 da noite, a surpresa: Dilma havia sido eleita presidente, com estreitíssima margem sobre seu opositor!

Lembrei-me das eleições presidenciais de 1970 na Colômbia que foram fraudadas pelo governo em benefício do candidato conservador Misael Pastrana, contra o candidato que aparecia como vencedor à meia noite, o general reformado Rojas Pinilla. Depois da fala de um ministro do governo, pela televisão e pelo rádio, proibindo a divulgação de dados, Pastrana apareceu como vencedor na manhã do dia seguinte. Os resultados fraudulentos deram lugar a uma onda de violência na Colômbia e consolidaram o surgimento do grupo guerrilheiro M 19 entre cujos fundadores se encontravam os militantes da Aliança Nacional Popular, a ANAPO, que se sentiram vítimas da manobra estatal. A imprensa, nas edições dos dias seguintes, com ironia, dizia que não foram os votos dos distritos que elegeram Pastrana, mas os distritos patrocinados supostamente por uma “consultoria eleitoral alemã” cujo nome era Fraude, assessorada por um chinês chamado Cambalacho.

Com fraude ou não, nas urnas eletrônicas brasileiras de 26 de outubro, o certo é que a vitória de Dilma transformou-se numa vitoria de Pirro. O governo não sabe o que fazer. Ou melhor: no dia seguinte ao das eleições começou fazendo o que dizia que seu opositor faria: elevou os impostos, aumentou a taxa de juros e abriu a porta a todas as maldades necessárias para controlar uma inflação desenfreada por uma década de gastos públicos sem controle, graças a políticas sociais que dão bolsa a todo mundo sem exigir contraprestação e que distribuíram dinheiro dos contribuintes brasileiros em empréstimos benignos a países africanos e latinoamericanos, com a finalidade de catapultar Lula para o cenário internacional como candidato virtual para o Secretariado das Nações Unidas.

Com certeza, virão muitos raios neste horizonte carregado de suspeitas e com a sociedade insatisfeita com a inflação crescente e a endêmica corrupção lulopetista.

 

Artigo na íntegra no blog do autor: Elecciones, corrupción y expectativas nebulosas en Brasil

tradução / adaptação: Ligia Filgueiras

imagem: blog do autor

Ricardo Vélez-Rodríguez

Ricardo Vélez-Rodríguez

Mestre em Filosofia (PUC/RJ). Doutor em Filosofia (UGF). Professor da Universidade Federal de Juiz de Fora. Coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas "Paulino Soares de Sousa". Coordenador do Núcleo de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos. Professor Emérito na Escola de Comando e Estado Maior do Exército.