Descentralizar o Brasil é fundamental

por LUCAS MUZITANO*
descentralizarO Brasil vive numa crise de valores tão aguda que permite inclusive a corrosão da credibilidade dos nossos melhores profissionais. A desconfiança generalizada no próximo, originada muito talvez pela forte oratória relativizadora dos supostos intelectuais, posterga ainda mais o desenvolvimento da sensatez pública, e, com isso, atrasa o restabelecimento de nossa produtividade e competitividade acumuladamente. Como as Instituições podem trabalhar sob alta pressão se boa parte dos seus membros se encontra comprometida?
Já faz parte da cultura brasileira exigir melhor qualidade e expansão de serviços públicos aos governantes, responsabilizando-os demais por setores fundamentais para o desenvolvimento da nossa sociedade. A gestão da educação e saúde, por exemplo, se encontra bastante centralizada graças à crescente federalização dos seus respectivos sistemas, elevando drasticamente os gastos governamentais e proporcionando resultados usualmente piores que aqueles da iniciativa privada. Desconsiderando a exagerada burocratização das Instituições públicas, podemos inferir que esse fenômeno ocorre por diversas razões, como a natural concentração de renda progressista aos beneficiados políticos, a tendenciosa distorção da credibilidade e diminuição da produção nacional, a enorme queda da concorrência microeconômica que não faz suprir a demanda da população e o significativo privilégio de ofertas a moradores de grandes centros urbanos. Afinal, um político prometer mais do que pode conceder significa um verdadeiro “tiro no pé”; cedo ou tarde a economia ataca com a crescente inflação da moeda, aumento dos custos de operação junto à insatisfação popular e a consequente oligarquia corporativa, como vem acontecendo há décadas no Brasil – justificando a necessidade de um radical ajuste fiscal no intuito de corrigir os déficits orçamentários para se evitar uma crise econômica nos anos posteriores, o que não está sendo feito muito por incompetência política.
Reduzir o tamanho do Estado parece ser bastante plausível para os liberais, mas, infelizmente, essa ideia só toma força em momentos de recessão ou crise econômica (política) e ainda se mostra chocante para os menos informados que puxaram os efeitos negativos rumo ao limite. Em contrapartida, quem acompanha notícias de variadas fontes consegue perceber que há uma brusca falta de mão de obra qualificada e especializada no Brasil, o que compromete o surgimento de bons serviços ou produtos acessíveis em todo o território nacional. Ironicamente, a maioria dos trabalhadores e estudantes procura prestar concursos públicos por pagarem bem e garantirem uma estabilidade insustentável. Sem o mínimo respeito à meritocracia, cobrar dos políticos eficácia e honestidade até parece hipocrisia. Criamos gerações de concurseiros que realmente não se importam em trabalhar direito, mas não podemos generalizar opiniões, somente a pobreza, certo?
A descentralização das gestões governamentais obriga indiretamente a redução do Estado, valorizando cada vez mais os municípios de maneira que se aumentasse a participação da iniciativa privada dentro e fora deles com o objetivo de satisfazer as necessidades da população, ou melhor, dos clientes. É muito mais cômodo entender ou conquistar um grupo muito bem delimitado, cujas demandas são próprias, a tentar agradar um país continental, ou seja, cada localidade irá se desenvolver do jeito que bem entender contando com, no máximo, a sinalização da melhor direção pelos seus representantes democraticamente eleitos. Esse modelo simplista inspirado em Downsizing é plenamente capaz de gerar mais empreendimentos do tamanho que eles mereçam possuir, apontando sua rápida expansão que certifica o aumento da competitividade, produção, geração e distribuição de renda/emprego a longo prazo, e principalmente, do consumo. A liberdade necessita de independência de todos os indivíduos sem relevantes barreiras estatais como a massiva carga tributária brasileira, que não traz um bom retorno de serviço a quase ninguém. Os direitos devem ser bem compreendidos, elaborados, exercidos e intocáveis por quaisquer grupos ideológicos minoritários.
O populismo notoriamente é o oposto disso por conta de tantas intervenções hipoteticamente necessárias do Estado na economia. A população se acostuma a isso silenciosamente por causa da impotência financeiro-racional ou simples submissão à bondosa vontade de seus representantes ineficientes que lhe concedem bolsas insuficientes. Em condições livres da mão invisível, a maior concorrência estimulada pela valorização de bens e serviços reverteria o quadro prontamente, e, por fim, produziria riqueza a cada vez mais gente como o capitalismo naturalmente faz. Essa foi a receita de sucesso que praticamente todos os países que conhecemos como desenvolvidos adotaram: garantir um bom índice de Liberdade Econômica por extensas temporadas. E então o sensacionalismo do Estado de bem-estar social ataca para reverter a opinião pública e “acabar com a festa”.
A esquerda, seja antiga ou progressista, tenta conspirar contra o sistema no objetivo de instaurar o “socialismo de verdade”, adaptando um sistema econômico fadado ao fracasso em todos os quesitos ao século XXI e apropriando valores inclusive democráticos para tal. A manipulação da moral exercida pelos seus melhores oradores e seguidores de Gramsci se utiliza de antigas estratégias de domínio social –  como o clássico “dividir para reinar” -, conseguindo apontar falhas aparentes do Capitalismo e culpando os seus opositores por elas, cobrando, ironicamente, mais Estado em manifestações e propagandas eleitorais. Com o monopólio da moral dos intelectuais em campos estratégicos como as Universidades e no Jornalismo, uma bela estratégia de partidos políticos, fica fácil relativizar a moral da nação através da falsa razão a um ponto em que cada um cria a sua própria ética. Eles possibilitaram a vinda da atual crise de valores no Brasil. Seus maiores anciões defendem determinadas ideias num tom de nostalgia, ingenuidade ou pura ignorância; a última boa piada foi afirmar que impeachment é golpe e que a direita avança sobre o povo a cada crise econômica e com as privatizações necessárias. Quantos inocentes úteis ainda serão enganados por essa gente? Será que devemos descentralizar as ideologias da população para que o fascismo/comunismo não se instaure de vez no Brasil?
A democracia se fortalece na base do diálogo coerente, porém as ideologias cegaram a população brasileira de tal maneira que fica quase impossível confiar no próximo. A queda da reputação e da qualidade das nossas Instituições favorece a descentralização necessária do Brasil; muitas delas foram inchadas pelas políticas keynesianistas e precisam se curar ou, até mesmo, deixar de existir. Para o Brasil voltar a crescer, os ambientes internos da política, economia, e, principalmente, do social devem se estabilizar para que possamos averiguar os erros com humildade e nunca mais repetí-los. Afinal, concentrar o poder, a gestão, as ideias e atividades afins está longe de ser a solução que o povo merece.
*Lucas Muzitano é carioca, estudante de Administração de Empresas e dono do Blog d’ Muzi. Jovem, é de Centro-direita liberal e já trabalhou em cinco empresas líderes de mercado a fim de sempre se aprimorar profissionalmente. Empenhado em compreender a sociedade contemporânea e debatê-la, busca descobrir a índole de cada fenômeno socioeconômico e político.
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