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O “Plano de Estímulo” de Joe Biden: por que países endividados crescem menos?

Na semana passada, Joe Biden conseguiu a primeira grande vitória do seu governo: aprovação na Casa dos Representantes (equivalente à nossa Câmara dos Deputados) do chamado “Plano de Estímulo”, que visa a fazer a economia americana “pegar no tranco”. Valor? 1,9 trilhão de dólares. De onde eles tirarão esse dinheiro? Imprimindo e contraindo dívida.

Como não existe almoço grátis, é evidente que haverá consequências do plano, especialmente em se tratando da dívida. Ontem, a dívida americana atingiu o patamar dos 28 trilhões de dólares. Em 2020, ela ultrapassou o tamanho da sua economia (a última vez que isso ocorreu foi durante a Segunda Guerra Mundial) e, atualmente, se encontra em 107%. Nesse ritmo, em 2051, o Congresso do país estima que a relação dívida/PIB chegará aos 200%.

De acordo com um estudo publicado pelo Mercatus Center at George Mason University, há uma correlação negativa entre a dívida pública e o crescimento econômico. Em outras palavras, países endividados crescem menos. Para piorar, quanto maior é o nível de endividamento do Estado, maiores tendem a ser os impostos e a desigualdade intergeracional.

E por que se cresce menos?

Na medida em que a dívida pública americana cresce, o governo precisa pegar cada vez mais dinheiro emprestado para cobrir seu déficit. Essa demanda por (mais) capital vinda de Washington acaba por competir com investimentos na economia real, como, por exemplo, com as empresas que necessitam levantar capital para inovar e/ou aumentar sua capacidade produtiva, o que acaba causando um aumento na taxa de juros para o setor privado.

Colocando de uma maneira bem resumida, juros altos favorecem o rentismo e tiram dinheiro que poderia ser alocado na produção de bens e serviços, o que afeta negativamente o crescimento econômico. “Ah, mas a taxa de juros americana é muito baixa!”. Sim, é verdade, mas isso não se sustenta a longo prazo. Quanto mais endividado é um país, mais arriscado é emprestar dinheiro para ele e, assim, cobram-se mais juros. Vale lembrar que até 2020 a taxa de juros americana do FED (o Banco Central deles) estava em viés de alta. A pandemia mudou esse cenário, mas é algo temporário.

Thomas Sowell certa vez disse que, “por trás de todo desastre econômico da história americana, sempre há um homem de Harvard” (tradução livre). A atual secretária do Tesouro dos EUA só não se encaixa perfeitamente nessa frase porque ela é uma mulher – Janet Yellen. Por que Sowell disse isso?

Os economistas de Harvard tendem a seguir uma linha keynesiana de pensamento – é o caso de Yellen. Friedman, certa vez, ironizou o keynesianismo: (…) “que prescrição maravilhosa: para os consumidores, gastem mais de seus rendimentos e suas rendas aumentarão; para os governos, gastem mais e a demanda agregada aumentará por um múltiplo de seu gasto adicional; tributem menos e os consumidores vão gastar mais com o mesmo resultado”. Se algo é bom demais para ser verdade, desconfie.

Na década retrasada, pudemos observar os efeitos colaterais do remédio (neo) keynesiano. No meio da crise, em 2008, os líderes do G-20 se reuniram em Washington e prometeram cortar as taxas de juros (artificialmente) e assim permitir que a despesa pública superasse a arrecadação. Em 2010, as consequências surgiram: a União Europeia se viu obrigada a resgatar a Grécia, que estava à beira do calote. No mesmo ano, a Irlanda foi resgatada, seguida de Portugal em 2011. Dezoito meses após a reunião de 2008, o G-20 volta a se reunir e outro remédio é sugerido: redução do gasto público e pagamento da dívida.

Keynes certa vez comparou os impostos de importação com o uso de drogas, que, uma vez implementadas, são difíceis de serem retiradas. O mesmo vale para o déficit público: uma vez que é utilizado para estimular a economia, governos sempre precisarão de um pouco a mais. Porém, alguma hora a conta deste ciclo vicioso chegará.

*Artigo publicado originalmente por Conrado Abreu na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

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