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Analisando a pesquisa IBOPE

cenarios_ibope_1A pesquisa IBOPE de ontem traz o seguinte panorama para a corrida presidencial de 2014: Dilma (PT) com 43%, Aécio Neves (PSDB) com 13%, Eduardo Campos (PSB) com 3% e Randolfe Rodrigues (PSOL) com 1%. Essa pesquisa merece uma análise mais profunda, especialmente perante o fato de que 64% dos eleitores querem mudança, segundo outra pesquisa.

A primeira pergunta a ser feita é: com 64% dos eleitores querendo mudança, por que a presidente Dilma tem 40% dos eleitores afirmando querer votar nela?

A resposta mais óbvia é que a campanha hoje se resume a um diálogo monopolista da Presidente Dilma com o eleitorado. Os principais candidatos oposicionistas até o momento, Aécio e Eduardo, não conseguem nem um décimo da mídia que tem a Presidente.

A segunda resposta é que tanto Aécio quanto Eduardo são ainda desconhecidos por parte do público. Segundo coluna do Globo, apenas 7% do eleitorado desconhece Dilma, percentual que sobre para 27% no caso de Aécio e 35% no caso de Eduardo.

A terceira resposta é que os dois candidatos oposicionistas, mesmo quando possuem algum tempo, não conseguem se viabilizar como candidatos verdadeiramente oposicionistas e de mudança. Essa situação chegou a tal ponto que o quarto colocado, Pastor Everaldo Pereira, já se encontra tecnicamente empatado com Eduardo Campos na terceira colocação (como a pesquisa tem margem de erro de 2% para mais ou para menos, ocorre esse efeito do empate técnico) mesmo sem nenhuma mídia e com um partido menor.

Mesmo com todo esse panorama, entendo ser certa a ocorrência de segundo turno pelos seguintes motivos:

1 – Em 2010, com ampla aliança de partidos e com o “Lulismo” unido em torno da candidatura Dilma, no primeiro turno a candidata do PT 46,91% dos votos válidos. Nesse ano o “Lulismo” está rachado em duas candidaturas (Dilma e Eduardo Campos) e dentro da ala dilmista temos fracionamentos, com rebelião no PMDB, no PR, no PSD e no PP em vários estados. Portanto, a tendência é de uma performance levemente abaixo da de 2010 já no primeiro turno.

2 – Naturalmente, conforme a eleição se aproximar, a mídia fornecerá tratamento igualitário de espaço aos candidatos, e os oposicionistas forçosamente aumentarão o tom de críticas, se fazendo mais contundentes.

3 – Nas duas eleições com candidatos que representam o setor evangélico (Garotinho em 2002 e Marina em 2010), a votação deles bateu acima de 15%, portanto, não há surpresa na pontuação do candidato do PSC nessa primeira inserção. Essa tendência de subida tende a se estabelecer e não vejo como Everaldo possa ter menos de 10% na votação nacional.

4 – Os futuros protestos contra a Copa fortalecerão o candidato de extrema-esquerda que esteja melhor estruturado, no caso, Randolfe Rodrigues, do PSOL. Uma costura de aliança com PSTU, PCB e PCO pode levar longe essa candidatura. Uma eliminação precoce do Brasil na Copa pode agravar ainda mais essa situação. Com uma derrota do Brasil nas oitavas para Espanha ou Holanda pode ser a pá-de-cal no petismo, que sangrará em favor da esquerda moderada (Eduardo) e radical (Randolfe). Prevejo pelo menos 3% dos votos para o PSOL em outubro.

Já no segundo turno haverá uma aglutinação de votos de oposição em favor do representante do não-petista. Se o candidato for Campos, a migração de votos de todos os oposicionistas (PSDB, PSC e PSOL) é altíssima. Caso o candidato seja Aécio, os votos do PSB e do PSC deverão migrar para ele em sua esmagadora maioria, mas com parte indo para Dilma, para onde também iriam os votos do PSOL. O cenário mais intrigante seria a ida do Pastor Everaldo para o segundo turno, onde não faço a menor ideia de como se daria o comportamento da aglutinação, salvo a ida dos votos do PSOL para Dilma.

Portanto, nesse momento, o pior cenário para Dilma é a ida de Eduardo Campos para o segundo turno, não que isso seja necessariamente bom para o Brasil, que teria dois lulistas no segundo turno. Vamos aguardar o desenrolar da campanha.

Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.

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