Culpando as vítimas

Nos arquivos do YouTube há centenas de vídeos atacando quase todas as religiões, crenças ou ideologias, mas nem por isso vemos por aí fanáticos cristãos, judeus, budistas ou hindus pegando em armas para vingar-se dos “hereges”. Rapidamente, me vêm à mente a impagável comédia “A Vida de Brian”, do grupo inglês Monty Python, e o não menos controverso “Je Vous Salue Marie”, de Jean-Luc Godard, ambos considerados heréticos por cristãos, mas nem por isso motivo de censura ou ações policiais contra seus produtores.

Como muito bem disse Ayaan Hirsi Ali – ela mesma uma vítima do fanatismo islâmico –, em discurso por ocasião do “affair” das caricaturas do Profeta Maomé, publicadas num jornal dinamarquês, “Eu não procuro ofender os sentimentos religiosos, mas não posso me submeter à tirania. Exigir que os homens e as mulheres que não aceitam os ensinamentos do Profeta se abstenham de desenhar não é um pedido de respeito, é um pedido de submissão.”

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Submissão.  É exatamente isso que os terroristas pretendem com ações criminosas como a de hoje, em Paris.  E aqui está talvez o principal problema, que vai muito além da questão de princípio e mostra como a postura pusilânime de alguns comentaristas e jornalistas Ocidentais, como a desta professora da USP, em entrevista à Globo News, praticamente culpando o jornal francês Charlie Hebbo, pelos atentados – sem que os jornalistas presentes esboçassem qualquer tipo de reação ou revolta – é parte do jogo que os terroristas querem jogar.

Quem quer que conheça um pouco sobre a natureza humana sabe que um comportamento recompensado tende a repetir-se. Se os assassinatos levarem a mídia ocidental a evitar a exposição de expressões artísticas ou culturais que os muçulmanos consideram ofensivas, o que os extremistas iriam pensar? Será que se dariam por satisfeitos ou tentariam obter “trocas” ainda mais favoráveis?

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Chega a ser patético acreditar que ceder à chantagem de um bando de fanáticos saciaria a sua sede de terror. Será que a professora Arlene Clemesha realmente acredita que, cedendo aos caprichos dos fanáticos e culpando suas vítimas, o Ocidente estaria livre da matança de inocentes? Será que não lhe passa pela cabeça que os fanáticos sentir-se-ão fortalecidos para almejar vitórias ainda mais retumbantes no futuro?  Será que é tão difícil entender que, quanto mais o Ocidente se mostrar disposto a ceder agora, mais responsável se tornará, aos olhos dos fanáticos, por outras “blasfêmias” no futuro?

Por tudo isso, o mais seguro é que todas as sociedades abertas sigam o exemplo dos franceses e outros povos europeus que, imediatamente, saíram às ruas para deixar bem claro que a liberdade de expressão é inegociável, e que lá não se transige sobre princípios elementares, ainda que os fanáticos optem por responder com mais assassinatos. Governos comprometidos com a liberdade também deveriam mandar mensagens inequívocas, dizendo aos terroristas que eles não vão conseguir o que desejam matando inocentes. Não é uma mensagem totalmente sem riscos, claro, mas é sem dúvida muito melhor do que culpar as vítimas.

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João Luiz Mauad

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.

13 comentários em “Culpando as vítimas

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    12/01/2015 em 8:02 pm
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    Só um detalhe nesse debate:

    Mauad apresentou DOIS exemplos contrapondo a ideia de que a vitima tem culpa na agressão.
    CURIOSAMENTE Ronald ateve-se a contrapór unicamente ao exemplo da moça vestida provocantemente.

    É fácil perceber que Ronald não quer um debate honesto. Pois vislumbrando argumento – que não se pode garantir procedente – contra o estupro provocado, OMITIU-SE em contrapor ao caso do jogador que aplica humilhantes dribles no adversário. Embora até pudesse repeti-lo, já que faltas são feitas contra quem não esta driblando.

    Porém, e quanto a vítima de um assalto????
    Um sujeito não poderá ter um belo tênis ou um belo carrão, tão pouco um celular chamativo ou jóias e menos ainda uma bela residência.

    …É exatamente esta a ideia socialista à lá Rousseau: o criminoso só é criminoso porque desigual!!! …contudo, se não é comum o assalto contra mendigos, É BASTANTE COMUM BEM NASCIDOS ASSALTAREM E PRATICAREM ESTELIONATOS.
    …Mas aí, Ronaldicamente, os espertinhos se omitem onde não podem argumentar.

