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Cuba é uma ditadura que usa o terror e a propaganda para reprimir seu povo

Não interessa quais piruetas argumentativas o seu professor de História ou seu amigo do DA da FFLeCH-USP utilizam: Cuba é uma ditadura que usa o terror e a propaganda para reprimir seu povo. Ela trata mal os seus cidadãos, priva-os dos direitos humanos mais básicos, silencia-os e confronta famílias usando extorsão e ameaças. As práticas constantes de detenção ilegal do regime, a ruína pessoal de dissidentes políticos e a limitação dos direitos fundamentais não têm nada a ver com qualquer bloqueio ou embargo, mas tudo a ver com a ditadura comunista totalitária.

Aqueles que “passam pano” para o regime cubano costumam colocar a culpa do seu fracasso no “embargo econômico” e usam a “excelente saúde cubana” como justificativa para apoiar os socialistas da ilha. Bem, neste texto, vamos destruir esses dois mitos.

Primeiro vamos de encontro à saúde cubana e vou usar como fonte um excelente artigo publicado por Franco Lopéz da Fundación Internacional Bases. A verdade é que Cuba já estava conseguindo bons números em relação à saúde mesmo antes da revolução. A expectativa de vida ao nascer na ilha em 1958 era de 64 anos — somente Argentina (65) e Uruguai (68) estavam melhores que os cubanos em 1958 na América Latina. Sua taxa de mortalidade infantil era de 39 para cada 1.000 nascidos, a menor do subcontinente. Para critério de comparação, na Argentina, eram 60, México, 94; e o Chile tinha uma das piores: 118.

Ainda sobre a saúde, em Cuba não há um “Sistema Único de Saúde”, mas sim três. O Dr. Suchlicki, da Miami University, explica haver o atendimento médico dos turistas, dos líderes do Partido Comunista e da população em geral. O turismo médico é uma importante fonte de divisas dos cubanos (no Brasil, isso é bastante comum para cirurgias plásticas, mas não é o assunto no momento). Tais estrangeiros não são tratados sem custos, mas sim em dólares, o que proporciona um oxigênio ao regime. As elites cubanas, apesar de não pagarem, também recebem atendimento médico de primeira linha.

Por último, existe o verdadeiro sistema cubano, aquele que as pessoas comuns devem usar. De acordo com Franco Lopéz, o testemunho e a documentação sobre o assunto são vastos: hospitais e clínicas estão caindo aos pedaços, as condições são tão pouco higiênicas que os pacientes podem ficar melhores em casa, seja qual for a casa. Se tiverem que ir ao hospital, devem trazer seus próprios lençóis, sabonetes, toalhas, comida, lâmpadas e até papel higiênico. Da mesma forma, os medicamentos básicos são escassos.

Sobre o embargo, basta olhar os dados para ver que essa falácia não se sustenta. Segundo o Banco Mundial, Cuba comercializou 27% do seu PIB em 2020, algo bem próximo do Brasil, que foi de 32%. Nenhum de nós realmente acredita que o Brasil está sofrendo embargo econômico, né? Vale ressaltar que o comércio de Cuba com o mundo caiu muito com o fim do bloco comunista no início dos anos 90. Em 1990, 71% do PIB de Cuba era comercializado e, em 1992, estava em 35%. Porém, em 2011, já estava próximo aos 50%.

De acordo com Daniel Lacalle, os Estados Unidos são o nono maior parceiro comercial de Cuba, com 3% das importações. Cuba tem mais de 27 tratados bilaterais com mais de 90 países e exporta para Canadá (22%), China (21%), Venezuela (13%), Espanha (11%), Holanda (7%), Alemanha, Bélgica, Suíça, Chipre (2% cada) e França (1%), entre outros. As exportações de alimentos e produtos agrícolas dos Estados Unidos para Cuba aumentaram 74,7% em março de 2021, um aumento de 54,3% anualizado.

O que a esquerda esconde sobre o embargo é que ele foi implementado em 1958 com o regime de Batista para limitar a venda de armas. O embargo de 1960 às exportações dos Estados Unidos para Cuba não incluía alimentos ou medicamentos. Desde 2000, não houve nenhum tipo de bloqueio às exportações dos Estados Unidos, nem de alimentos, nem de medicamentos. Conforme a US-Cuba Trade and Economic Council, Inc , mais de 90 multinacionais norte-americanas exportaram para Cuba desde 2001. Desde 2014, sessenta empresas norte-americanas operam diretamente em Cuba.

O Departamento de Estado dos EUA nos dá números bastante interessantes sobre as relações comerciais entre os caribenhos e os americanos. Em 2020, Cuba exportou quase 15 milhões de dólares para os americanos e importou 176,8 milhões. Em 2018, os Estados Unidos foram o maior fornecedor de alimentos e produtos agrícolas para Cuba com exportações desses bens avaliados em US$ 220,5 milhões naquele ano. Também em 2018, os EUA exportaram para lá um valor total de 275,9 milhões de dólares em equipamentos e produtos médicos.

Finalizo o texto dizendo o óbvio: o embargo não existe da maneira que é propagandeado, logo não faz sentido culpá-lo pelo desastre que é o regime cubano, que conseguiu a proeza de ter mais de 50% da população na pobreza e este ano alcançará 500% de inflação – tudo isso apesar dos 200 bilhões de dólares que a ilha recebeu de ajuda humanitária (especialmente da Rússia e Venezuela) nos últimos 16 anos.

*Artigo publicado originalmente por Conrado Abreu na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

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