Bancos tradicionais versus bancos virtuais

Recentemente, adquiri um cartão do Nubank, um banco que não é um banco. Sim, é isso mesmo que você entendeu. O “Nu” é pra dizer que é um não-banco, que, desde 2013, está no mercado e é avaliado hoje em 4 bilhões de dólares. Resisti um pouco a comprar a ideia, seja pela comodidade de não mudar, seja por me questionar constantemente: será que é verdade mesmo? Como assim não tem anuidade nem tarifa? Como que a conta retorna 100% do CDI com liquidez imediata?

Você deve estar se perguntando o que o Nubank, uma ex-startup bancária, tem de diferente, e eu respondo: o cartão de crédito internacional não tem nenhuma taxa de anuidade; os usuários podem controlar seus gastos do cartão integralmente pelo smartphone sem faturas enviadas pelo correio ou agência bancária; os juros são de 7,75% ao mês enquanto o mercado oferece taxas de 15,01%; e o atendimento também chama a atenção, pois a equipe é formada por pessoas capacitadas para atender aos clientes com um tom informal, porém eficiente.

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Quando olhamos para os bancos tradicionais, temos filas enormes em agências, atendimento ruim, alta burocracia, taxas elevadas e pouca abertura com o banco. Essa situação se agrava ainda mais quando falamos de bancos estatais, pois são mais lentos na implementação de novas tecnologias.

O fato é que, com a ascensão dos bancos digitais, as chamadas Fintechs (financial technology), empresas que unem finanças e tecnologia para oferecer desde conta corrente a investimentos, com tecnologia de forma intensiva, oferecem serviços financeiros com métodos diferenciados e muito mais práticos e seguros dos que os já existentes.

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Diante desse cenário, está cada vez mais evidente que os bancos tradicionais precisam se reinventar. O mercado está mais exigente e possui mais necessidades diversificadas, sendo necessário um tratamento personalizado para cada um dos clientes.

É tão evidente essa necessidade de mudança de comportamento que o Itaú é um exemplo claro de que está entendendo a mudança do mercado. O Banco comprou a XP Investimentos, plataforma que democratizou os investimentos financeiros que antes eram apenas oferecidos para quem possuía investimentos a partir de 2, 3 milhões de reais. Hoje, é possível investir qualquer quantia que você possua, ou seja, uma prova dessa mudança.

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A tecnologia está “aí” todos os dias para provar que tudo pode ser melhor, mais cômodo, com melhor atendimento e ainda sem que seja necessário sair de casa. A população de um modo geral está revolucionando a forma de investir, constantemente reivindicando condições melhores, ditando as regras, exigindo um melhor atendimento e tornando a forma de investimento mais democrática. Por isso os bancos tradicionais terão que mudar para atender as nossas exigências, pois, caso não mudem, não vão mais existir.

**Bharbara Pretti é Associada do Instituto Líderes do Amanhã e sócia da Pretti Cargas.

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