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Thomas Sowell e a desconstrução de falácias raciais

“Sou depravado porque fui privado”. Eis a poética frase do antigo musical Amor, Sublime Amor citado por Thomas Sowell em sua obra Discriminação e Disparidades. Em uma alusão às supostas máximas dos intelectuais que moldam o senso comum, o autor ressalta a frequência com que hipóteses plausíveis a serem testadas empiricamente são tratadas como fatos estabelecidos que não requerem tais provações.

Sowell é um economista norte-americano cuja notoriedade advém das suas críticas às visões ortodoxas que dominam o debate público acerca de temas como raça, cultura e direitos políticos. Nascido no estado da Carolina do Norte em 1930, serviu à Marinha durante a Guerra da Coreia. Em seguida, consolidou sua carreira na academia ao se graduar na Universidade de Harvard, fazer mestrado na Universidade Columbia e doutorado na Universidade de Chicago.

Durante a sua carreira acadêmica, Sowell escreveu mais de 40 livros, dentre os quais se destaca Discriminação e Disparidades pela sua contestação às premissas equivocadas de políticas públicas. Em uma análise de diversas teses que explicam contrastes socioeconômicos, o autor se alicerça em pesquisas e dados para demonstrar as falácias cometidas por aqueles que defendem a superioridade genética ou a subjugação entre grupos como causas-raízes daqueles.

Exemplo de tais falácias é a diferença na taxa de desemprego entre jovens brancos e negros dos Estados Unidos como invariável resultante do racismo crônico no mercado de trabalho. No entanto, Sowell mostra, em pesquisas, que, na realidade, não havia tal disparidade até a introdução do salário mínimo através de imposição legal, que em muito dificultou a entrada dos negros sem qualificação por conta do aumento dos custos para os empregadores.

Longe de afirmar que o mercado de trabalho não tinha preconceitos, Sowell apenas demonstra que os incentivos das iniciativas privadas eram de contratar os melhores candidatos às vagas de emprego independentemente de sua cor de pele, caso contrário iriam sofrer as consequências de ter concorrentes com melhor capital humano para competir com eles. Todavia, o cenário muda quando o governo introduz a política de salário mínimo e eleva os custos do baixo escalão ao de candidatos com melhores qualificações, de modo que não valha mais a pena a contratação daquele em detrimento destes.

Esta é apenas uma dentre as várias soluções abordadas por Sowell como formas errôneas de o governo combater tais discriminações e disparidades com base em falsas premissas. No fim das contas, o economista enxerga que o sucesso dos indivíduos e dos grupos sempre terá uma dosagem de assimetria, de modo que é fatalmente imprecisa a ideia em torno da igualdade de resultados caso haja igualdade de oportunidades.

Thomas Sowell está longe de ser a figura convencional adorada pelos progressistas. Negro e fruto do racismo sulista dos Estados Unidos, não sucumbiu à propaganda mainstream. Pelo contrário, combateu as conclusões passionais com a concretude dos fatos e trouxe luz às soluções para uma sociedade mais próspera, que devem ter as implicações de suas consequências analisadas a despeito de suas boas intenções.

O autor de Discriminação e Disparidades provavelmente seria cunhado de “capitão-do-mato” em um Brasil cada vez mais polarizado e distante da razoabilidade, embora seja importante salientar que a realidade na qual vivemos não deve nos acovardar. Pelo contrário. Deve ser uma mola propulsora para nosso posicionamento enérgico em prol das ideias da liberdade, sempre alicerçado em dados e evidências.

É reconfortante saber que os números reunidos por Thomas Sowell estão a nosso favor. Agora, cabe a nós os divulgarmos com fervor para adicionar soldados às nossas linhas de defesa.

*Artigo publicado originalmente no site do Instituto Líderes do Amanhã por Pedro Mutzig.

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