Caso Vester Flanagan: proibir só as armas? E o resto?

adamalicepor RENAN ALVES*

Ex-funcionário do canal WDBJ7, Flanagan executou a repórter Alison Parker e o cinegrafista Adam Ward nos EUA. O assassino filmou o crime e depois postou o vídeo no twitter.

Como é de praxe, o caso serviu para assanhar os defensores do desarmamento. Recorrendo à mesma retórica manca de sempre, atribuíram a culpa do atentado à facilidade de obtenção de armas nos EUA, como se somente este fator fosse o responsável por levar Flanagan a cometer o crime.

Nos EUA, a militância pede que a liberdade de portar armas para defesa seja revogada, enquanto aqui, onde a esquerda já conseguiu realizar tal cerceamento, o objetivo é impedir que o bom trabalho de cidadãos versados no assunto, como Bene Barbosa, convença a Câmara a aprovar o PL3722/2012 que revoga o estatuto do desarmamento e permite que cidadãos de bem, pagadores de impostos, protejam a si mesmos, suas casas e famílias, daqueles que nunca respeitaram o desarmamento, nem qualquer outra lei.

Usando o caso Flanagan como pano de fundo, faço uma proposição aos desarmamentistas: proibir só as armas? Não. Vamos proibir tudo aquilo que ele usou em seu plano para matar os ex-colegas.

Em tempo, não posso deixar de lembrá-los do argumento mais cristalino e notório: Flanagan poderia ter realizado seu desígnio com uma faca, um estilete, um porrete, uma pedra, uma tesoura, um taco de beisebol, um taco de golfe, uma garrafa, uma chave de roda, um martelo e etc.

Tanto a repórter quanto o câmera estavam distraídos no exercício de seu trabalho, de modo que ele, usando qualquer dos objetos citados, não teria dificuldade para se aproximar e concluir a tarefa. O próprio vídeo da execução o prova.

Então vamos proibir tudo?

Flanagan usou uma câmera para filmar o crime. Mostrar ao mundo o que havia feito e por que fizera era essencial. Seu plano foi todo urdido visando tal propósito. Para Flanagan, a câmera que usou para filmar o crime e divulgar sua vingança era tão crucial quanto a arma do crime.

Mediante tal premissa, nos cabe perguntar: por que não proibimos o manuseio de dispositivos de gravação?

Oras, elas proporcionam notoriedade a tipos nutridos de transtornos, patologias e psicopatias!

E as redes sociais?

Assim como perguntam se Flanagan teria levado adiante seu plano de assassínio se não tivesse uma arma de fogo, pergunto também: ele o teria feito se não tivesse possibilidade de fama instantânea ao publicar o vídeo do crime nas redes sociais?

Se Vester Flanagan não é o único e definitivo responsável pela morte de dois inocentes, cabendo responsabilização aos objetos inanimados que usou para tal fim, como não considerar que a câmera e o twitter não são tão cúmplices quanto o revólver?

Assim sendo, por que não existe um clamor para que sejam proibidos?

“Por que não são perigosos”. Pode responder alguém.

E aí está o cerne da questão. Qualquer coisa pode ser perigosa nas mãos de malucos, criminosos e psicopatas.

Mas isso não justifica que pessoas decentes, honestas e sãs sejam privadas do que quer que seja.

Mais do que isso. No caso específico das armas de fogo, justamente por isso os cidadãos de bem precisam ter acesso a elas, se quiserem, para se defender do imponderável e daquele que, por mau-caratismo, patologia ou sem vergonhice, opta por afrontar o império das leis.

As redes sociais, em geral, permitem que sujeitos como Vester Flanagan potencializem sua periculosidade, dando vazão à sua expressão violenta.

Proibiremos essas redes, punindo milhões de usuários decentes?

A facilidade de captação e divulgação de imagens pode despertar, em sujeitos de tal forma perturbados, o instinto perverso.

Proibiremos câmeras e celulares?

Um lembrete: se fosse possível (e não é) o banimento absoluto de todas as armas de fogo do mundo, homicídios continuariam acontecendo.

Afinal, quando quer, um homem pode matar até com as próprias mãos.

*Renan Alves da Cruz é professor de História e colunista do portal Voltemos à Direita.

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