    É a conversa fiada da escolaridade, da pobreza ou da desigualdade como motivadores de crimes. É uma desavergonhada falácia.

    Em 1940/50/60… os pobres não tinham geladeira – artigo de primeira necessicdade – TVs menos ainda. E a escolaridade? …essa então nem se fala.

    Contudo, contrariando a falácia destes salafrários socialistas que tentam de toda forma reivindicar Poderes totalitários para o Estado com base em FALÁCIAS, em tais décadas o BANDIDO sentia-se ENVERGONHADO de sua imoralidade. Roubar, matar, estuprar e etc. era COMPORTAMENTO DEPRECIATIVO do indivíduo. DAÍ a menor quantidade de crimes praticasdos por pobres ou ricos, sobretudo pelos ricos que além da vergonha as PENAS lhes seriam mais dolorosas que para um pobre.

    Foi exatamente o APOIO MORAL concedido à FACÍNORAS e BANDIDOS, sob a FALACIA das motivações criminosas e o sincretismo ideológico sentimentalóide, os grandes fomentadores da CRIMINALIDADE.
    Afinal, através das ideologias sentimentalóides os bandidos viram-se MORALMENTE AMPARADOS em seus crimes. Já que tais ideologioas justificam a COBIÇA, enobrecem a INVEJA e reivindicam a TOLERÂNCIA ao BANDITISMO, protegendo o bandido contra revides e depreciação moral.

    …isso é uma estratégia para o Poder totalitário do Estado na guerra contra a sociedade que almeja SUBMETER COMPLETAMENTE, explorando-a e tiranizando-a aos caprichos da hierarquia estatal.

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      13/01/2015 em 6:20 pm
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      Hahahaha… Cara, que confusão!
      Socialista, não. Não dá! Eu sou pró livre-mercado. Aliás, sou microempreendedor.
      Nem sei o porquê desse “debate” ter se alongado tanto. Mas vamos lá.
      Meu intuito nunca foi de contrapor a ideia de que a culpa era dos terroristas, apesar de citar que os editores tinham sim uma parcela de culpa pela imprudência, ou excesso de confiança, chame como quiser. Meu objetivo foi apenas dizer que a total liberdade não existe, nem há precedentes em nenhuma sociedade. Essa tal liberdade, livre de retaliações, só existe no papel – quase utópica. Creio que o problema não é nem a sociedade, a religião, etc, o problema é o próprio homem, cheio de suas paixões e devaneios.
      O que eu quis dizer, e que foi mal interpretado, ou mal expressado (diga a você mesmo), é que nós ainda estamos longe de um mundo ideal – dezenas de milhares de anos de civilização não foram suficientes para apagar os instintos mais primitivos dos humanos. Tanto que deu no que deu.
      O problema é que chega a ser ingenuidade esperar que as pessoas de culturas tão diversas levassem isso numa boa – não dá pra esperar uma charge provocativa do ícone cristão seguida de risadas escritas como resposta as charges de Maomé; não, eles não iam fazer isso e creio que todos tenham consciência disso. O histórico de ataques terroristas provocados pelos radicais islâmicos já deixa explícito o que iria ocorrer.
      Outra: Quanto ao exemplos citados por Mauad, não foi por desonestidade intelectual. Eu só respondi à uma analogia, justamente porque a outra já ilustra o que quis dizer: que as pessoas podem agir impulsivamente por uma “ofensa”, e não há lei/acordo/tratado/ou possível punição que iniba um comportamento agressivo. No caso do futebol, mostra que mesmo pessoas de culturas tão parecidas já provocam males aos seus semelhantes, quiçá islâmicos contra ateus/Orientais contra Ocidentais.
      Aliás, posso até estar errado, mas creio que o exemplo que você citou, também não ilustra bem o que ocorreu (a propósito, não me leve à mal, não quero pagar de expert em analogias, mas creio que elas moldam o modo como nós enxergamos as coisas). Veja bem, o que aconteceu foi uma publicação, seguida de diversas ameaças diretas de morte feita pelos islâmicos. Então, me corrija se for o caso, mas a situação é como um sequestro onde a vítima começa a gritar e não para, mesmo sob ameaças; e ela continua gritando pelo simples direito de gritar, expresso na Constituição de seu país.
      Enfim, perdão pela confusão.
      Estou sempre aberto à constestação e ao debate.
      Abraços.

