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Como desarmar a bomba relógio da inflação?

Ontem, o Banco Central do Brasil (BCB) aumentou a taxa de juros básica de 2,75% para 3,5%. Se contarmos que a Selic começou o ano a 2% a.a., é um grande salto, cujo motivo é muito óbvio: pressão inflacionária. Isso me lembrou um texto que escrevi em outubro do ano passado com uma crítica ao Paulo Gala alertando que a inflação era uma bomba relógio que estava se armando. Como sempre, apareceram alguns heterodoxos me criticando, e eles estavam errados.

No comunicado do BCB, a instituição disse que um dos motivos para o aumento dos juros é a pressão inflacionária no setor de alimentos. Porém, o interessante é que o Brasil não está só: os nossos vizinhos do norte estão passando por problema semelhante. Segundo o Bureau of Labor Statistics, o preço da comida aumentou três vezes mais que a inflação nos EUA em 2020 e o Departamento de Agricultura americano prevê um aumento de mais de 3% neste ano. As United Nations mostram que isso é um problema global: a média de aumento dos alimentos ao redor do mundo é de 10%.

Um dos motivos do aumento da conta do supermercado está no aumento da impressão de dinheiro. Nos EUA, 20% de todos os dólares impressos ocorreram em 2021. Somente um desenvolvimentista poderia acreditar que algo dessa magnitude não teria consequências graves.

O Federal Reserve (o BC americano) tentou minimizar o fenômeno ao declarar que a inflação era “transitória”, como justificativa para manter a taxa de juros próxima a zero. O mercado, claro, não vai acreditar e prevejo uma busca por ativos que possam proteger os investidores da pressão inflacionária, como investimento em imóveis, ouro e, mais recentemente, em criptomoedas. Vale lembrar que o Índice de Commodities da Bloomberg aumentou 15% nos últimos 12 meses.

O mundo conhece bem os efeitos de uma disparada no preço dos alimentos. Segundo o pesquisador Yaneer Bar-Yam, da University of Cambridge, a inflação dos alimentos está por trás de grandes revoltas ao longo da história humana: da Revolução Francesa à Primavera Árabe. Os nossos seguidores mais jovens talvez não se lembrem, mas em março de 2013 a inflação do preço dos alimentos estava em 34% anual, merecendo destaque o tomate, que aumentou mais de 100%. Pela tese de Bar-Yam, isso ajuda a entender a bomba que explodiu no país em junho daquele ano.

A linha do discurso desenvolvimentista (ou neokeynesianos, seja lá como vocês preferirem chamar a patota de Paulo Gala, Laura Carvalho, Mônica de Boulos, etc) é sempre a mesma. Primeiro, defendem imprimir mais dinheiro com a justificativa de que não gerará inflação. Segundo, quando ela acontece, a turma da Unicamp – Universidade Estadual de Campinas alega ser algo apenas transitório. Em último ato, quando a inflação dispara, eles culpam empresários e especuladores, advogando para um possível controle de preços.

Ainda bem que o nosso BC está tentando desarmar essa bomba. Se vão conseguir, é outra questão.

*Artigo publicado originalmente por Conrado Abreu na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

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