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Mais razão, menos lacração: a diferença salarial entre Neymar e Marta

No último Enem surgiu uma questão absurda: foi comparado o salário do Neymar Jr. e o da Marta Vieira da Silva com a quantidade de gols que ambos fizeram pela seleção brasileira. Esta comparação não tem o menor sentido e neste texto vamos explicar o porquê.
 
A seleção brasileira não paga os salários nem de Neymar nem de Marta. Quem o faz são seus clubes, o PSG – Paris Saint-Germain e Orlando Pride –, ou seja, nem no mesmo continente ambos estão. Logo, comparar o valor por gol de ambos na seleção brasileira não faz o menor sentido. Seria mais ou menos contrapor o preço da picanha no Brasil ao preço da lagosta na Suécia.
 
O segundo motivo é o mercado em que ambos estão inseridos. Faz algum sentido comparar os rendimentos de Leonardo DiCaprio com o de Antonio Fagundes? Óbvio que não, pois o mercado cinematográfico brasileiro é uma cutícula do seu par nos EUA, e o mesmo acontece com o futebol masculino e feminino. Neymar Jr. e Marta Vieira da Silva estão inseridos em mercados diferentes com tamanhos diferentes. Ambos os jogadores pegam uma parte do “bolo” de seus respectivos setores, mas a diferença é que o tamanho do “bolo” no futebol masculino é muito maior que o do feminino.

Outro fator determinante do salário é a quantidade de valor que você gera. O salário dos trabalhadores tende a ser proporcional ao valor gerado – pelo menos na iniciativa privada. Se em 2019 o Gabigol gerou, por exemplo, 100 milhões de reais para o Clube de Regatas do Flamengo, enquanto o Rodinei gerou 5 milhões, é natural que o salário do Gabriel Barbosa seja maior que o atual lateral do Sport Club Internacional.

Não dá para sequer comparar os valores gerados por Neymar Jr. e Marta Vieira da Silva – e um bom exemplo disso está nas redes sociais. No Facebook e no Instagram, o atacante do PSG – Paris Saint-Germain tem, respectivamente, 60 milhões e 145 milhões de seguidores, enquanto a jogadora do Orlando Pride não tem nem 2% disso: 350 mil no Facebook e 2,4 milhões no Instagram.

Tais números deixam claro que o futebol feminino não tem tanta procura quanto o masculino. Por que o futebol feminino não atraí tanto o público assim? Porque ele é ruim. Muito ruim. Tanto é que a seleção brasileira feminina recentemente perdeu de 6 x 0 para a equipe sub-16 do Grêmio FBPA.

O que podemos fazer quanto a isso é óbvio: tornar o futebol feminino mais agradável ao público. A questão é o “como”. Bem, eu tenho uma sugestão: adaptar o campo e o jogo às mulheres, como ocorreu em outros esportes. No vôlei, a rede masculina tem uma altura de 2,4 metros contra 2,2 metros das mulheres. No tênis, as partidas entre mulheres chegam a no máximo três sets contra um máximo de cinco sets para os homens em Grand Slams e na Copa Davis. Há também diferenças no boxe, basquete e golfe.

Já passou da hora de o assunto sobre a diferença salarial entre homens e mulheres ter mais razão e menos lacração.

*Artigo publicado originalmente por Cornado Abreu na página Liberalismo Brazuca no Facebook. 

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