A DESCOBERTA DO BRASIL, PELO BRASIL

Marcia Rozenthal * Finalmente conseguimos ver o Brasil de dentro do Brasil. Enfim, o brasileiro enxerga aquilo que qualquer estrangeiro via quando desembarcava nessa terra. Os acontecimentos desta última semana foram o vórtice que deflagrou uma mudança cognitiva de proporções inimagináveis em nosso povo. Finalmente qualquer cidadão consegue transitar livremente entre o reino abstrato dos […]

Marcia Rozenthal *

descobrindo o brasilFinalmente conseguimos ver o Brasil de dentro do Brasil. Enfim, o brasileiro enxerga aquilo que qualquer estrangeiro via quando desembarcava nessa terra.

Os acontecimentos desta última semana foram o vórtice que deflagrou uma mudança cognitiva de proporções inimagináveis em nosso povo. Finalmente qualquer cidadão consegue transitar livremente entre o reino abstrato dos discursos e a concretude dos fatos, onde roubo voltou a se chamar roubo, corrupção a se chamar corrupção, polícia voltou para o lugar de polícia, ladrão voltou a ser ladrão, e justiça… sim, descobrimos a justiça. Não aquela que se faz com as próprias mãos, mas com o uso das leis.

Tomada por este sentimento de fé e de otimismo, escreverei esse artigo no passado.

Quero deixar aqui registrada a carta que gostaria de escrever, no calor dos acontecimentos, para meu filho e para meus netos vindouros. Um relato do que se passou nesse país, para que isso nunca mais se repita. Porque o Brasil se redescobriu no dia 04 de março de 2016.

ALETHEIA

“No início do século XXI o Brasil viveu sobre a égide de uma facção criminosa chamada PT, comandada por Lula. De forma insidiosa suas ideias e “princípios” foram se entranhando por toda a máquina pública e corroendo todo o capital econômico, ético e moral do país. Chegou-se a uma situação onde o mal já não mais estava, mas se tornou o meio dentro do qual o povo vivia.

Estávamos imersos dentro de uma realidade fantástica, surrealista. Habitávamos um cenário ao qual sentíamos não pertencer, mas onde paradoxalmente estavam todas as nossas referências. Como poderia um afogado, no limite de sua resistência, não beber e aspirar água? O mal entra sim pela boca. E, pelos olhos, pelos ouvidos, enfim, por todos os nossos receptores e orifícios. O mal distorce conceitos, desorienta o comportamento e transforma a realidade no inferno.

É possível que venham a ouvir letras de músicas antigas que diziam que o mal só sai da boca do Homem, nunca nela entra. Isso é mentira. É um sinal premonitório da liberalidade que veio se instalando aos poucos, começou a demonizar o Homem, sugerindo que ele foi a obra que deu errado na natureza, e não a expressão mais sublime da criação. Falar mal do Homem é negar a figura de Deus, a espiritualidade, e por consequência, negar os princípios morais e éticos. E, já que falo de música, cito outra, chamada “BRASIL” composta por Cazuza. Sinceramente, não sei se ele anteviu as coisas com a complexidade desse momento, mas não posso negar-lhe o crédito da ideia. O Brasil do PT funcionava, pensava, tomava decisões dentro da lógica de um “prostíbulo” (ele usou um sinônimo deste o termo para definir o país).

Tudo e todos tinham seu preço.

A consciência e o afeto atrapalhavam o “negócio”.

E, para os brasileiros que “não foram convidados para esta festa pobre”, restava a opção do estupro.

Desesperançado, o povo foi se consumindo.  Por fim, veio a verdadeira grande doença que o acometeu, chamada de letargia. Assim permaneceu por anos, inerte, paralisado, com medo, e sem ânimo para enfrentar o caos que se criava e se avolumava ao seu redor.

Até que foi descoberto um remédio! Era feito da mesma raíz da doença. Seu nome. Aletheia.

Meus filhos. Ter princípios e senso moral firmes é a única forma de impedir que isso volte a acontecer.

Algumas pessoas vão dizer que isso são valores “burgueses”, passados pelas “elites” e vão tentar conquistar seus corações, ainda cheio de dúvidas e ideias.  Prestem a atenção, pois essas pessoas são fáceis de serem identificadas. Elas já se traem pelos seus trejeitos, sempre afetados. Tentam mostrar que são dotadas de uma inteligência superior; testa franzida, olhar mirando o infinito, enquanto claramente fingem pensar. Usam com frequência um vocabulário estereotipado, com palavras que vão parecer estranhas, simplesmente porque são estranhas mesmo. A expressão das emoções é sempre pobre, mas quando presente, pende para a arrogância e a altivez. Porém, basta contrariá-las para manifestarem um ódio contido, que nunca vai ser manifestado de forma direta ou com argumentos. Muitas vezes, ouvirão delas um jargão para “enquadrar” vocês dentro de um estereótipo. Elas se expressam com um discurso evasivo, circunstancial e tangencial. Nunca caminham para um objetivo claro; porque eles não existem. Notem ainda que elas nunca olham nos olhos enquanto falam, mas sempre através. Perceberão com seus instintos a falta de sinceridade e a tentativa de sedução pela forma, nunca pelo conteúdo, que é vazio. Vendem-se como pessoas abertas a tudo. Mas na verdade, são preconceituosas. Sempre estarão advogando por direitos, mas nunca por deveres. Por isso se julgam boas e Justas. Mas não se enganem. Esse é o discurso das pessoas invejosas e perversas. Sempre apontarão inimigos. Estruturadas numa lógica paranóide, onde o inimigo está sempre do lado de fora, projetam todos os seus instintos perversos no outro. E vocês podem ser este “outro”.

Estejam sempre perto de pessoas inteligentes, com brilho nos olhos, vivacidade na fala e generosidade em compartilhar o que sabem. Escutem apenas as falas simples, porque só pessoas que entendem o que pensam querem ser compreendidas. E, façam perguntas, pois pessoas honestas tentarão respondê-las com objetividade, ou dirão que não sabem. Só apoiem quem defende o direito de ter deveres, e o dever de ter direitos. Essa é a única equação justa.

Não deixem nunca mais o mal tomar conta do Brasil. Vocês provavelmente ainda estarão pagando o preço dessa tragédia quando lerem esta carta. E, com humildade, peço desculpas sinceras pelo erro que minha geração cometeu.”

* Marcia Rozenthal é Neuropsiquiatra, professora da Escola de Medicina da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

 

 

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