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        14/01/2015 em 8:34 am
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        Vixe! …por essa sua idéia os policiais têem culpa por serem assassinados por bandidos. Afinal eles insistem em prender os bandidos que não querem ser presos.

        Ou seja, se os bandidos ameaçarem continuar incendiando ônibus e matando policiais caso estes insistam em prender seus líderes, então os policiais têm uma parcela de culpa nisso.

        Afinal, segundo você, Ronald, dado que bandidos não são respeitáveis o fato de enfrenta-los e não ceder a eles de certa forma os justifica.
        Segundo sua opinião os jornais não devem enfrentar os maníacos que os censuram, sob pena de serem culpados do próprio infortúnio imposto pelos maniacos (é, você recomenda que não se deva enfrentar os “selvagens”, sob pena de dividir a responsabilidade com eles)
        .
        É absurdo no úrtimu tamanha aberração. Dizer que com base na incivilidade humana não se deve reagir ou enfrentar ameaças dos “barabaros”.
        Ronald, você nega os direitos simplesmente alegando que não faz sentido exerce-los se tal for motivo de agressão. É uma ODE à COVARDIA!!! …e a responsabilização da vítima sobre seu próprio infortunio.
        Deus do céu!!!
        …se bandidos ameaçarem com mais violência caso sejam combatidos, você Ronald, recomenda que não mais se enfrente os bandidos sob pena de dividir com eles a responsabilidade dos crimes. PQP! PQP! e PQP!!!

        • Avatar
          14/01/2015 em 12:56 pm
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          Você criticou as ideias socialistas, mas é tão chato quanto um! Rsrsrs… Brincadeiras à parte, aqui vai meu ÚLTIMO comentário. Sim, foi bom tecer comentários sobre o tema. Gosto disso. Mas já ficou chato.

          Perdão, mas em um outro comentário você disse que eu não queria um debate limpo, mas você tem sido bastante tendencioso em suas colocações. Vejamos: Em momento algum eu sequer citei a palavra polícia (pessoal treinado para prevenir e responder de prontidão à situações calamitosas), mas sim vítimas, sim, vítimas (pessoas que possívelmente estão desarmadas, não possuem um treinamento específico e que provavelmente estão psicologicamente abaladas – portanto, despreparadas). É como no caso Charlie, onde são lápis contra metralhadoras. Lógicamente, em um abismo de vantagens. Ainda mais se levarmos em consideração a proibição do porte de arma de uso pessoal nesses países, onde a polícia possui o quase monopólio delas.
          Outra: Disse e friso novamente, a questão aqui não é quem é o culpado.
          Então, responda você mesmo, nessas situações expostas acima, você “reagiria”, por alguns momentos a mais de “liberdade”?
          Veja o exemplo citado nesse mesmo site, sobre autocensura, onde um jornal dinamarquês expôs seu motivo pela autocensura. Como disse Mauad, sim, a violência funciona.
          Enquanto houver pessoas desarmadas e outras BEM armadas, haverá submissão sim.

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            14/01/2015 em 1:33 pm
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            QUEM TEM POR HABITO USAR A FORÇA PARA CONSEGUIR O QUE QUER, TEM POR HABITO QUERER SEMPRE MAIS!!!

            Então eu pergunto a você, Ronald:
            A reação da vítima é um atenuante para o crime de latrocinio?

            Você se opôs à desobediência aos violentos, sob alegação de que aqueles que confrontam os violentos dividem a culpa ou responsabilidade com os violentos.

            Isso é o que você disse e não há como negar.
            Você atribuiu responsabilidade, culpa mesmo, às vitimas por seu próprio infortúnio ao NÃO SE SUBMETEREM à vontade ou determinações dos violentos. Algo como recomendar que não se contrarie os violentos e muito menos se os provoque. De modo que este comportamento atribui culpa à vítima.

            Isso foi o que você disse.

            Quanto a você falar de treinamento policial, acho que realmente sua capacidade de entender o que lê não diferere qaquela de entender o que escreve.

