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E os Protestos?

Hiago Rebello*

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É difícil, para muitos conservadores e liberais, se explicar quando emitem uma opinião contrária a protestos. A exemplo das massivas manifestações nos meados de 2013, momento que provavelmente foi, para muitos liberais-conservadores, (polêmicas a respeito da possibilidade da existência de um Liberal-Conservador à parte) difícil expressar o motivo de suas discordâncias com tais atos populares.

A dificuldade se encontra em duas constatações:

1 – O povo não tem cultura.

Pode parecer – e na verdade é – um clichê que sai da boca de todo brasileiro, mas faço questão em me aprofundar no assunto, pois quando uso o termo povo, não me refiro a parcela menos instruída da população. Faço referência à maioria dos universitários, dos já formados, mestres e doutores também.

Em um país onde a palavra conservador ou capitalista tem uma carga claramente negativa no meio universitário, não se pode realmente esperar um bom entendimento do conservadorismo ou do capitalismo. O que seria um conservador ou um capitalista? O que se leu de conservadores e capitalistas? Quanto aos primeiros, creio que ignorantes progressistas acreditem que se trata de uma categoria de pessoas que não admitem mudanças – autores conservadores? Jamais! Não conhecem, ou melhor: no máximo assistem alguns vídeos do Olavo de Carvalho no Youtube e tomam áudios de dez minutos como a essência perpétua da obra do Olavo e, pior ainda, do pensamento conservador –, já em relação aos capitalistas, a classe universitária – não todos, claro. Não estou totalizando – acredita que são egoístas, que só visam o lucro e, como vilões de filmes ruins, fomentam a desigualdade social e a opressão. Autores capitalistas? No máximo Locke ou Smith – extrapolando se o universitário tem conhecimento o suficiente para saber qual é a obra de Rand, Hayek, Mises, etc.

2 – As manifestações, em sua revolta, não estão erradas.

Acalmem-se, caros liberais, pois não estou aceitando todos os problemas dos protestos com isso. Trata-se de uma troca injusta e criminosa, por isso o povo – e com isso me refiro a todos os brasileiros indignados – se revolta contra o governo presente.

Quando vão para rua protestar contra a corrupção, falta de consideração com a população, atrasos em obras, ineficiência dos hospitais, da rede de esgotos, etc., não existe nenhum erro, pois apenas se dirigem contra a incompetência e crime. É um negócio muito desvantajoso para a população em geral ter um governo corrupto e ineficiente como o nosso. Se paga impostos – uns dos maiores do mundo – para ter uma boa qualidade de vida, recebe-se uma péssima qualidade em troca. A lógica é simples: os manifestantes não estão errados nesses princípios específicos.

Somam-se os fatores e o resultado é, em momentos de euforia nacional, a incapacidade de compreender o que um sujeito liberal-conservador vê de errado em uma manifestação.

Mesmo com muita razão em seus protestos, o povo se cega em tabus universitários sobre o conservadorismo, a tradição e o capitalismo. O discurso da esquerda molda a cosmovisão em conversas chiques em bares: “direitista ama Pinochet, Mussolini, idolatra o regime militar, quer ver pobres mais pobres e ricos mais ricos”, aquela ladainha básica. O problema das conversas chiques de feministas e socialistas (apenas para exemplificar duas vertentes da esquerda), que podem até mesmo se confrontar em debates a respeito da socialdemocracia ou do socialismo puro como solução para as mazelas do mundo, é que a visão para a solução é a mesma. Do universitário ao sujeito com dois doutorados nas costas, do gerente de loja até a empregada doméstica: a solução deve partir do Estado e deve ter mais Estado para intervir em prol da população[i].

Aparentemente tais movimentos tem tudo para dar errado, mas não é fácil ver isso em euforia. Por um instante parece que temos a chance de resolver todos os problemas da nação! O povo vai ás ruas, protestos em todo país, a população indignada abre a boca e… nada. Mas por que nada?

Motivo simples: nega-se a realidade. A política não pode ter dogmas, pois a sociedade muda, mas a humanidade não. Leia-se a Bíblia ou a Ilíada, passando por Cícero, François de Villion, ou até mesmo todos os registros legais existentes na humanidade, e podemos constatar que o humano não muda. Podem existir culturas com superioridades ou inferioridades em relação a outras, mas no fim o homem é o mesmo. Nós temos virtudes, pecados, vícios, tristezas, prazeres, impulsos, vantagens, problemas… Tudo isso compilado em qualquer homem, em qualquer povo. Acreditar em algum progresso humano em um nível tão profundo é uma tolice sem paralelos, e tal tolice foi evidenciada nas manifestações do ano passado.

Um Estado concentra todo o poder bélico e tem finanças, na teoria, inesgotáveis. Ele cobra imposto de tudo. O que um Estado (ou governo. No Brasil os dois se confundem desde que o PT entrou no poder) tem a perder com alguma ineficiência? Nada. Então nada pode segurar essa constância humana, o erro humano. É difícil perder o cargo e o país jamais entra em falência – salvo raríssimas exceções.

Negou-se uma realidade: um governo não pode ser tão massivo e corrupto, o Estado não pode ter tantos poderes. Qualquer país que tenha uma alta intervenção econômica, muitos impostos e que controla vários setores essenciais – como o dos transportes. O quê? Não? Os governos permitem apenas que X ou Y empresas de ônibus se mantenham. Nunca repararam a falta de concorrência, isto é, a existência de poucas empresas de ônibus em suas cidades? – não tem a possibilidade de gerir corretamente tais responsabilidades. Quem manifestava simplesmente queria dar MAIS poder ao Estado para ele cuidar de algo que já é ineficiente desde antes! Não se pensou nenhuma vez que um governo corrupto seria incapaz de beneficiar quem ele já roubava!

A solução (óbvia) era pedir MENOS Estado nas ruas, ordenar a existência um menor poder do governo e maior liberdade para o próprio povo gerir seus negócios. Por que não diminuir os impostos ou privatizar a produção de petróleo e seu refinamento (algum problema? A Petrobrás esta quase falida, sendo que ela MONOPOLIZA o próprio negócio)? Por que não fomentar o mercado dando mais espaço para investidores estrangeiros respirarem? Por que não facilitar a criação de uma empresa de ônibus, fazendo a concorrência crescer e (somando-se os baixos impostos e a gasolina barata) fazer as passagens terem seus preços diminuídos?

A resposta é simples: porque o pensamento esquerdista inebria a cosmovisão política e econômica do brasileiro.

*Graduando no primeiro semestre em História na UERJ – FFP

[I] Por parte da parcela, não universitária, do povo brasileiro, as origens da dependência do Estado são complexas e profundas. Pode-se fala de uma herança do absolutismo monárquico do Reino de Portugal, mas para tornar as coisas mais fáceis, ouso dizer que os resquícios da Era Vargas ainda são latentes no imaginário político no Brasil.

 

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