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Cada emprego público mata muito mais que um emprego privado

Reportagem da Revista Época dessa semana fala sobre o trabalho de dois economistas do FMI alegando que um emprego público mata, em média, um emprego privado no mundo. Para fins de cálculo, os economistas levaram em conta apenas os efeitos do trabalho do empregado público, que efetiva, na prática, os ditames da burocracia e das regulamentações. Sem o empregado público aplicando tais amarras, elas não seriam implementadas, e é esse custo da burocracia que a reportagem diz que custa, pelo menos, um emprego.

Mas existem outros custos óbvios que não foram contados aqui: o custo de manutenção da estrutura da máquina pública e o salário do empregado público, que são pagos com riquezas extraídas do setor privado através de tributos.

Isso significa que, no mínimo, a existência de um empregado público matou um emprego privado com o mesmo salário. Se pensarmos em empregos menos qualificados, a existência de um empregado público destruiu o emprego de vários pobres.

Ademais, o custo de manutenção da máquina pública é alto. Como as terceirizações que prestam os serviços de manutenção de prédios públicos e equipamentos sempre vêm atrelados a licitações fraudulentas que fazem o dinheiro público escorrer por vários ralos, podemos adicionar muitos outros empregos assassinados pelo emprego público.

Embora a matéria da revista em comento seja interessante para fins de debate, o fato é que o estudo dos economistas do FMI é bem fraquinho e estreito, não refletindo de verdade a tragédia que envolve a criação de um emprego público, que vai muito além do que aquilo que se consegue ver de imediato.

Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.