fbpx

Economia de mercado e o álcool em gel, um case prático

Em fevereiro de 2020, o governo brasileiro decretou estado de emergência em saúde pública para prevenir a chegada da Covid-19 ao Brasil. Naquela época vivíamos o caos da desinformação, o sensacionalismo midiático e medo do novo. Vimos o que estava acontecendo na Europa, países de primeiro mundo, e imaginávamos o cenário para os países subdesenvolvidos. De forma a minimizar os impactos, o governo adotou outras medidas que comporiam o pacote de prevenção, sempre visando à saúde e segurança do povo, é claro. Afinal, saúde e segurança são deveres constitucionais e cabe ao Estado garanti-los.

Dentre as primeiras medidas adotadas, estava a orientação de como cada indivíduo poderia ajudar no combate e na prevenção ao novo vírus, e inúmeras campanhas de esfera municipal, estadual e federal foram veiculadas na mídia: lavem as mãos com água e sabão ou utilizem álcool em gel.

Após a divulgação massiva, somada à falta de conhecimento sobre o novo coronavírus e ao sensacionalismo praticado por algumas entidades públicas e meios de comunicação, o resultado foi a corrida desenfreada aos supermercados na busca incessante pelo álcool em gel, cuja praticidade de uso o fez ser a grande arma contra a Covid-19.

O álcool em gel se tornou um case prático sobre a lei da oferta e demanda e nos mostra como a intervenção nos preços pode causar mais danos do que benefícios. De efeito imediato, acompanhamos as notícias de estabelecimentos com estoques zerados, a escassez do produto e o desespero da população. Com o aumento da demanda e a restrição de acesso à matéria-prima, o produto passou a ter aumento no preço, chegando a valer dez vezes o valor habitual. Tal fato foi o estopim para que a intervenção do Estado no controle e na manutenção dos preços iniciasse.

Entretanto, ao fixar o preço de um produto, o que vemos, em primeiro momento, é a tentativa de tornar acessível e não abusiva a sua venda. Todavia, como dizia Frédéric Bastiat, o que não se vê é que a fixação de preços acarreta o desestímulo à livre iniciativa, que se fundamenta pela oportunidade de negócio, com base na lei de oferta e demanda. O desestímulo acarreta o desinteresse pela comercialização do produto, logo a oferta não acompanha a demanda, visto que os preços praticados ficam fora da realidade e os custos de produção não são compensados pelas vendas.

Todavia, sem a intervenção nos preços, muitos empreendedores vislumbraram a oportunidade de produzir e comercializar o álcool em gel, visto que havia uma demanda maior que a oferta. Assim observamos um aumento no número de empresas que passaram a produzir álcool em gel. Dessa forma, com mais fornecedores, a oferta aumenta de forma natural, há estabilização dos preços, em patamares similares aos praticados antes da pandemia.

Em síntese, pela economia de livre mercado, é esperado que os preços se elevem à medida que temos a escassez do produto, porém, de forma natural, automática e voluntária, o mercado se regula, o que leva ao novo ponto de equilíbrio entre a oferta e a procura. Segundo Adam Smith existe uma “mão invisível” por trás de tudo, o que faz com que os preços se ajustem à necessidade do mercado.

Contudo, esse princípio básico de economia e lei dos mercados foge aos olhos da população. De forma natural e com uma política pautada em economia de mercado, os preços se autorregulam, a elevação dos preços acontece pela lei da oferta e não pela gana do lucro pelo lucro. Em um primeiro momento, há uma carência de oferta, que será suprida pela livre e espontânea vontade de empreendedores. Em um segundo momento, a oferta aumenta e a estabilização acontece. Basta observar que hoje a aquisição do álcool em gel não figura mais nas capas dos jornais e o mercado por si só encontrou seu novo ponto de equilíbrio. A liberdade econômica permite que o benefício ocorra por troca voluntária e as necessidades sejam atendidas para ambas as partes.

*Rachel Campagnaro Carminati é associada II do Líderes do Amanhã e membro do comitê de projetos.

Instituto Liberal

Instituto Liberal

O Instituto Liberal é uma instituição sem fins lucrativos voltada para a pesquisa, produção e divulgação de idéias, teorias e conceitos que revelam as vantagens de uma sociedade organizada com base em uma ordem liberal.