Água e energia são produtos importantes demais para ficar nas mãos do governo.

São Pedro não costuma negociar com políticos.  Parece que também não tem partido definido, pelo menos no Brasil. Para o bem ou para o mal, o santo responsável pelas chuvas resolveu manter parte do Brasil na seca, o que tem provocado sérios problemas no abastecimento de energia elétrica e água.

Graças ao mau humor São Pedro, seu colega São Paulo está prestes a ficar sem água nas torneiras e o Sudeste brasileiro sem energia elétrica.  Apesar da situação crítica, os governos federal e paulista recusam-se a fazer o dever de casa.

Misturar política com economia não costuma dar certo. Políticos acham que leis econômicas só existem para serem quebradas.  Infelizmente, em diversos setores, nossa economia é comandada por políticos, cujo horizonte, na enorme maioria das vezes, só vai até as próximas eleições.  Assim, se eles podem “empurrar” um problema para o próximo ocupante do cargo, ainda que isso signifique aumentá-lo exponencialmente e dificultar sobremaneira a solução, eles o farão.

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A lei da oferta e da demanda, em mercados relativamente livres, determina que, em tempos de escassez, os preços sobem até o ponto em que demanda e oferta se equilibrem. É assim com o tomate, a banana, os automóveis, os salários, o câmbio, os juros e todos os demais preços.  E quanto maior a escassez, maiores costumam ser os aumentos de preço.  Quando o governo intervém, seja para estabelecer preços mínimos ou máximos, impede que o mercado se ajuste, causando mais escassez ou determinando excesso de produção.

A maneira mais eficiente e segura de fazer as pessoas economizarem voluntariamente é aumentando o preço do produto ou serviço.  Se estamos em período de seca, por exemplo, pouco adianta pedir aos consumidores que economizem água em prol do bem comum.  Pouco ou nada tampouco adiantam ameaças de punição para quem desperdiçar o produto.  Se não doer no bolso, nada feito.  O aumento da tarifa, por outro lado, faria com que os fornecedores procurassem soluções alternativas para aumentar a oferta dos produtos escassos.

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Mesmo em setores monopolistas sob a tutela do Estado, aplicam-se a lei da escassez e da oferta e demanda.  Portanto, já passou da hora de o governo de São Paulo não apenas aumentar de forma substancial as tarifas de água, como também determinar algum tipo de racionamento.  O mesmo se aplica ao governo federal em relação à energia.  Adiar estas ações e ficar torcendo para que São Pedro dê uma mãozinha é tão eficiente quanto fazer a dança da chuva ou apelar aos poderes mediúnicos do Cacique Cobra Coral.  A sorte pode até sorrir e a estratégia acabar dando certo, mas não é assim que deve agir um administrador responsável.

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Mas aumento de tarifas e racionamento são medidas impopulares, principalmente em ano de eleição.  Que fazem então os políticos?  Mergulham a cabeça debaixo da terra e fingem que não existe problema algum. Em resumo, transferem o pepino para o próximo governante, ainda que os custos, lá adiante, tornem-se absurdos.  É o preço que a sociedade paga por manter a oferta de produtos essenciais sob a tutela dos governos.

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Comentários

  1. Meu caro Barão, você está desconsiderando que o governo de São Paulo subiu as tarifas para quem aumentar o consumo e baixou as tarifas para quem reduzir o consumo. É uma forma inteligente de racionar via preços, pois, trabalhando apenas na margem, evita retirar recursos da população.

  2. Em meu edifício o consumo é comum. Logo, como esperado, não houve redução no consumo. O síndico diz que nós não estamos colaborando.
    Nenhuma surpresa até aqui. Mesmo que ser aumente o prévio da água, cada litro de água economizado em minha unidade equivale a economia de apenas 5ml na minha contra de água. Não vai dar certo. Coletivizar as responsabilidades não resolve problema algum. Parabéns pelo IL e pelos artigos.