A especulação dos investidores e a bolha imobiliária

NCPA*

A recente crise financeira – a pior dos últimos 80 anos – teve sua origem no enorme aumento e subsequente colapso dos preços da habitação nos EUA, de 2000 em diante. O Banco Central de Nova York valeu-se de dados exclusivos para mostrar que “investidores” do mercado imobiliário – os mutuários que usaram a alavanca financeira na forma de crédito hipotecário para comprar vários imóveis residenciais – tiveram um papel muito importante na crise imobiliária por inadimplemento em grande número.

  • A participação dos investidores na aquisição da casa própria praticamente dobrou entre 2000 e 2006.
  • No auge do boom em 2006, mais de um terço de todos os empréstimos para aquisição da casa própria foi concedido a pessoas que já possuíam, no mínimo, uma casa.
  • Em 2007-2009, os investidores foram responsáveis por mais de um quarto dos saldos seriamente inadimplentes em todo o País.
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Os efeitos da participação dos investidores na bolha imobiliária são ainda mais acentuados nos estados que enfrentaram os efeitos mais duros da bolha. Arizona, Califórnia, Flórida e Nevada tiveram as crises mais graves e também foram os que tiveram a mais alta atividade de investidores imobiliários.

  • Enquanto os investidores foram responsáveis por um terço de todas as compras de casas no País como um todo, em 2006, este número é de 45 por cento nestes quatro estados.
  • Além disso, os investidores com três ou mais propriedades constituíam 20 por cento, o que é o triplo de sua participação em 2000.
  • Nos anos que se seguiram ao estouro da bolha, os investidores foram responsáveis por mais de um terço dos saldos inadimplentes no Arizona, Califórnia, Flórida e Nevada.
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O impacto dos investidores no mercado imobiliário pode ser compreendido olhando-se de perto sua estratégia básica. Ao ser “lançada” uma casa, o investidor tenta comprá-la e vendê-la o mais rápido possível, maximizando o lucro. Como eles tinham pouca ou nenhuma intenção de ficar com a casa ou morar nela no longo prazo, frequentemente aceitavam altas taxas de juros nas prestações de modo a minimizar a entrada. No entanto, quando o crédito esgotou-se e os investidores já não conseguiam mais quitar suas casas, viram-se com o compromisso de pagar juros jamais vistos, altos demais para serem suportados. Isso fez com que um número desproporcional de investidores se tornasse inadimplente e que seus lançamentos contribuíssem fortemente para a crise do setor de habitação.

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Fonte: Andrew Haughwout et al., “‘Flip This House’: Investor Speculation and the Housing Bubble,” New York Federal Reserve, December 5, 2011.

 

*National Center for Policy Analysis

 

 

TRADUÇÃO / adaptação: LIGIA FILGUEIRAS

 

Fonte da imagem: Wikipédia

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