Brasil: emergente ou imergente?

As projeções do FMI para a economia brasileira foram a base para matérias em todos os jornais do país hoje. De acordo com o famoso fundo, o Brasil chegou no fundo… do poço. Projeta-se uma nova retração da economia brasileira para o ano de 2016, e, em uma boa expectativa, um cenário de estagnação em 2017 para, só então, o Brasil retomar o crescimento em 2018.

emergentesEm suma, se Dilma não sofrer o impeachment, seu segundo governo poderá ser visto como aquele que rebaixou o Brasil de país emergente, como ainda é chamado pelo FMI, para país imergente, um país que afunda. Veja-se o gráfico abaixo:

Leia também:  Uma breve história dos subsídios no Brasil (segunda parte)

 

Dentro desse cenário horroroso, a pergunta que fica é: por que o FMI está tão otimista?

Sim, otimista. Não há absolutamente nada que indique qualquer melhoria econômica para os próximos anos. A intervenção econômica continua, não há programa de privatizações, não há corte de servidores públicos (salvo na Petrobras, onde os funcionários são celetistas), não há reforma previdenciária e nem administrativa. O direito trabalhista continua mais retrógrado do que nunca. A reforma tributária é para aumentar ou criar impostos, como a CPMF. Não há reforma de modelo de entrega de serviços públicos. Não há fim do patrimonialismo. E mesmo a Lava Jato, que tanto fez pela esclarecimento de casos de corrupção no Brasil, ainda não pôs Lula na cadeia.

Leia também:  Queimadas na Amazônia: esquerda brasileira emplacando mais difamações sobre o Brasil no exterior

Por que então haveria qualquer interesse de empresários, nacionais ou estrangeiros, de retomar a confiança e reinvestir no Brasil?

Se isso não fosse o suficiente, nosso rival regional e concorrente na América Latina, a Argentina, está realmente fazendo as reformas que deveríamos fazer, sob liderança do Presidente Macri. Ele sim está reformando as instituições portenhas para receber investimentos e voltar a crescer. Para a Argentina faz sentido um cenário de fim da depressão e retomada do crescimento. Não para o Brasil, mesmo em médio prazo.

Eu não me surpreendo, portanto, em uma imersão econômica cada vez maior e em vários anos de depressão, a não ser que haja uma real mudança na mentalidade política do país.

Leia também:  Quando políticos se beneficiam da coisa pública

Ajude o Instituto Liberal no Patreon!
Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.

Um comentário em “Brasil: emergente ou imergente?

  • Avatar
    19/01/2016 em 5:17 pm
    Permalink

    Caro Bernardo, tenho 2 assuntos, um relacionado a sua matéria e outro sobre a eleição
    Americana.

    Ficamos sabendo hoje os dados oficiais do PIB da China, 6.9%. A CNBC, canal de Wall
    Street trouxe o número real; 4.8%. China está parando e o governo mente tanto
    quanto o da Venezuela e da Argentina de Kirchiner. Como este número está
    circulando entre investidores, há pouca razão para achar que será revertido o
    processo de desaceleração da economia Chinesa.

    Acabo de saber (via TV) de um influente membro
    do Partido Republicano que Trump pode ganhar em 47 Estados contra Bernie
    Sanders. Clinton está em sérios problemas com a campanha. O Partido está agora analisando
    estes dois candidatos, Trump x Sanders. Trump tem a proposta de 10% tax break
    para empresas. Isto é um bom começo.

Fechado para comentários.