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Atividade econômica do Rio de Janeiro no pior trimestre da História

A crise atual, que começou no final do primeiro trimestre deste ano, provocou um forte recuo da atividade econômica (no RJ, no Brasil e no mundo) no segundo trimestre, como já esperado, em função das medidas (corretas) de distanciamento social e outros impactos provocados pela pandemia e seus efeitos na economia. O Indicador de Atividade Econômica do Estado do Rio de Janeiro (IBCR-RJ), divulgado pelo Banco Central, apresentou no segundo trimestre de 2020 uma queda, em termos reais, de 8,0%, em comparação com os três primeiros meses do ano, sendo o pior resultado da série histórica, iniciada em 2003 (Gráfico 1). Só para efeitos de comparação, na recessão fluminense passada, a perda acumulada em 30 meses (entre fevereiro/15 e julho/17) foi da mesma magnitude da perda acumulada da recessão atual, em apenas dois meses (março e abril), próximo de 10%, mostrando o quão intensa foi a perda de atividade econômica em pouco tempo. Este recuo de 8,0% foi a quarta maior queda, dentre os 13 estados com dados disponíveis do indicador do Banco Central. Amazonas (-13,5%), Paraná (-9,3%) e Ceará (-9,2) apresentaram perdas maiores do que o RJ no segundo trimestre deste ano.

O setor de serviços, que tem um peso de 80,9%[1] na economia fluminense e é o mais impactado na crise atual, apresentou uma queda, em termos reais, de 16,7% na comparação com o primeiro trimestre de 2020. A indústria, cujo peso é de 18,6%, recuou 12,9%. O comércio, um dos itens do setor de serviços, caiu 10,1% (Gráfico 2). Segundo as três pesquisas do IBGE (PIM-PF, PMS e PMC), o segundo trimestre deste ano foi o pior trimestre das séries históricas, iniciadas em 2002, 2011 e 2000, respectivamente.

Apesar da forte queda do segundo trimestre, o “problema” foi abril, considerado o “fundo do poço”, com um forte recuo do IBCR-RJ e quedas de dois dígitos na indústria, serviços e comércio, sempre em comparação com março. De acordo com o BCB e as pesquisas setoriais do IBGE, abril de 2020 foi o pior mês das séries históricas. Depois, a partir de maio, começou a recuperação.

O Gráfico 3 mostra as perdas acumuladas da atividade econômica do RJ e da indústria, serviços e comércio fluminenses em decorrência da crise atual, comparando o nível de abril (“fundo do poço”) e do último mês (junho) do segundo trimestre de 2020 com fevereiro deste ano, o mês anterior ao início da crise do coronavírus. Com taxas positivas de crescimento depois de abril, as perdas acumuladas já se reduziram desde o pior momento. No final do segundo trimestre de 2020, a atividade econômica fluminense estava 7,6% abaixo do nível pré-crise do coronavírus, em fevereiro deste ano. A indústria, 11,3% abaixo; os serviços, segmento mais impactado, com uma perda acumulada de 17,4%; e o comércio, com uma boa recuperação em maio e junho, estava 4,6% abaixo do nível anterior à crise.

O estado do Rio de Janeiro estava num processo de recuperação lenta e gradual, mas de fortalecimento da atividade econômica. Porém, assim como aconteceu com o Brasil, o Rio ainda não tinha recuperado totalmente as perdas da recessão anterior. No Gráfico 4 há as perdas acumuladas no final do segundo trimestre de 2020, com os impactos da crise atual, em comparação com os respectivos picos pré-recessão 2014/16. A atividade econômica do estado estava 13,8% abaixo do pico em janeiro de 2015. A indústria estava 14,7% abaixo do nível de março de 2014. O setor de serviços, principal locomotiva da economia fluminense, estava 33,7% abaixo do pico de junho de 2014, com o maior gap entre o nível atual e o pico pré-recessão 2014/16. As vendas no varejo estavam 14,2% abaixo do pico prévio de outubro de 2014.

Em resumo, o segundo trimestre de 2020 foi o pior trimestre da história para a economia do Rio de Janeiro,[2] tendo o mesmo ocorrido no Brasil e em vários países do mundo, devido ao sincronismo das quedas de atividade econômica no trimestre mais afetado pela crise. O mês de abril foi o “fundo do poço” e os seguintes já apresentaram algum sinal de recuperação. As expectativas são de uma recuperação no segundo semestre do ano. Porém, como as perdas foram muito fortes, a queda do ano será bastante alta. As incertezas ainda são bastante altas, tanto econômicas (como as pessoas vão se comportar, consumindo o mesmo que antes, ou não, por questões financeiras e do medo da doença, entre outras) quanto em relação ao vírus (possibilidade de segunda onda, por exemplo).

[1] Dados de 2017 dos pesos no valor adicionado (VA), de acordo com o IBGE.

[2] Com base nas séries históricas disponíveis do Banco Central e IBGE.

Marcel Balassiano

Marcel Balassiano

É mestre em Economia Empresarial e Finanças (EPGE/FGV), mestre em Administração (EBAPE/FGV) e bacharel em Economia (EPGE/FGV).