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Não existe almoço grátis: algo que os brasileiros ainda precisam aprender

“Imposto é roubo!”, “Fascista!”, “o melhor presidente da história do Brasil”, entre outros, são jargões que fazem parte do dia a dia da política, ainda mais no atual contexto de memetização da política nas redes sociais.

Por um lado, trata-se de transmitir ideias de uma forma simples para um público que não necessariamente se informará com profundidade sobre o assunto tratado, mas também pode representar superficialidade no debate público para problemas complexos.

Contudo, a despeito dos problemas dos memes e jargões, há um em específico que parece ser o mais necessário e importante para a política nacional: “não existe almoço grátis”.

A origem da expressão e seu significado 

There is no free lunch ou “Não existe almoço grátis” é um ditado popular que expressa a ideia de que é impossível conseguir algo sem dar nada em troca. Sua origem faz referência a uma prática comum entre bares americanos do Velho Oeste no século XIX, que ofereciam almoço para clientes sem custos, desde que consumissem determinada quantidade de bebidas.

Contudo, a expressão ganhou relevância mundial a partir do economista norte-americano Milton Friedman, que a popularizou, em 1975, ao usá-la como título de um de seus livros e seu uso passou a referir-se ao custo de oportunidade.

A despeito de os brasileiros trabalharem em média 150 dias por ano somente para sustentar a atual carga tributária, incrivelmente um em cada quatro brasileiros desconhece que paga impostos em seu dia a dia. É o que apontou pesquisa da Fecomércio-RJ/Ipsos em 2015.

Ou seja, 25% dos brasileiros acreditam no almoço grátis, que os serviços públicos e todo o aparato do estado brasileiro simplesmente são gratuitos!

O levantamento também mostrou que 45% dos brasileiros não sabem que pagam impostos ao ir às compras, isto é, que os tributos estão embutidos no preço de produtos e serviços que consomem.

O cenário, no entanto, era muito pior em 2009, quando 72% dos brasileiros desconheciam esse tipo de classe tributária. Possivelmente, a obrigatoriedade de lojistas incluírem o quanto é pago de impostos na nota fiscal a partir de 2012 pode ter contribuído para a melhora dessa conscientização, além de movimentos da sociedade civil organizada, redes sociais, entre outras iniciativas.

Repetir o jargão e explicar que não existe almoço grátis é uma forma de tornar a sociedade mais exigente com o tamanho da carga tributária e com seu uso no Brasil. Muito necessário!

Luan Sperandio

Luan Sperandio

Editor-chefe da casa de investimentos Apex Partners, analista político e colunista da Folha Vitória. Integra diversas organizações ligadas ao desenvolvimento de instituições com melhor ambiente de negócios, como o Ideias Radicais, o Instituto Mercado Popular e o Instituto Liberal, onde escreve desde 2014. É associado do Instituto Líderes do Amanhã.