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A importância de ler autores adversários

A melhor maneira de saber como alguém pensa é ler suas influências intelectuais. Elas contêm a maioria das ideias e inspirações que alguém teve na composição da sua linha de pensamento.

Então, para conhecer as esquerdas brasileiras, nada mais lógico que olhar nas suas influências.

O processo de aprendizagem sobre um grupo só é possível em contato direto com aquela bibliografia da qual emana toda a ideia daquele grupo específico. Para isso, é necessário fazer o mais difícil e ler o que estrutura a linha de pensamento do grupo de que você desgosta.

Fazer menções a Karl Marx, Escola de Frankfurt e até mesmo Paulo Freire já basta para que muitos considerados “direitistas” torçam o nariz, mas é complicado tentar encontrar falhas no pensamento sem sequer conhecer os argumentos e apenas basear os entendimentos do autor no “diz que me diz”.

Não se trata de uma defesa das ideias que hoje projetam a influência da esquerda brasileira, mas sim de uma crítica à rejeição à leitura da linha adversária para compreensão de suas ideias.

Em exemplo comum: é notório perceber a existência de críticas a Paulo Freire que utilizam ideias que nem mesmo o próprio Freire defendia. Ao mesmo tempo, suas ideias mais perigosas, retrógradas e suas principais críticas ficam abaixo do radar, pois todo o conhecimento se resume às acusações de Freire por todos os defeitos educacionais brasileiros, ignorando a influência do verdadeiro mentor da atual LDB, o antropólogo amigo de Brizola, Darcy Ribeiro.

Outro exemplo de culpabilizações equivocadas está na “vilanização” do italiano Antonio Gramsci pela implementação da esquerda e suas pautas no meio cultural devido a menções de certos “gurus direitistas”, porém ignorando os verdadeiros influentes e defensores da pauta: os frankfurtianos.

Enquanto Gramsci recebe a culpa, as menções a Theodor Adorno e Herbert Marcuse que guiam o pensamento neomarxista da “revolução cultural” frankfurtiana seguem vivas e passam abaixo do radar, junto com seus maiores influenciados: os sorbonistas do século XX.

Jean Paul Sartre e Michel Foucault, outros grandes influenciadores intelectuais da esquerda brasileira, seguem intactos de críticas e leituras apuradas por parte da direita por conta da vilanização errônea de influências intelectuais.

Em linhas similares, é possível notar também que, em inúmeros grupos de esquerda, transpassar a autores fora do seu “cânone” se torna uma tarefa quase impossível, pois se acumulam críticas sem sentido às ideias liberais. Exemplos não faltam, como as falsas menções a autores, patéticas explicações de suas ideias sem coesão com os textos escritos e a já cômica menção a neoliberalismo – que pode significar desde estado mínimo quase anarquista até repressão máxima da liberdade.

A leitura da linha oposta de pensamento é necessária para tecer críticas sólidas e embasadas às ideias ao invés da preocupação com fantasmas intelectuais.

*Artigo publicado originalmente na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

Instituto Liberal

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