            A questão é a sua alegação, Ronald, de que contrariar ou provocar os violentos não deve ser algo julgado pela ideia do direito, mas meramente tal confrontação atribui às vitimas uma parcela da responsabilidade. Isso nada tem a ver com se são ou não policiais treinados ou não. Ademais, o ataque de bandidos a ônibus, por exemplo, em represália a ações policiais, pela sua tolice, é decorrente da ação da polícia que confronta os bandidos e nessa sua pífia alegação esta possui um tanto de responsabilidade por não se curvar ao banditismo.
            Ou seja, a questão é sua ideia que, de acaba minorando a culpa e aresponsabilidade dos facinoras.
            Aliás, quem acompanha o noticiario certamente já viu reportagem onde o bandido, tal como você, alega que a culpa é da vítima por ter esta reagido. Há advogados que usam esse argumento como atenuante para o latrocinio.

            Então eu pergunto a você, Ronald:
            A reação da vítima é um atenuante para o crime de latrocinio?

            Você esta inclusive aplaudindo a autocensura do jornal dinamarques. Como se esta fosse a atitude correta.
            Ora, sendo assim, os violentos dominariam o mundo, pois o certo seria jamais enfrenta-los, contraria-los ou provoca-los a fim de evitar que causassem vitimas.

            A questão é o ataque dos violentos sob o argumento de terem sido desobedecidos, “ofendidos” ou confrontados. Nisso, Ronald, você atribui responsabilidade a quem os desobedece, ofende ou confronta. Ser são as vitimas ou não que o fazem não implica no que você defendeu. Você defende a SUBMISSÃO como o correto a ser feito.

            Eu digo que é bom refletir sobre:

            QUEM TEM POR HABITO USAR A FORÇA PARA CONSEGUIR O QUE QUER, TEM POR HABITO QUERER SEMPRE MAIS!!!

            Que se pense bem nisso!

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    08/01/2015 em 2:54 pm
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    Acho que a França, e a Europa em geral, paga pelo seu “politicamente correto”. Para não parecerem preconceituosos, não só recebem essas pessoas perigosas em seus territórios,como também cedem (a meu ver) a seus caprichos.
    Normalmente muçulmanos, sejam radicais ou não, querem mudar o modo como as pessoas vivem.
    O recente ataque terrorista a Austrália (que apesar de não ser um país europeu possui uma cultura bastante europeia) mostra bem isso. Logo após o ataque várias pessoas na internet se uniram para mostrar seu apoio aos muçulmanos.
    E a Alemanha? O que dizer de todas as manifestações de repúdio ao protesto contra a islamização no país?
    Alguns bairros e até cidades da Inglaterra estão totalmente tomados, a sharia já foi implantada. E há até casos de ingleses que sofrem agressões quando passam por esses lugares.
    Acho que se continuarem assim, terão muito do que reclamar no futuro.

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      10/01/2015 em 11:45 pm
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      (Acho que a França, e a Europa em geral, paga pelo seu “politicamente correto”)
      Nada justifica a barbárie, mas, politicamente correto era tudo que Charlie Hebdo não era.

  • Avatar
    08/01/2015 em 10:30 am
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    Caros amigos do Inst. Liberal,

    Gostei muito do artigo, ele me foi esclarecedor, mas ainda tenho dúvidas!!

    Existe algum limite entre liberdade de expressão e intolerância? Entre expressão e agressão?

    • João Luiz Mauad
      08/01/2015 em 12:16 pm
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      Caro Maykson,

      Segundo o velho brocado liberal, o limite da liberdade deveria ser somente a ameaça à vida, à liberdade ou à propriedade dos demais. Assim, você não tem o direito de, por exemplo, gritar “fogo!” num ambiente fechado e repleto de gente, caso, evidentemente, não haja fogo algum, pois isso poderia causar uma tragédia desnecessária. A incitação aos crimes contra vida e patrimônio alheios, como realizada, por exemplo, por MST, MTST et caterva, também deveria ser coibida com rigor.

      Segundo a visão liberal, entretanto, não existe um direito de não ser ofendido, como querem os Islamitas. Já os episódios de calúnia e injúria só devem ser considerados lesivos desde que comprovado algum dano material proveniente disso. Porém, mesmo nesses casos, a censura é rechaçada. Eles devem ser analisados, a posteriori, pela justiça, a requerimento dos supostos prejudicados.

