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Elon Musk e a importância da liberdade individual

“As pessoas que são loucas o suficiente para acreditarem que podem mudar o mundo são aquelas que, de fato, o fazem”. Esta frase de Steve Jobs traduz com fidedignidade um dos maiores formatadores de tendências e inovações em setores como o aeroespacial, o energético e o automotivo. O livro intitulado Elon Musk – como o CEO bilionário da SpaceX e da Tesla está moldando nosso futuro, escrito por Ashlee Vance, conta a trajetória do sul-africano que encontrou na América do Norte seu território para impactar diferentes indústrias em um nível nunca visto na história.

Em sua infância, Elon era um leitor compulsivo, com interesses muito fortes por ficção científica e histórias em quadrinhos. Um de seus favoritos, e que tem uma conexão com seus feitos e objetivos da fase adulta, é a série de livros O guia do mochileiro das galáxias. A história é marcada por viagens espaciais, o que, de algum modo, passou a fazer parte do imaginário do então menino gênio (como sua irmã Tosca costumava se referir a ele).

Sendo um adolescente geek, Elon Musk se interessava por programação, torneios de RPG e videogames. Durante essa fase, sofreu muitos ataques de colegas de escola, tendo sido agredido por um grupo, certa vez, em que acabou sendo levado ao hospital, visto que havia desmaiado em função dos golpes recebidos. A perseguição durante alguns anos era implacável e, muito provavelmente, em conjunto com a forma como seu pai tratava Elon e seus irmãos, algumas características de Musk na fase adulta podem ter ligação com os traumas acumulados nesta época de sua vida.

A despeito dos acontecimentos na cidade de Pretória, localizada na África do Sul, onde ele passou boa parte de sua vida, seus ancestrais tinham uma ligação muito forte com o Canadá. Aos dezessete anos, Musk deixou seu país de origem para criar uma nova versão de sua vida. Não se sabe, entretanto, se ele apenas queria utilizar sua ascendência canadense como parada para se mudar para os Estados Unidos, ou se estava apenas fugindo do serviço obrigatório do regime do apartheid. O fato é que sua ida para o novo país não foi muito bem planejada e Elon acabou tendo que se desdobrar para manter seu sustento.

Ingressou na Queen’s University em 1990 e, após dois anos, transferiu-se para a Universidade da Pensilvânia ao receber uma bolsa de estudos. Ele enxergou nesse movimento uma possibilidade de abrir novos horizontes e obter graduações de Economia e Física. Em 1994, já dava indícios de um de seus grandes planos: utilizar a energia solar como força motriz de toda a sociedade. Isso ficou evidenciado em um de seus estudos, com o nome A importância de ser solar. Nesta fase de sua vida, ele via a internet, a energia renovável e o espaço como as três áreas que passariam por mudanças significativas nos anos seguintes, além de serem mercados onde poderia produzir um grande impacto.

No ano seguinte, Musk se deparou com uma oportunidade de utilizar a internet para empreender. Juntamente de seu irmão Kimbal, sua primeira batizada de Zip2 criaria um catálogo de negócios pesquisável e o ligaria a mapas online. Isso pode parecer óbvio hoje, mas é preciso considerar que ainda não existia o Google Maps naquele tempo.

O ano era 1998 e a empresa passava por uma fusão com sua maior concorrente, a CitySearch. Alguns desentendimentos ocorreram por conta dos livros contábeis da empresa em questão, e Musk, que era a favor da fusão, voltou-se a ela e o acordo foi desfeito. Até que, um ano depois, a Compaq Computadores fez uma oferta pela empresa, fazendo com que Elon e o irmão vendessem suas participações acionárias, já com a cabeça em novos projetos. Em menos de uma década, saiu do status de mochileiro para se tornar multimilionário.

Como um bom jogador de videogames, Elon Musk considerava ter passado de fase. Agora, capitalizado, era possível pensar em novos empreendimentos. A jogada da vez foi no setor financeiro, sendo um dos precursores na utilização de sistemas online nesse mercado.

Em uma junção de duas empresas com atuações muito semelhantes, a X.com e a PayPal se uniram para desbravarem um mercado muito promissor de pagamentos online. Durante algum tempo, Elon figurou como CEO do grupo, tendo sido substituído por Peter Thiel depois de uma reviravolta realizada pelo conselho de administração. O nome do grupo passou a ser apenas PayPal e começou a chamar a atenção de grandes players. Em julho de 2002, o eBay fez uma oferta de 1,5 bilhão de dólares pela empresa; Musk embolsou cerca de 250 milhões de dólares com a venda, o que possibilitaria tornar realidade seus sonhos mais loucos.

