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Dilma é Lula é Dilma

RODRIGO CONSTANTINO *

Merval Pereira, em sua coluna de hoje no GLOBO, levanta a hipótese de que a polêmica fala da presidente Dilma, ao dizer em entrevista que o “Volta, Lula” não faz sentido pois Lula nunca saiu, pode não ter sido uma barbeiragem política que atesta sua nulidade, mas sim uma “trucada” naqueles “aliados” que atuam nos bastidores por sua substituição. Diz o jornalista:

Mas, durante o dia, conversando com um e com outro, acabei abrindo uma janela na interpretação para aceitar a possibilidade de que o que considerava uma autêntica “barbeiragem” da presidente pudesse ser na verdade audaciosa manobra: e se em vez de uma frase infeliz a presidente tivesse dado, isso sim, uma “trucada” nos que querem vê-la substituída por Lula na campanha eleitoral de 2014?

Ao explicitar a simbiose com o ex-presidente, Dilma esvazia a principal razão de uma eventual substituição sua por Lula. Ao dizer que Lula sempre esteve no governo, Dilma deixa nas entrelinhas a mensagem de que seus acertos e erros têm que ser divididos com o ex-presidente, o responsável final pela sua candidatura e, sobretudo, o parceiro do que tem sido feito no governo, o avalista de sua candidatura à reeleição.


Eu tendo a concordar com Merval Pereira. Por isso mesmo ainda não tinha escrito nada sobre a entrevista da presidente. À primeira vista, fica parecendo uma confissão desastrada de que ela não passa de uma marionete. Mas uma reflexão um pouco mais profunda mostra que ela pode estar deliberadamente se defendendo daqueles que tentam sabotá-la de dentro do próprio partido.
Na verdade, eu concordo com a presidente Dilma! E isso é muito raro. Não faz sentido clamar pelo retorno de Lula, pois o sucesso ou fracasso da gestão Dilma tem as impressões digitais do ex-presidente em todo lugar. Não vamos esquecer que foi o próprio Lula quem disse, na época das eleições, que ele era Dilma, e Dilma era ele.
Dilma foi importante ministra do governo Lula desde o começo, foi ganhando mais poder no governo, foi escolhida para substitui-lo, e contou com o aval completo do ex-presidente. Não dá para fingir que tudo mudou de uma hora para outra, que ocorreram mudanças radicais. Os erros de Dilma são também os erros de Lula. Ele é responsável por isso.
Não apenas por ter escolhido sua sucessora e garantido seu total apoio a ela, como por ter plantado várias sementes dos problemas atuais. No afã de eleger seu “poste”, Lula turbinou o crédito público e expandiu os gastos do governo. A conta chegou durante o governo Dilma, que ainda enfrenta mudança nos ventos externos. Não seria muito diferente se fosse o próprio Lula no governo.
Talvez um pouco menos de intervencionismo arbitrário, um pouco mais de traquejo político, um pouco menos de arrogância na gestão econômica. Mas boa parte dos problemas atuais de nossa economia estaria presente ainda. Estamos falando de uma gestão petista, não apenas de Lula ou Dilma. Estamos lidando com o lulopetismo e o desenvolvimentismo da equipe econômica, lembrando que Guido Mantega foi colocado lá pelo próprio Lula.
Portanto, a “trucada” de Dilma faz todo sentido: não adianta tentarem separá-la de Lula. Dilma é Lula é Dilma. São ambos ligados de forma simbiótica um no outro. O resultado do governo Dilma é responsabilidade direta de Lula, como ele mesmo afirmou.
* PRESIDENTE DO INSTITUTO LIBERAL
Instituto Liberal

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O Instituto Liberal é uma instituição sem fins lucrativos voltada para a pesquisa, produção e divulgação de idéias, teorias e conceitos que revelam as vantagens de uma sociedade organizada com base em uma ordem liberal.