Cadê a lógica da realidade?!

Acordo e penso em todas as recomendações de otimismo que recebo e que leio diariamente, mas, infelizmente, não consigo parar de acessar a realidade.

As grandes elites nacionais tupiniquins – jornalistas, intelectuais, professores, PhD’s… – parecem ainda não entender porque Bolsonaro foi eleito.

Por óbvio o antipetismo! Mas acredito também que a variável Paulo Guedes – respectiva valorização da economia, do trabalho e do emprego – foi apreciada – e precificada – pelos 57,7 milhões de brasileiros votantes no capitão.

Agora, com a crise virótica, essas mesmas elites, reproduzindo aquilo que foi e está sendo feito em outros contextos diferenciados, pressionam pela saúde pública e louvam do alto de suas confortáveis residências o isolamento social drástico e o fechamento da economia.

Espantoso – demais! – como é escassa nesse país a falta de uma mínima apreensão da realidade e da vida real!

Evidente que o fechamento da economia já está produzindo desemprego, fome e vidas humanas!

O “rei do tropeço nas palavras” tem razão no ponto de que claro que é necessário salvar vidas e empregos. Enquanto isso, as elites se apegam aos seus nobres pensamentos e apelos humanitários, baseados em projeções e modelos em que a única estatística real é a falta de estatística, a fim de manterem o fechamento da economia.

Com a prudente troca do ministro da Saúde, eu efetivamente espero por uma análise racional e segmentada das regiões brasileiras. Não me resta a menor dúvida de que, por exemplo, no Rio Grande do Sul, deveríamos isolar os grupos de risco, enquanto que os demais, preservando todas as providências sanitárias cabíveis, deveriam retornar ao trabalho para que possam cuidar, de fato, da saúde econômica de suas famílias, de seus negócios e, inclusive, da vida de outras pessoas de carne e osso, seus empregados.

Ponham na cabeça: as pessoas precisam e desejam exercer as suas liberdades constitucionais. Aterrorizadoras são a falta do senso de realidade e as abstrações filosóficas e retóricas sofisticadas construídas por “filósofos” liberais, direitistas e – não supreendentemente – por progressistas centristas e esquerdistas.

Ontem, por exemplo, chocou-me a visão de um grande liberal, que numa conversa comigo, aludiu que as questões da quebradeira das empresas e do desemprego devem ser “resolvidas” pelo Estado. Não acreditei no que escutei! Perdoo-os!

Tristemente não conhecem factualmente o mecanismo de mercado e a realidade empresarial, da vida crua e dura.

O “grande Estado” não salvará quase ninguém… As cadeias de suprimentos estão sendo fortemente abaladas globalmente e são as empresas líderes aquelas que estão auxiliando seus principais fornecedores.

Estas estão antecipando pedidos em fornecedores-chave (críticos) para atender à demanda futura, a fim de que eles possam tomar empréstimos contra recebíveis comprometidos.

Fornecedores que representam itens de volumes médios e pequenos de gastos estão recebendo pagamentos antecipados por pedidos agora para atendimento a uma demanda futura. Sem tal providência, seguramente haveria o colapso e o desabastecimento de produtos e serviços à população. Isso a vala comum não enxerga!!
Contudo, com o fechamento da economia de forma ainda mais prolongada, nem tais empresas líderes capitalizadas resistirão.

Inacreditável como esses filósofos românticos de Alice no país das maravilhas desconhecem a realidade da vida como ela é!!

Aos ferrenhos defensores dos fracos e dos oprimidos, um singelo lembrete: se os burocratas irresponsáveis permitirem, quem salvará as nossas vidas humanas serão as empresas que cooperam e competem nos mercados. Por favor, cadê a lógica da realidade, para além de homens dos livros (muitos equivocados) e suas filosofias baratas?!

Alex Pipkin

Alex Pipkin

Doutor em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS. Mestre em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS Pós-graduado em Comércio Internacional pela FGV/RJ; em Marketing pela ESPM/SP; e em Gestão Empresarial pela PUC/RS. Bacharel em Comércio Exterior e Adm. de Empresas pela Unisinos/RS. Professor em nível de Graduação e Pós-Graduação em diversas universidades. Foi Gerente de Supply Chain da Dana para América do Sul. Foi Diretor de Supply Chain do Grupo Vipal. Conselheiro do Concex, Conselho de Comércio Exterior da FIERGS. Foi Vice-Presidente da FEDERASUL/RS. É sócio da AP Consultores Associados e atua como consultor de empresas. Autor de livros e artigos na área de gestão e negócios.