A vida é feita de ciclos e, para Elon, estar na faixa dos 30 anos de idade e capitalizado o fez revisitar algumas fantasias de sua infância sobre a exploração espacial. O Vale do Silício já não o atraía mais, e Los Angeles passou a ser o centro de suas atenções para destravar suas novas empreitadas, visto que a região foi pioneira na indústria espacial desde os anos 1920. Ao se mudar, ele passaria a ter contato com os maiores pensadores da indústria aeroespacial, que poderiam ajudá-lo a ingressar em seu novo empreendimento de risco.

A SpaceX surgiu em meio a discussões deliberadas sobre colonização de Marte pela Mars Society (grupo de pessoas que se reunia para discutir e planejar ações para viabilizar viagens interplanetárias). Com essa missão, Elon e sua equipe passaram a desenvolver uma indústria com fabricação própria de peças para foguetes com baixo custo, diferentemente do que se via até então no mercado.

A decisão de criar uma empresa privada para competir com empresas estatais teve seu estopim quando, ao entrar no site da NASA, agência do governo dos Estados Unidos responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial, não encontrou absolutamente nenhum plano de explorar o planeta Marte. Claramente, observa-se a mentalidade de um empreendedor que não limita sua atuação e tem ousadia para entrar em setores considerados monopolizados.

Musk injetou 100 milhões de dólares na SpaceX, o que garantiria a ele o poder acionário da empresa, diferentemente do que havia ocorrido em seus negócios anteriores. Além disso, baseados nas experiências anteriores, garantiu que todas as contratações de funcionários ocorressem de modo a formar uma equipe de elite para a grandiosidade dos projetos que se sucederiam.

Paralelamente à construção da SpaceX, com interesse em financiar algo na área de carros elétricos, Elon Musk passou a ser procurado pelos fundadores da Tesla Motors no ano de 2004. Ao investir 6,5 milhões de dólares, passou a ser o maior acionista e presidente da empresa.

Com o objetivo de aprimorar a autonomia das baterias de íon-lítio e tornar os carros elétricos mais atraentes ao público, a jornada da Tesla passou por altos e baixos, desde as ineficiências de fabricação, problemas na transmissão dos carros, até falhas de programação em veículos semiautônomos que ocasionaram acidentes graves.

No ano de 2008, as empresas passaram por momentos cruciais que definiram se elas iriam à falência ou se prosperariam. Com uma capacidade enorme de ultrapassar os desafios impostos, Elon foi capaz de fechar um contrato com a NASA no valor de 1,6 bilhão de dólares pela SpaceX como pagamento por doze voos para a Estação Espacial Internacional, o que deu uma sobrevida para os negócios.

Em um trecho do livro, Ashlee Vance destaca uma fala de um dos investidores da Tesla e da SpaceX, Gracias: “o ano de 2008 revelou tudo o que precisaria saber sobre o caráter de Musk. Ele viu um homem que chegara aos Estados Unidos sem nada, que perdera um filho, que estava sendo ridicularizado na imprensa por repórteres e pela ex-mulher e ainda prestes a ter o trabalho de sua vida destruído. Segundo ele, ‘Elon tem a capacidade de trabalhar mais e resistir a mais estresse do que qualquer um que conheci’”.

Após aprimoramentos nos lançamentos de foguetes e no processo produtivo, a cultura formatada nos bastidores da SpaceX foi parte essencial para que ela se tornasse, atualmente, a principal empresa privada com contratos de prestação de serviços para a NASA.

As ineficiências nos carros e fábricas da Tesla deixaram de existir e a empresa também passou a ser lucrativa, contrariando o que muitos ditos especialistas afirmavam não ser possível.

Elon possui a capacidade de extrapolar seu pensamento excepcional para impactar outros setores, como o energético, por intermédio da SolarCity (comandada por seus primos), o de transportes, com a empresa Hyperloop, além do campo da Inteligência Artificial, com a Neuralink.

Em 2014, ele anunciou que a Tesla abriria o código-fonte de todas as suas patentes, o que significaria que outras companhias poderiam desenvolver carros elétricos com mais facilidade, o que é benéfico para a humanidade, dando mais liberdade às ideias.

Neste aspecto, é interessante conectar como Elon Musk é um defensor de valores também defendidos pelo Instituto Líderes do Amanhã: liberdade (cria a sua própria realidade), economia de mercado (exerce sua liberdade individual para realizar trocas de valor), responsabilidade individual (se compromete com seus atos) e propriedade privada (respeita o fruto do trabalho).

Considerado por muitos o maior inovador da atualidade, é impossível negligenciar o impacto que Elon Musk tem gerado nas últimas décadas, e como sua construção de legado ultrapassará gerações. Por se tratar de uma biografia em vida, certamente muitos capítulos serão adicionados a essa fantástica história, que pode até continuar em outros planetas – por que não?

*Artigo publicado originalmente no site do Instituto Líderes do Amanhã por Bruno Rigamonti Gomes.

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