      • Avatar
        10/01/2015 em 11:25 pm
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        Levando por essa ótica, as charges possuem SIM, limites.
        Afinal, a primeira publicação feita no Charlie, na qual fomentou o ódio dos islâmicos, foi há algum tempo e desde lá eles vem sendo avisados sobre possíveis atentados contra suas vidas. Mesmo assim, as publicações continuaram.
        No caso Charlie, os editores não ameaçaram a integridade dos mulçumanos, mas continuaram no erro de ignorar e esperar sensatez de atitude dos tais, ou que tudo não passasse simplesmente de ameaças, desse modo, pondo suas vidas deles em risco.
        Eu, portanto, concordo com a afirmação de que a liberdade tem, e é bom que tenha um limite. Não se pode confundir liberdade com libertinagem.
        Não, não vou dizer que a culpa pelo atentado foi dos editores. Longe de mim. Mas eles possuem sim, sua parcela de culpa pela imprudência cometida e o excesso de confiança em um ideal que nem todo mundo respeita, ou sequer reconhece, que é a democracia e a liberdade de expressão. Só o fato de comparar o Ocidente com o Oriente já é um absurdo.
        O maior erro das pessoas é esperar que todos, em qualquer cultura, responda às mesma situações de forma igual. No caso do atentado, o erro é quase dobrado em esperar atitudes sensatas de um povo que já apresenta um histórico, digamos, não muito bom de tolerância e que não está acostumado à um estado democrático de direito, mas sim de sua bárbara Teocracia. Afinal, não dá pra esperar compaixão de um povo que cria exércitos capazes de se auto-detonarem em favor de uma ideia. Não, isso é não é muito próximo do que eu chamaria de prudência.
        Os islâmicos tinham as armas, mas o gatilho foi puxado pelos franceses.

        • João Luiz Mauad
          10/01/2015 em 11:55 pm
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          Caro Ronald,

          Pela sua ótica, é correto dizer então que a garota de mini-saia e decote provocante é culpada pelo próprio estupro, pois provocou os instintos sexuais de estupradores em potencial que existem por aí? Ou que o jogador de futebol que aplica um drible desconcertante é culpado pela própria perna quebrada, resultado de uma entrada violenta de um adversário “ofendido”? Esse tipo de raciocínio é tudo que os fanáticos esperam de nós.

          • Avatar
            11/01/2015 em 2:11 am
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            João.
            Creio que o exemplo da indumentária ser a causa de um estupro, não serve como comparativo para a situação. Veja bem, eu acredito que sim, a culpa/intenção de um estupro é do estuprador (e que a causa do atentado é do terrorista), e que a roupa da mulher é um “detalhe”. Até porquê, se assim fosse, não existiriam estupros nos países islâmicos, onde as mulheres andam padronizadamente cobertas dos pés à cabeça. E nós sabemos que as coisas não são bem assim.
            O que eu quis dizer é que que nós ainda estamos muito longe de um mundo ideal, onde as pessoas, todas elas, são muito pacientes, e tem um profundo respeito pelo bem maior que é a vida. Essa hemogeneidade não existe. Como também não existe liberdade dissociada de responsabilidade. As pessoas, todas elas, veem as coisas de um jeito diferente, e tem reações diferentes, desde o simples ignorar ao assassinato. Vide exemplo de uma traição ou o roubo de um objeto.
            Meu questionamento principal foi: Poderia ter sido evitado (se a razão dos ataques foi tão somente as charges pejorativas à Maomé)? No caso do estupro não, estando nua ou coberta dos pés à cabeça, creio que a chance de um estuprador atacar uma mulher continua sendo a mesma.
            Também não estou dizendo que os terrorista (sim, eles são terroristas, independente do ideal que pregam) não mereçam ser punidos. Sim, devem ser punidos, e foram (mortos) – o que pra eles não é algo muito penoso, vide homens-bomba – mas lógico, a punição não irá desafazer o que já foi feito.
            Se não me falha a memória, ontem ou hoje mesmo, alguns do sobreviventes haviam dito que não iriam se abater e que continuariam produzindo o conteúdo e charges envolvendo o Islã. É uma pena dizer, mas os ataques, cedo ou tarde tornarão a acontecer…

          • João Luiz Mauad
            11/01/2015 em 1:55 pm
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            Que poderia ter sido evitado, não há dúvida. Um atropelamento também pode ser evitado, desde que a vítima evite sair de casa ou atravessar a rua. Não é esta a questão aqui. O problema é que a postura proposta por você (a autocensura) é tudo que os terroristas desejam. A atitude – a meu juízo correta – de continuar produzindo as charges pode não ser a mais segura, mas certamente é a que se enquadra melhor na luta pela liberdade. Aliás, a covardia é tudo que a tirania espera de suas vítimas. Ou, como diria Benjamim Franklin, “aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança”.

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