Deu errado porque não havia como dar certo

 

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“Leilão, leilão é privatização, o petróleo é nosso e não abrimos mão!” (refrão cantado pelo Sindicato dos Petroleiros, ontem, em manifestação contra o leilão da ANP)

Com a presença dos revoltados de sempre, a ANP realizou ontem, no Rio de Janeiro, mais uma rodada de leilões para concessão de exploração de petróleo e gás em terras e mares tupiniquins.  Um fiasco total.  Dos 266 blocos ofertados, apenas 37 foram arrematados, a maioria por empresas sem qualquer tradição no mercado de óleo e gás.  Das grandes, apenas Petrobras, Total e Shell compareceram, mas não fizeram qualquer oferta.

Isso não impediu que Sindicatos de petroleiros estampassem cartazes contra o “entreguismo”, digo, contra a realização dos leilões.  Segundo eles, “Muito dinheiro foi investido pela Petrobrás nessas áreas, para depois serem ofertadas a estrangeiros e brasileiros representantes de consórcios privados, que compram aquilo que chamamos de “a venda do bilhete premiado”. Riquezas que serviriam para financiar a qualidade de vida das próximas gerações de brasileiros são entregues de “mãos beijadas”. (engraçado, não vi um só petroleiro acusando Lula de entreguista, depois que ele confessou ter entregado as refinarias da Petrobras, na Bolívia, de mão beijada a Evo Morales).

Pelo visto, o grande capital multinacional perdeu o interesse em colocar a mão em nossos tesouros – o que me faz pensar que já não se fazem mais imperialistas como antigamente!

Nem mesmo a Petrobras, considerada a grande locomotiva dos leilões, no passado, mas proibida pela realidade atual de queimar recursos em aventuras deficitárias, se interessou pelos campos ofertados, deixando no ar a impressão de que, nos atuais níveis de preço, a extração de petróleo no pré-sal seria antieconômica, algo até então negado com veemência, seja pelo governo ou por dirigentes da estatal, embora sem jamais apresentar as planilhas de custo de produção, uma verdadeira caixa-preta.

A presidente da ANP, Magda Chambriard, disse não saber explicar o que deu errado.  “Vamos voltar para casa e analisar com cuidado”, disse ela.  Pois eu sugiro que comece a análise a partir do modelo anacrônico de concessão utilizado pela agência, sem esquecer de repensar a famigerada legislação de conteúdo nacional obrigatório.  Quem sabe, com menos ideologia e mais profissionalismo ainda se consiga tirar algum proveito das nossas reservas, antes que as novas tecnologias e novas matrizes energéticas as tornem completamente imprestáveis.

 

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.

2 comentários em “Deu errado porque não havia como dar certo

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    08/10/2015 em 3:53 pm
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    Patético. Os caras ainda estão nessa de “o petróleo é nosso”. Coisa do século passado. É triste…

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    08/10/2015 em 2:20 pm
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    Na mosca.

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