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Depois do colapso, a Venezuela está “privatizando tudo!”

O ano é 2007. O país, Venezuela. Hugo Chávez acabou de ser reeleito presidente em um mandato de 6 anos de duração. Entre suas bravatas populistas, está a nacionalização de diversas empresas privatizadas e/ou estrangeiras, começando com a CANTV – do setor midiático.

“Tudo que foi privatizado será nacionalizado”, declarou o coronel, alegando se tratar de um “socialismo do século XXI”, que, na prática, não foi muito diferente das experiências do século passado. Pouco mais de uma década depois de sua posse, os venezuelanos sofrem com a fome, inflação alta e crise energética – para a surpresa de zero pessoas que conhecem minimamente de economia e história.

Agora a Venezuela começa a se mover na direção oposta daquela sugerida por “El Comandante”. Diante do colapso econômico, Nicolás Maduro recentemente começou de maneira bem silenciosa a transferência de ativos do estado de volta para as mãos dos seus antigos donos. Em outras palavras, a Venezuela está “privatizando tudo!”.

“Sobrecarregado com centenas de empresas estatais falidas em uma economia que despenca de um penhasco, o governo venezuelano está abandonando a doutrina socialista ao transferir empresas-chave para investidores privados, oferecendo lucro em troca de uma parcela da receita ou dos produtos”, escreveram as jornalistas Fabiola Zerpa e Nicolle Yapur para a Bloomberg.

Vale aqui abrir parênteses para vocês entenderem o nível de “nacionalização” que a Revolução Bolivariana de Chávez trouxe. No Brasil, costumamos achar que isto ficou restrito apenas à indústria petroquímica, mas não é verdade. Sidor, a maior indústria siderúrgica do país, foi nacionalizada em 2009. Resultado? A produção de aço caiu de 479 mil toneladas em 2007 para zero no ano passado.

Se hoje os venezuelanos passam fome, é bom lembrar que a agricultura também foi afetada pelos desmandos de Chávez. Em 2009, a Cargill teve suas plantações de arroz invadidas pelas tropas do Exército. Motivo alegado? A empresa estaria cobrando preços abusivos.

Sobrou até para o setor de transporte marítimo. A Conferry foi nacionalizada em 2011, sob alegação de que havia muitas reclamações dos consumidores e atrasos nas entregas. “Não mais! Isso é um desastre (…) a segurança no transporte de nosso povo até a ilha de Margarita é muito importante”, disse Chávez ao roubar a empresa de seus antigos donos. Uma reportagem da BBC News Mundo mostrou que atualmente os barcos da companhia encontram-se sucateados e fora de operação.

Houve também nacionalizações em minas de ouro, bancos e, pasmem, até hotéis. Enfim, a lista de desmandos bolivarianos é bem longa e os resultados, conhecidos.

Agora a Venezuela olha para o Consenso de Washington em busca de salvação. Como disse Fábio Giambiagi em seu livro Capitalismo: Modo de Usar: “Podem-se fazer milhares de passeatas contra a austeridade econômica ou o liberalismo, mas isso não vai mudar a forma como que o sistema – gostemos ou não – funciona”.

*Artigo publicado originalmente por Conrado Abreu na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

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