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Ataques à democracia: o pior “tudo ou nada” da história

Por mais que entenda o ponto de vista filosófico utópico, não consigo compreender a obsessão de algumas das mentes mais brilhantes que conheço em atacar ferozmente a democracia. O sistema é falho? Sim, profundamente. Não há dúvidas quanto a isso. No entanto, sem qualquer necessidade em alongar a questão, é o melhor sistema que temos. Sinceramente, já estou cansado de repetir o óbvio tão bem posto na famosa citação de Winston Churchill…

Pode parecer linda a reflexão e exposição de ideias contra a democracia. Ora, só Libertários e Anarco-Capitalistas têm a coragem de expor as mazelas da democracia. Coragem? Não, bobagem, bobagem, bobagem. Eles são superiores? São gênios? É claro que não.  Aliás, como dizia Bernard Shaw, “no fundo, o grande segredo é o seguinte: os gênios não existem.”

Muito bem. A pureza teórico-idealistavem se tornando muito maior do que questões pragmáticas. Trata-se de um verdadeiro “tudo ou nada” especulativo-filosófico, e, desde a largada, o tiro está fadado a sair pela culatra.

Qualquer um, com um mínimo de massa cinzenta, sabe que a democracia não é perfeita. Não é preciso alta cultura e grande sabedoria para entender isso. Todavia, o argumento contra o regime democrático abre um flanco enorme para macular a imagem dos liberais, e, com isso, nossas ideias se transformam em pretexto para sermos chamados de elitistas e despreocupados com os pobres.

É fácil prever os ataques:“Esses liberais acham que o poder não emana do povo! Consideram o povo burro e incapaz de escolher seus representantes! São, na realidade, uns elitistas!! Querem se tornar os Reis Filósofos de Platão!! É tudo engodo para iludir os pobres. Burgueses exploradores!!!”

Sei, muito bem, que esses argumentos são falaciosos. Não passar de birra. Mas, sejamos realistas, as questões tratadas nesse último parágrafo destroem qualquer apoio ao pensamento liberal. Um bom articulador usaria isso para devastar a defesa do livre mercado, da desregulamentação, da desburocratização, da privatização, do estado mínimo e tudo o mais. Com isso, passamos a ter um discurso vazio e sem qualquer atrativo. Em seguida, um político astuto sentenciaria: “o que está por trás, realmente, do pensamento liberal é mais uma tentativa das elites de tomar o poder absoluto”.Vejam o tamanho do desastre.

Alguns me diriam:“balelas cretinas, pura demagogia, para que se preocupar com isso? No entanto, os ataques mordazes à democracia permitem isso. Será tão difícil entender o comportamento humano? Ninguém entendeu a praxeologia de Mises? Nenhum financista estudou o comportamento irracional das pessoas no mercado de ações – a maior parte dos investidores compra quando todos estão comprando e vendem quando todos estão vendendo. Chega! Vamos, ao menos, respeitar o comportamento humano. Atacar a democracia é muito pior do que se afirmar de direita.

No processo eleitoral – ele existe e não podemos fugir disso –, ficamos frágeis em razão de delírios filosóficos. Precisamos de um mínimo de pragmatismo. Uma agenda básica do que é factível. Nada disso será possível com ataques à democracia. Ao contrário, esse comportamento demoniza todos os liberais e fulmina nossas ideias. Aos puristas, meus sinceros parabéns por cavar a nossa sepultura. Pior, com essa confusão generalizada entre Liberais Clássicos, Libertários e Anarco-Capitalistas, os primeiros, que têm mais chances de difundir as ideias, são colocados no mesmo saco, e, ao final, perdemos todos em um debate bobo, infantil, sonhador e extremamente danoso.

Leonardo Correa

Leonardo Correa

Advogado e LLM pela University of Pennsylvania, articulista no Instituto Liberal.